Na manhã de sexta-feira, 28, o bispo diocesano de Bragança Paulista, Dom Sérgio Aparecido Colombo, recebeu membros da imprensa para apresentar a Campanha da Fraternidade 2014, cujo tema é “Fraternidade e Tráfico Humano” e o lema: “É para a liberdade que Cristo nos libertou”.
O bispo explicou que o lançamento da campanha acontece na quaresma, pois este é um tempo favorável à conversão. Ele acrescentou que, no Brasil, os dois eventos são praticamente inseparáveis e compõem um itinerário de libertação pessoal, comunitária e social diante de uma situação concreta a exigir solidariedade e compromisso.
Sobre o tema abordado pela Igreja Católica neste ano, Dom Sérgio avaliou que não é possível tratá-lo de modo isolado. “É preciso perceber todo o seu alcance, a começar pelo tráfico que encerra o mundo do trabalho, com a promessa de melhores condições de vida e que muitas vezes se transforma em verdadeira escravidão”, disse o bispo, dando outros exemplos de situações em que as pessoas podem acabar se vendo presas, como a exploração sexual aliada à prostituição envolvendo as mulheres em maior número; a extração de órgãos; e o tráfico de crianças e adolescentes.
O bispo ainda mencionou “o fenômeno migratório que, como direito das pessoas e grupos humanos deve ser assegurado e que, lamentavelmente, foi e é oportunidade para a ação do tráfico humano, o que é um crime” e “a própria globalização que, não facilitando a distribuição das riquezas, é geradora de iniquidades, injustiças, ações criminosas, gerando uma massa de excluídos sem condições para entrar no mercado de trabalho”.
Dom Sérgio afirmou que o Brasil ainda não tem legislação sobre o tráfico humano, apenas é signatário da Convenção de Palermo, de 1999, que tipifica como crime o tráfico praticado para fins de exploração sexual. Por isso, o bispo defendeu que os políticos comecem a dar mais atenção ao assunto que ocasiona “vergonha para sociedades ditas civilizadas”.
“Ontem, como hoje, percebemos que o tráfico de seres humanos situa-se no interior de um sistema econômico iníquo onde impera a tirania do dinheiro e o capitalismo selvagem em que alguns enriquecem explorando e comercializando pessoas”, considerou Dom Sérgio, citando passagem bíblica sobre o assunto.
O bispo diocesano avaliou que as principais vítimas do tráfico humano são as pessoas mais pobres e, assim, contou que a Igreja propõe o amor como resposta, esperando poder colaborar com a prevenção, cuidado pastoral com as vítimas, proteção e reintegração na sociedade.
Dom Sérgio finalizou desejando que a quaresma e a Campanha da Fraternidade eduquem e sensibilizem os fiéis, mobilizando a Igreja e a sociedade como um todo para erradicar o mal com aparência de bem, acompanhado da promessa de sucesso fácil e oportunidade, como é o tráfico de seres humanos.
Mais informações sobre a campanha deste ano podem ser obtidas em: http://www.cnbb.org.br/campanhas-1/fraternidade.
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