Festa em comemoração à data e também aos 250 anos da cidade será realizada no próximo sábado, 28
A Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Bragança Paulista completa 31 anos. Neste mesmo ano, a cidade completa 250 anos de fundação. Por isso, a entidade organizou uma programação festiva, que inclui uma festa no Clube de Regatas Bandeirantes, no próximo sábado, 28.
A presidente da CDL, Aparecida Carvalho Tasca, e seu esposo, Marcos Tasca, vice-presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do estado de São Paulo, estiveram na redação do Jornal Em Dia, na sexta-feira, 20, e contaram um pouco da trajetória da entidade e também os preparativos para a comemoração.
A CDL de Bragança Paulista foi fundada em 1982, com a intenção de fortalecer o comércio. Trinta anos antes, com a inauguração da Rodovia Fernão Dias e a perda da Estrada de Ferro Bragantina, os comerciantes começaram a sofrer com a queda no movimento. Conforme contou Marcos Tasca, antes disso, muitos comerciantes vinham de fora para Bragança, a fim de despachar mercadorias ou fazer depósitos, e deixaram de fazer isso com esses dois marcos da história do município. “Bragança perdeu certa importância e o comércio sentiu muito. A indústria também estava muito fraca e a cidade empobreceu nesse tempo”, contou.
Já na década de 80, o município começa a se reerguer. Tasca apontou que havia a necessidade das pessoas se unirem, especialmente os segmentos produtivos, para melhorar as condições. “Essa foi a ideia principal de montar a CDL, apesar de já existirem outras associações, elas também estavam na mesma situação do comércio, bem debilitadas”, observa.
Primeiramente, foi criado o Clube dos Dirigentes Lojistas, que depois se transformou em Câmara, por questão de confederação. De acordo com Marcos Tasca, nesse início, foi importante a atuação política da entidade quanto à Feira do Lavapés.
A feira contava com mais de 200 barracas legalizadas, mas cerca de mais de 500 marreteiros. As mercadorias, além de ter baixa qualidade, tinham preços imbatíveis, segundo Tasca, porque muitas tinham procedência ilícita, eram produto de contrabando, furto ou desviadas de empresas. “Um dia por semana, você tinha uma feira de mais de dois quilômetros de comprimento, que atrapalhava o trânsito e atrapalhava demais o comércio, porque o pessoal que vinha de fora e consumia acabava não consumindo mais. A feira persiste até hoje, mas agora não atrapalha mais porque ela é competitiva”, detalhou, ressaltando que foi muito positiva a atuação da CDL, na época, no sentido de mobilizar a sociedade para que ela entendesse que era importante consumir, mas nos padrões legais.
Num segundo momento, vieram as ações sociais. A CDL entregava cestas básicas à pessoas carentes, brinquedos às crianças e promovia sorteio de prêmios. Muitos carros foram sorteados e até uma casa.
A primeira Gincana da Amizade também foi organizada pela entidade. Ela mobilizava quatro ou cinco mil pessoas na cidade e durou por sete anos.
Além disso, por iniciativa da CDL, foram feitas várias feiras de saldos na cidade, com a intenção de que o comerciante levasse para o saldão o estoque que estava parado. “Com a diminuição desses estoques, a feira começou a tomar outra proporção, os comerciantes começaram a levar mercadorias que estavam na própria loja, ou seja, era simplesmente outro ponto de venda, perdeu-se essa característica, então, a CDL parou de fazer o saldo de oportunidades. Ainda existem feiras, mas de iniciativa particular, não mais pela entidade”, esclareceu Marcos.
No início de 2000, diretores da CDL estiveram em uma feira e viram como era feita a decoração de Natal em Gramado. As informações foram passadas para a administração da época, que começou a copiar e incrementar. “Isso também foi uma ideia nossa e o comércio sempre colaborou com recursos para que as coisas acontecessem”, disse, levando em consideração que o investimento na decoração natalina gera recursos para o próprio comércio.
A CDL participa, ainda, de muitos conselhos municipais, como o da Saúde, Alimentação Escolar, Energia Elétrica e Desenvolvimento Econômico, e teve presença na elaboração do Plano Diretor e Código de Urbanismo da cidade. “A gente tem participação ativa nesses conselhos e dá nossa opinião”, destacou Marcos, acrescentando que a CDL também lutou na questão da “Lei Cidade Limpa”, tentando conseguir mais prazo para os comerciantes promoverem mudanças em suas fachadas e conquistando isenção de IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) para aqueles que regularizaram seus estabelecimentos. “Essas ações políticas têm sido feitas ao longo desses anos todos, alguns momentos de forma mais ativa, outros menos, mas sempre presente”, considerou.
Nos últimos três anos, apontou Marcos Tasca, a CDL teve atuação na solicitação de isenção de IPTU e taxa de funcionamento para os comerciantes atingidos por enchentes a fim de minimizar os prejuízos. “A Prefeitura, de certa forma, por meio da nossa ação, ajudou a minimizar os prejuízos das enchentes. A gente sempre está presente, nem sempre na mídia, mas sempre fazendo nosso trabalho”.
SHOPPINGS X COMÉRCIO
O vice-presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do estado de São Paulo também comentou que a venda de comércio eletrônico prejudica o comércio formal e que a função da entidade é encontrar soluções para compensar essas questões.
