Cidade Poesia dos poetas falecidos

Uma nuvem negra de densa escuridão paira sobre os ares anêmicos de Bragança. As poucas chuvas que caem parecem de lágrimas dos antepassados; o desabafar das dores de um além; o reflexo empírico de uma sincera decepção celestial.

As poesias que dantes rimaram já não rimam! As águas do Taboão seguem a clamar: Acordem! Façam alguma coisa! Logo ao lado, os jovens se alegram em alvoroços, desnorteando-se nas baladas de uma noite. Não! Parece que nada está acontecendo! Ninguém viu! Ninguém está vendo.

Hoje a estrela vermelha brilha em nosso céu enegrecido. E brilha, e brilha, e brilha! Seu José tem uma filha que não ganhou tablets na escola. Propostas estranhas; a verdade caminha nua! Eis que quebrou as pernas nos buracos pela rua.

Um dia fomos “Cidade Poesia”, mas o poema esfarelou-se e hoje transformou-se em cinzas espalhadas pelos corredores do Santo Agostinho. Mas os versos perdidos ninguém deseja ler! É desânimo, é preguiça! E no Rosário o povo canta: Somos Terra da Linguiça!

Para onde foram as alegrias do povo que vibrou ao ver as vermelhas estrelas brilharem em glórias no céu bragantino? Para onde foram elas? Por que não mais sorriem? Por que aquela tão calorosa esperança que sorriu em um efeito solar aos berços do passado ano hoje é apenas o silêncio de uma decepção, a agonia de uma incerteza?

Mas acalmemo-nos! Vamos à Câmara zelar pela nossa cidade! Não! É verdade! Quem trabalha não pode ir. É horário combinado! É para ninguém ver!

Na Cidade Poesia... Ninguém quer escrever.

Você pode compartilhar essa notícia!

0 Comentários

Deixe um comentário


CAPTCHA Image
Reload Image