CIDADES REAIS

Em tempos de internet e redes sociais digitais, nos distanciamos a cada dia da vida real. Uma falácia? Poderia ser um exagero afirmar que vivemos em um mundo cada vez mais digital, onde as sensações nos são proporcionadas pela tecnologia 3D e não mais pelo contato físico, mas não o é, infelizmente.

Estamos em estado de alerta. Apesar de estar mais fácil, graças à tecnologia, fazermos denúncias dos maus-tratos praticados contra uma cidade, cada vez menos se dá importância à preservação e construção de locais físicos adequados à convivência dos seres humanos, uns com os outros e com o ambiente no qual está inserido.

Somos reais e, para que possamos continuar vivos, precisamos de um mundo real capaz de suprir as nossas necessidades humanas. Precisamos viver em uma cidade que cumpra essa função, a de nos oferecer a oportunidade de viver com dignidade.

Observamos que as medidas administrativas levadas a cabo para proporcionar o crescimento dos municípios brasileiros vem ao encontro do imediatismo que encontramos no mundo virtual.  A velocidade com que um problema parece ser resolvido importa mais que o resultado propriamente dito.

Congestionamentos são resolvidos com a construção de pontes, túneis ou rodoanéis, até que o número de veículos não se eleve ao pouco de saturá-los.

Urge que os problemas enfrentados pelas cidades sejam resolvidos de forma eficiente e duradoura, para que seja possível a convivência das pessoas neste mundo que nos oferece os “alimentos” que precisamos consumir para continuarmos vivos.

As cidades de hoje se assemelham a bombas-relógios, prestes a explodir diante da falta de planejamento adequado para o seu desenvolvimento. Desenvolvimento este que não se resume ao aumento do PIB, mas que muito mais do que elevar a quantidade de riquezas circulando, deve estar atrelada à qualidade de vida dos habitantes da urbe.

Precisamos de cidades que possam ser acessadas e fisicamente ocupadas pelas pessoas, de forma que consigam suprir as suas mais diferentes necessidades. Precisamos de municípios planejados para os cidadãos que neles residem. Precisamos de cidades para pessoas.

O Plano Municipal de Mobilidade Urbana é um instrumento que dará aos administradores a oportunidade de construir esta cidade real. Ele terá o condão, inclusive, de alterar o Plano Diretor Municipal, para que todos os setores da cidade se desenvolvam com o mesmo objetivo precípuo, o de contribuir para a existência de uma cidade real e sustentável.

Ele deve ser elaborado e enviado ao Ministério das Cidades até 2015, para que o município seja agraciado com verbas federais e estaduais destinadas à sua concretização.

Com o fim de que não seja mais um captador de recursos, tão somente, é muito importante a participação popular nesse processo de elaboração. Audiências públicas e debates sobre o tema serão promovidas pela Administração e, representantes da sociedade civil, participem.

Urge que pensemos a cidade real na qual gostaríamos de estar!

 

Gabriela Montagnana, Presidente da Comissão de Meio Ambiente - OAB

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