E se o mundo nos nega o afeto da compreensão,
Nela, compreendemos o afeto sem fim.
Sua imagem nos remete à calma
De quando nosso universo todo
Se resumia à ternura de seu ventre.
Tempos em que a sagrada reclusão uterina
Nos protegia do mundo externo e seus males todos.
Seus cuidados ainda seguem
Tentando nos proteger do mundo,
E de nós mesmos.
Seu amor é o prolongamento do útero,
Suas palavras, as mais sábias e certeiras,
Seu afeto, o curativo mais eficaz
Para joelhos e almas ralados.
E seu olhar, poderoso o suficiente
Para condenar-nos ou absolver-nos
Numa fração de segundos.
Suas mãos, sempre hábeis,
Prontas a ajudar-nos,
Incomparáveis na doçura com que criam e
Executam as receitas que ninguém
Jamais será capaz de repetir,
Não, pelo menos, com o mesmo sabor.
Seu coração, o receptáculo
A mais genuína mostra do amor de Deus.
Em seus passos, a certeza bendita,
De que caminhamos para Ele.
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