A vinda de shoppings centers a Bragança pautou a conversa em determinado momento. Na visão de Marcos, os dois shoppings que se anunciam para a cidade, o Madre Paulina e o Garden, terão públicos diferenciados. O primeiro deve priorizar o consumidor bragantino, já que está há poucos metros do centro comercial. Já o segundo, que está na Fernão Dias, tende a trabalhar com consumidores que venham de fora.
Questionado se isso pode atrapalhar o comércio local, Marcos acredita que é necessário passar por essa experiência. “É uma tendência, nós estamos atrasados. O problema é que não estamos acostumados a lidar com isso, mas se você pegar qualquer cidade do porte nosso, no Brasil, ou principalmente no estado de São Paulo, a grande maioria já teve essa experiência. Algumas deram certo, outras acabaram fechando, mas tudo é experiência. Aqui nunca houve experiência, então, a gente não sabe se dá certo ou dá errado. O que a gente está se propondo a fazer é uma conscientização das pessoas para que elas entendam como funciona. Vamos fazer reuniões e chamar pessoas qualificadas para explicar qual impacto que isso pode causar”, observou.
Marcos ainda analisou que o Madre Paulina é um shopping de centro da cidade, com mais de 100 lojas, mais de 100 escritórios e hotel, que deve contar com cartório e outras instituições, como lotéricas, agência bancária, o que pode acabar atraindo o consumidor para lá independente de ele fazer consumo. O fato de ele se propor a disponibilizar 500 vagas de estacionamento num primeiro momento e mais 800 num segundo pode contribuir muito para que os comerciantes locais migrem para lá ou tenham ali um segundo ponto de vendas, opinou Tasca.
Bragança Paulista é polo de mais de 700 mil habitantes, por isso, os diretores da CDL acreditam que os dois shoppings podem ter resultados positivos e destacam que o comércio formal não acabou em lugar algum, pode ter mudado suas características, mas não acabou.
REPRESENTAÇÃO
A CDL representa atualmente cerca de 500 associados ativos de Bragança Paulista, além de outros instalados em outras cidades, como Pinhalzinho, Socorro, Toledo e Extrema.
A entidade possui um banco de dados para consulta, mas muitos associados não o usam, mas contribuem nas ações mencionadas.
De acordo com Tasca, há cerca de 1.500 empresas formais no município bragantino, sem contar os microempreendedores individuais. As mais representativas somam mil. “Assim, temos cerca de 50% do comércio ativo, é uma boa representatividade”, considerou.
COMEMORAÇÕES
O aniversário de 30 anos da CDL, que ocorreu no ano passado, deixou de ser comemorado em razão de haver eleições. Os diretores da entidade não queriam movimentação política atrelada à festa. Assim, optaram por comemorar os 31 anos e prestar a homenagem aos 250 anos da cidade.
A comemoração vai contar com homenagem a alguns segmentos do comércio, que não foram colocados aleatoriamente, nem por sorteio, nem por pagamento, foram convidados por alguma história.
Haverá, por exemplo, representantes de comércio de bairro, para demonstrar que não é só o Centro que tem comércio, do comércio varejista, proprietários que se mobilizam para ajudar os outros, empresa de muitos anos de existência, como a Padaria Cardoso, de 135 anos, e profissionais liberais.
De acordo com Marcos, a CDL aceita em seu quadro profissionais liberais que tenham uma ordem ou conselho ao qual são associados, como advogados, médicos, engenheiros. A homenagem a eles será feita por meio de um profissional liberal. O motivo, segundo Tasca, é que pesquisando a história de Bragança, constatou-se que grande parte dos comerciantes bragantinos incentivaram seus filhos a seguirem profissões liberais. Depois de formados, esses profissionais se estabeleceram na cidade e seus clientes acabam comprando no comércio local. “Acabam sendo consumidores em potencial por causa do profissional liberal. Então, a relação do profissional liberal, prestador de serviço, com o comércio de Bragança é muito grande, tínhamos que fazer uma homenagem a eles”, justificou.
Assim, cada um dos homenageados foi escolhido por um motivo especial.
Além disso, haverá homenagem aos ex-presidentes da CDL e o lançamento de um livro-álbum, intitulado Bragança – 250 anos. Na primeira parte, foi feito um apanhado histórico da cidade, desde antes da fundação até 1982. E também, na segunda parte, um breve relato dos acontecimentos bragantinos após a existência da CDL. “Não é um livro profundo historicamente, mas com dados precisos”, disse Marcos, considerando que Bragança tem dificuldade grande de registro e de documentos.
Os exemplares não serão comercializados, serão distribuídos para os associados, órgãos públicos e para demais interessados.
A festa de comemoração dos 31 anos da CDL será realizada no Clube de Regatas Bandeirantes, a partir das 19h30. A presidente Cidinha Tasca contou que a recepção será feita com coquetel. Após as homenagens da noite, haverá o esperado show com Moacir Franco e, após, um jantar. Um baile com DJ encerra a noite.
“Vai ser grandiosa a festa, vai ser brilhante. É importante essa confraternização. A nossa diretoria hoje é composta por dez mulheres, estamos com esperança de fazer um trabalho bacana, sempre participamos de várias campanhas sociais, como a do cobertor, do brinquedo, Papai Noel, queremos continuar essa parceria”, afirmou.
De acordo com Cidinha, ainda restam algumas mesas. Os interessados podem procurar informações por meio dos números 4032-2882 e 4032-3013 ou na sede da CDL, na Avenida Dr. José Adriano Marrey Júnior, 129.
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