O baixo nível de água da Represa Jaguari mobilizou os vereadores da Comissão Socioeconômica da Câmara Municipal. Na terça-feira, 24, eles reuniram representantes da Sabesp, do Executivo e da sociedade civil organizada para refletir e debater o assunto.
“O objetivo é entender para poder propor ações e políticas públicas que evitem que o Sistema Cantareira, ao qual a Represa Jaguari pertence, entre, verdadeiramente, em crise”, justificou a presidente da comissão, vereadora Fabiana Alessandri.
O Sistema Cantareira é fonte de abastecimento de água para metade da grande São Paulo e regiões de Campinas, Jundiaí, Limeira e Piracicaba, o que corresponde a aproximadamente 14 milhões de pessoas. De acordo com quadro apresentado por especialistas e divulgado pela mídia, se até 2024 cinco novos reservatórios não forem construídos, o abastecimento de água nessas regiões entrará em colapso. A alegação é de que os recursos hídricos não darão conta da demanda, em consequência do crescimento demográfico e industrial previsto para os próximos 10 anos.
Acrescentado a isso, especificamente na Represa Jaguari, que abastece Bragança, maior parte da vegetação secou e existem canais onde já não existe mais água. O nível de armazenamento registrado foi o pior da última década.
Segundo o gerente divisional da Sabesp, José Carlos de Camargo, a causa de toda essa situação é a falta de chuva. Ele explicou que a seca foi gerada em razão da barreira de ar quente que se formou na região. O gerente não considera que o problema foi motivado por falta de investimentos da Sabesp. “É uma situação atípica, consequente de um fenômeno da natureza, que provocou o esvaziamento do Sistema Cantareira no nível crítico que se vê hoje”, reafirmou.
José Carlos assegurou que a Sabesp desenvolve ações afim de que a população não fique desabastecida e que foram criadas campanhas de conscientização para evitar o desperdício da água. Ele se posicionou contrário ao rodízio, alegando aumento do problema de contaminação na rede e disse que o indicado é a medida que está sendo utilizada pela Sabesp local há mais de 10 anos, ou seja, a redução da pressão da água durante a noite.
Fabiana Alessandri citou algumas legislações, já aprovadas no município, que visam a estimular o uso consciente e o reuso de água. “A cobrança agora é para que elas sejam colocadas em prática”, completou.
A vereadora agradeceu a participação das entidades no debate e disse que o tema continuará sendo discutido. “O diálogo continua aberto e nova reunião será agendada num prazo de 15 dias”.
Do encontro também participaram os vereadores Benedito Aparecido Carvalho e Rafael de Oliveira. O Executivo foi representado pela secretária de Governo, Cássia Regina Mendes Pimentel, e as entidades presentes foram Condema, Sala Verde, Associação Bragança Mais e Coletivo Socioambiental.
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