Bancários iniciam greve e movimento atinge todo o país

Conforme já havia sido anunciado, os bancários iniciaram, nessa terça-feira, 30, greve a fim de reivindicar reajuste de 12,5% nos salários, além de outros benefícios.

A mobilização, que já vem se tornando tradicional ano após ano, teve a adesão de 28 agências bancárias em Bragança Paulista e na região, nessa quarta-feira, 1º.

A greve foi deflagrada na segunda-feira, 29, quando assembleias foram realizadas em todo o país. Na oportunidade, foi apresentada a proposta da Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) que, dentre outros benefícios, inclui: reajuste de 7,35% (que representa 0,94% de aumento real); auxílio-refeição de R$ 24,88; auxílio-cesta alimentação e 13ª cesta de R$ 426,60; auxílio-creche/babá (filhos até 71 meses) de R$ 355,02; e auxílio-creche/babá (filhos até 83 meses) de R$ 303,70.

Os bancários rejeitaram a proposta da Fenaban, seguindo orientação do Comando Nacional, coordenado pela Contraf-CUT.

A categoria se ampara nos dados referentes aos lucros dos bancos para justificar a greve.  “Somente os seis maiores bancos (Banco do Brasil, Itaú, Bradesco, Caixa Econômica Federal, Santander e HSBC), que somados detêm mais de 85% dos ativos do sistema financeiro e empregam mais de 90% dos bancários, tiveram lucro líquido de R$ 56,7 bilhões em 2013 e mais R$ 28,5 bilhões no primeiro semestre deste ano”, diz a nota enviada pela assessoria de imprensa do Sindicato dos Bancários de Bragança Paulista e Região.

“Para conseguir esses lucros estratosféricos, os bancos estão fazendo demissões e usando a rotatividade para reduzir a média salarial da categoria e submetendo os bancários a uma crescente pressão por cumprimento de metas abusivas, que levam com frequência à prática do assédio moral”, destaca Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT e coordenador do Comando Nacional.

O Comando Nacional é formado pela Contraf-CUT, dez federações e 134 sindicatos de bancários de todo o país, que representam mais de 90% dos 511 mil trabalhadores de bancos públicos e privados.

De acordo com as informações da assessoria de imprensa do Sindicato dos Bancários de Bragança Paulista e Região, quase 100 sindicatos espalhados pelo país aprovaram a mobilização. Para esta quinta-feira, 2, está marcada uma manifestação da categoria em frente aos prédios do Banco Central, em defesa de um BC independente do mercado financeiro.

A greve foi deflagrada por tempo indeterminado. Em 2013, o movimento durou 22 dias e, em 2012, nove. Durante a greve, as agências não funcionam, apenas os terminais eletrônicos e os serviços disponíveis por meio dos sites. Vale ressaltar, porém, que as contas devem ser pagas nas datas pré-estabelecidas, sob pena de serem cobradas multas pelo atraso.

Confira abaixo as reivindicações dos bancários e a proposta feita pela Fenaban, que foi rejeitada em assembleias realizadas no dia 29.

 

GREVE DOS BANCÁRIOS 2014

PRINCIPAIS REIVINDICAÇÕES

PROPOSTA DA FENABAN (rejeitada em assembleia de 29/09)

Reajuste salarial de 12,5%.

Reajuste de 7,35% (0,94% de aumento real).

Piso Salarial de R$ 2.979,25

Piso portaria após 90 dias - 1.240,89 (8% ou 1,55% de aumento real).

PLR: três salários mais parcela adicional de R$ 6.247.

Piso escritório após 90 dias - R$ 1.779,97 (1,55% acima da inflação).

14º salário.

Piso caixa/tesouraria após 90 dias - R$ 2.403,60 (salário mais gratificação mais outras verbas de caixa), significando 1,39% de aumento real).

Vales alimentação, refeição, cesta-alimentação, 13ª cesta e auxílio-creche/babá: R$ 724,00 ao mês para cada (salário mínimo nacional).

PLR regra básica - 90% do salário mais R$ 1.818,51, limitado a R$ 9.755,42. Se o total ficar abaixo de 5% do lucro líquido, salta para 2,2 salários, com teto de R$ 21.461,91.

Gratificação de caixa: R$ 1.042,74.

PLR parcela adicional - 2,2% do lucro líquido dividido linearmente para todos, limitado a R$ 3.637,02.

Gratificação de função: 70% do salário do cargo efetivo.

Antecipação da PLR. Primeira parcela depositada até dez dias após assinatura da Convenção Coletiva e a segunda até 2 de março de 2015. Regra básica - 54% do salário mais fixo de R$ 1.091,11, limitado a R$ 5.853,25 e ao teto de 12,8% do lucro líquido - o que ocorrer primeiro.

Vale-cultura: R$ 112,50 para todos.

Parcela adicional - 2,2% do lucro líquido do primeiro semestre de 2014, limitado a R$ 1.818,51.

Fim das metas abusivas.

Auxílio-refeição - R$ 24,88.

Combate ao assédio moral.

Auxílio-cesta alimentação e 13ª cesta - R$ 426,60.

Isonomia de direitos para afastados por motivo de saúde.

Auxílio-creche/babá (filhos até 71 meses) - R$ 355,02.

Manutenção dos planos de saúde na aposentadoria.

Auxílio-creche/babá (filhos até 83 meses) - R$ 303,70.

Emprego: fim das demissões e da rotatividade, mais contratações, proibição às dispensas imotivadas como determina a Convenção 158 da OIT, aumento da inclusão bancária e combate às terceirizações.

Gratificação de compensador de cheques - R$ 137,97.

Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) para todos os bancários.

Requalificação profissional - R$ 1.214,00.

Auxílio-educação: pagamento para graduação e pós.

Auxílio-funeral - R$ 814,57.

Prevenção contra assaltos e sequestros: cumprimento da Lei 7.102/83 que exige plano de segurança em agências e PABs, garantindo pelo menos dois vigilantes durante todo o horário de funcionamento dos bancos; instalação de portas giratórias com detector de metais na entrada das áreas de autoatendimento das agências; biombos em frente aos caixas e fim da guarda das chaves de cofres e agências por bancários.

Indenização por morte ou incapacidade decorrente de assalto - R$ 121.468,95.

Igualdade de oportunidades para todos, pondo fim às discriminações nos salários e na ascensão profissional de mulheres, negros, gays, lésbicas, transexuais e pessoas com deficiência (PCDs).

Ajuda deslocamento noturno - R$ 85,03.

 

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