Fotos: Vanessa Zenorini
news-details
Cultura

Artistas produzem obras ao ar livre para a mostra //Paralela

Quem passou pela Feirinha do Lago deve ter notado que o local está diferente. No começo do mês, diversos artistas estiveram ali produzindo trabalhos para a 4ª mostra //Paralela “Êxodo. O Caminho de Volta”. São diversos painéis que trazem em si a visão de cada autor sobre o tema proposto, que fala da fuga das grandes cidades e o impacto do movimento migratório no modo de ver e viver o mundo. 

Produzida e realizada pela Casa Lebre, a // Paralela destaca as artes visuais, com exposições, painéis e bate-papos on-line. A programação ainda contempla música, caminhadas e criação de instalação colaborativa, feita com ajuda do público. 

A mostra tem a intenção de impulsionar a cultura local, promover o intercâmbio da produção artística, democratizar e facilitar o acesso à arte contemporânea ao público da região. Com isso, consegue promover a diversidade e a troca, convidando artistas de fora e abrindo espaço para os artistas locais. Os painéis produzidos no muro da Feirinha do Lago são um exemplo claro disso. Além de estarem ao ar livre, em localização acessível, foram produzidos por artistas convidados, tanto de fora cidade quanto daqui. 

Bragança Paulista tem diversos artistas visuais, das mais diversas áreas: ilustração, quadrinho, graffiti, artes plásticas, fotografia. Quatro deles produziram painéis na Feirinha do Lago para a // Paralela: André Almeida, Jussara Reis, Davis Xavier e Tiffany Pavani, que está iniciando a carreira artística. “Me sinto feliz e agradecida em poder estar  expondo com estes artistas, por estar aprendendo e pondo a mão na tinta, por tirar as ideias do papel”, fala. 

VALORIZAÇÃO 

Mas como é ser artista visual em Bragança? André comenta qual é a sua percepção: “Realmente tem muito artista bom. Em diversas áreas, na verdade. A área profissional para ilustração é bem fraca e raramente se paga valores justos. Esse não é nem de longe um problema exclusivo de Bragança, essa desvalorização se vê comumente, principalmente em cidades do interior. Falo aqui de valores, de dinheiro, pois é onde a coisa pega. Há elogios de sobra e grana e recursos de menos. Primeiramente os próprios artistas precisam se valorizar e ter uma certa comunhão com suas partes, o que vejo melhorando, principalmente entre os mais jovens e mais ainda entre as meninas. E outra parte essencial certamente vem das iniciativas a partir de políticas públicas. Em um país com tantos artistas massivamente fora do mainstream que dependem de pagamentos baixos e inconstantes, isso é de suma importância. A própria Lei Aldir Blanc que surgiu com a pandemia escancara o quanto toda a classe artística está carente e vive numa berlinda constante, assim como os fazedores de cultura de maneira geral e todas pessoas que exercem atividades ligadas à produção cultural. Além disso, mostra o quanto essa iniciativa nos trás uma contrapartida necessária para sanidade de quem consome cultura. Aqui na cidade mesmo, tantos projetos interessantes e de alta qualidade só foram possíveis por incentivos de recursos públicos. Os artistas precisam comer e ter algum conforto que permita que possam criar e fazer parte de toda essa engrenagem que faz a cultura girar. De maneira objetiva, a atuação do Conselho Municipal de Política Cultural, que tem dentre seus membros mulheres e homens que são artistas ou ligados às artes, tem um papel muito forte. Além disso, a importância de educadores que pensam a arte como método de aprendizado. Só pra citar alguns que atuam fortemente nessa linha, a Bia Raposo dia após dia surge com novas ideias e projetos que incitam seus alunos a criar e, tão logo, desenvolver o respeito à importância da arte, o Charles Oliveira (que também faz quadrinhos) também compartilha seu olhar com seus alunos, o mestre de muitos jovens, Hilton Mercadante, além da querida Aline Araújo, que infelizmente nos deixou há alguns anos. Esses são apenas alguns exemplos de artistas que ajudam ou ajudaram na formação de muitas pessoas paras artes, muitas delas tendo seu primeiro contato por meio desses artistas educadores. Isso é muito, muito importante. Trabalho de formação de público, de novos artistas ou de agentes culturais”, analisa. 

ATUAÇÃO EM REDE

Para Jussara, é necessário a atuação de várias frentes, para que a valorização, verdadeiramente, ocorra: “De fato, Bragança possui uma diversidade de artistas e agentes culturais e, certamente, temos muitos nomes dos quais ainda não conhecemos e que precisamos, devemos conhecer. Acredito que as políticas culturais associadas às ações de instituições e coletivos locais, têm contribuído para trazer à tona essas pessoas, no entanto, o investimento na ampliação do acesso a essas diferentes fontes de difusão e incentivo, divulgação por diferentes mídias e eventos, fortalecimento dos movimentos culturais e artísticos locais, reconhecimento dos diferentes espaços educativos (formais e não formais) para formação artística, maior intercâmbio entre artistas, educadores e agentes culturais, ainda se faz necessário. Acredito que essa tarefa exige um esforço coletivo, cabendo a cada segmento desempenhar o seu papel, e uma atuação em rede, por meio de estabelecimento de parcerias, visando contribuir para a valorização da produção artística e cultural local” reflete. 

INCENTIVO

“Sim temos grandes nomes nas artes visuais em nossa cidade, Djalma Fernandes, Guilherme Trash, Sérgio Prata, Jonathan Hard, equipe Serrinha, João Hbitz entre outros. Creio em incentivo e oportunidade para expor trabalhos e meios que auxiliem no fomento dos artistas locais. O município ainda tem uma mentalidade de que o de fora é melhor, porém vejo uma grande melhora de uns anos pra cá, com a criação do Plano Municipal de Cultura, conseguimos grande visibilidade artística” diz Davis. 

Para saber mais sobre a // Paralela e conferir a programação, que vai até 25 de setembro, acesse o site https://www.casalebre.com/paralela

Você pode compartilhar essa notícia!

0 Comentários

Deixe um comentário


CAPTCHA Image
Reload Image