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SUB-VERSÃO

Até quando?

Se não for pela fome,

Que seja pelo descaso.

Se não for pela desigualdade,

Que seja pelo desalento.

Se não for pela Covid,

Que seja pela cloroquina.

Se não for por causa natural,

Que seja pela bala!

A bala adentrou um lar,

O menino estava em casa.

A bala levou o menino,

Deixando um vazio imensurável na casa e no lar.

Quantos meninos e meninas essas malditas balas já levaram?

Quantos vazios foram tudo o que elas deixaram em seu rastro de morte e dor e injustiça?

Até quando nossos meninos serão alvos da munição desse Estado incompetente e arbitrário?

Até quando eu chorarei esses meninos como se fossem meus,

Meus alunos, meus amigos, meu futuro!

Até quando?

Até quando essas invasoras adentrarão nossas comunidades, levando consigo corpos? Nossos corpos não lhes pertencem! Não somos propriedade desse Estado genocida!

Até quando deixarão para trás famílias destroçadas, às quais nem sequer uma retratação se dignarão a fazer?

Corpos negros, seres humanos marginalizados, rotulados, agredidos pela covardia de um Estado que devia assegurar-lhes o direito à vida e à segurança...

Até quando?

Até quando vamos seguir inertes, contabilizando nossos mortos, como se justamente não passassem de números?

Até quando?

Perdão, João Pedro, Ágatha, Jenifer, Kauan, Kauã, Kauê, Kethellen...

Perdão, porque, definitivamente, eles sabem o que fazem.

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