O caminho se nos apresenta através da doçura com que vivemos nossos dias nele, no tempo que nos permitimos usufruir cultivando a calma de uma boa conversa com alguém de quem nada esperamos se não a grandeza da companhia.
E há de se fazer uma reflexão profunda a respeito disso tudo.
Que me perdoem as rebuscadas filosofias e toda sua rasa complexidade, mas o eterno é mesmo tão encantadoramente simples, que chega a se esconder no ordinário. Esconde-se nas horinhas de descuido, como sabiamente diria Guimarães Rosa; entre um olhar e outro, ainda que de soslaio.
Esbarramos na vida, quando da sede insana de anulá-la em trabalhos hercúleos, que fatigam o corpo e nenhum descanso oferecem à alma. Anulamos a vida, priorizando apenas uma faceta dela, a mais irrisória, insuficiente, quase desnecessária.
O caminho nos convida a refazer os passos de volta à nossa essência primeira, a nos desfazermos dos pesos excessivos que a caminhada cômoda e aparentemente confortável por esse mundo exige e, descalços, destituídos de boa parte do nosso ego, refaçamos o trajeto, recalculando a rota em direção ao que somos, ao que ele é, ao que nunca, apesar de nossas ambições e pretensões absurdas, deixamos de ser nele.
Excelente guia que é, sendo ele mesmo quem nos redireciona os passos, e a quantos bons “atalhos” ele tem nos conduzido ao longo dessa jornada. Desvios de rota, carinhosamente articulados por um pai que é também perito em descaminhos.
A cada curva na estrada, uma nova surpresa; a paisagem se transforma, as certezas se vão e o que resta é o caminhar, cada vez mais audacioso e seguro, quando da companhia dele.
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