A produção da “melhor linguiça do Brasil”, embora expresse uma verdade incontestável e seja um ícone de Bragança Paulista, é apenas uma das muitas virtudes da indústria local, onde também se destacam os segmentos de confecção, metal, máquinas e equipamentos, artefatos de borracha e plástico e alimentação, dentre outros. O setor é relevante na economia da Região de Governo, cuja população é de aproximadamente 600 mil habitantes: representa 30% do valor adicionado e 30,27% dos empregos formais e é responsável pelo pagamento dos melhores salários, com média de R$ 2.924,20, segundo informações da Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados).
Portanto, neste Dia da Indústria, 25 de maio, os 12 municípios da jurisdição da Diretoria Regional do Ciesp de Bragança Paulista têm boas razões para celebrar a data, apesar do momento difícil e dos impactos da Covid-19. Suas fábricas confirmam a relevância da atividade, que é geradora intensiva de empregos, paga os melhores salários, desenvolve tecnologia e inovação e fabrica produtos e bens de alto valor agregado. Por isso, precisamos trabalhar muito para seu fomento.
A agenda de fortalecimento e resgate da competitividade da indústria é muito relevante para o país, pois as nações que conseguiram dobrar sua renda média num período de apenas 15 anos foram aquelas que elevaram a participação do setor a um patamar acima de 20% do PIB. Por isso, precisamos vencer as barreiras que continuam dificultando seu avanço, como o atraso do marco legal, insegurança jurídica, burocracia, impostos exagerados, baixa disponibilidade de crédito e todos os fatores referentes ao chamado “Custo Brasil”.
Não podemos mais perder tempo. Na década recém-terminada, de 2011 a 2020, o mundo cresceu 30% e o Brasil, apenas 3%. Por isso, teremos de realizar em plena crise da Covid-19 o que negligenciamos há muitos anos, a começar pelas reformas estruturais, principalmente a tributária e administrativa, e adoção de uma eficaz política industrial, para que o setor tracione o desenvolvimento nacional.
Os números são incontestáveis quanto ao significado da indústria: apesar de representar 11% do PIB, responde por mais da metade das exportações de bens, 69,2% do investimento empresarial em P&D, 33% da arrecadação de tributos federais, 25% do total nacional de impostos e 31,2% da arrecadação previdenciária patronal; emprega 20,4% dos trabalhadores brasileiros; e é a atividade que mais promove a difusão de tecnologia e produtividade, segundo dados do IBGE.
Porém, o setor enfrenta grave perda de competitividade. Estudo do Movimento Brasil Competitivo (MBC) revelou que produzir no Brasil custa anualmente R$ 1,5 trilhão a mais, cerca de 22% de nosso PIB, do que na média dos países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Precisamos reagir de imediato, inclusive mobilizando as empresas, por meio de nossas entidades de classe no estado de São Paulo – o Ciesp e a Fiesp –, para influenciar a modernização das leis que regem a economia e a adoção de uma política industrial eficaz e duradoura. Isso é decisivo para o Brasil crescer de modo sustentável, promover aumento e melhor distribuição da renda e alcançar um patamar mais elevado de desenvolvimento.
Também é fundamental capacitar os recursos humanos atuais e as futuras gerações para as mudanças em curso e o advento da inteligência artificial, internet das coisas, robotização, machine learning e digitalização da economia, cujo advento foi acelerado pela pandemia.
Nesse aspecto, a educação, ainda precária no Brasil, tem missão relevante, fator que demonstra o significado do Sesi-SP e do Senai-SP, vinculados à Fiesp, exemplos de excelência no ensino, que prestam serviços inestimáveis aos industriários, suas famílias e a toda a sociedade.
Os desafios são muitos. Porém, como se observa em Bragança Paulista e região, os industriais são resilientes, capazes de superar adversidades e têm demonstrado muita competência para manter suas empresas vivas e gerar empregos em cenários desfavoráveis. Por isso, apesar das dificuldades atuais e da grave crise relativa à pandemia, comemoramos este Dia da Indústria com esperança e a certeza de que o setor será protagonista de um novo e próspero Brasil.
* Rafael Cervone é vice-presidente da Fiesp/Ciesp (Federação e Centro das Indústrias do estado de São Paulo)

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