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Comércio se organiza para retornar às atividades nesta segunda-feira

A reportagem ouviu comerciantes para saber quais a expectativas para a retomada gradual da economia, liberada pelo governador João Doria nesta semana

 

Nesta segunda-feira, 1º, proprietários e funcionários do comércio retornarão suas atividades em um cenário muito diferente do período pré-pandemia. A economia vem sentindo os impactos causados pelo isolamento social e as restrições ao comércio considerado não essencial fizeram com que Bragança Paulista fechasse 1.142 vagas de emprego em abril.

A retomada gradual foi liberada na quarta-feira, 27, pelo governador João Doria, com a divulgação do Plano São Paulo, que vai considerar índices de ocupação hospitalar e de evolução de casos em 17 regiões do estado para definir cinco níveis restritivos de retomada produtiva segundo critérios médicos e epidemiológicos a fim de que o sistema de saúde continue em pleno funcionamento.

As cinco fases do programa são: nível máximo de restrição de atividades não essenciais (vermelho); controle (laranja); flexibilização (amarelo); abertura parcial (verde); normal controlada (azul).

Em Bragança Paulista, no último dia 20, o prefeito Jesus Chedid publicou o Decreto Municipal nº 3.281, regularizando a primeira etapa da retomada do comércio no período de 1º a 21 de junho. O Comitê de Crise para Supervisão e Monitoramento dos Impactos da Covid-19 não fez adequações ao Plano São Paulo por entender que ambos os documentos estão em consonância.

A secretária de Saúde Marina de Oliveira disse que foram analisados os indicadores do Plano São Paulo e que o município está na faixa amarela. “Avaliaram a ocupação de leitos, na qual a cidade se encontra na zona quatro de abertura parcial, abaixo de 60%, uma vez que a taxa de ocupação de Bragança é 23,8. Na taxa de ocupação de leitos de UTI para cada 100 mil habitantes, a cidade também está na zona quatro com taxa de 12,6 (o indicador aceitável é 10). No critério Evolução da Pandemia, o indicador de Novos Casos coloca o município na zona quatro, abaixo de 1, a faixa de Bragança é 0,7. No indicador de Novas Internações, a cidade está na zona vermelha, pois está em 1,6 e o critério é 1,5.”

O empresário Celso Nogueira, proprietário da lanchonete Celso Burguer disse que, como norma padrão de higiene, seus funcionários sempre utilizaram luvas e máscaras e as mesas são limpas com álcool após uso, no entanto, vai adequar o espaço do estabelecimento para atender 40% da capacidade.

Ele concorda que o comércio deve ser aberto quando as autoridades em saúde pública derem o “sinal verde”. “Se o comércio abrir e depois tiver que fechar novamente, será uma derrota muito grande para todos, pois muitos estão no prejuízo e podem não aguentar mais uma restrição”, analisou.

Para Celso, a população vem aderindo bem às normas de isolamento social, mas ele lamentou que as dificuldades financeiras de muitas famílias tenham feito com que muitos saíssem de casa em busca do ganha-pão.

O advogado João Batista Muñoz, responsável pela Advocacia João Muñoz, disse que o escritório tem sete salas, nas quais cada um dos funcionários vai atender duas pessoas por dia em horários previamente agendados, respeitando as normas de higiene e distanciamento. “As pessoas tomaram consciência das condições de higiene para se precaver. Todas as restrições são válidas, mas ao meu ver, deveria haver mais zelo em relação aos idosos e grupos de risco”, defendeu.

Os impactos da pandemia também preocuparam o advogado em relação ao comércio informal e de trabalhadores que dependem exclusivamente do atendimento pessoal. “Essas pessoas ficaram com o faturamento comprometido e observo muitos imóveis para alugar fechados, entendo que a retomada da economia será gradual e demorada. Espero que o governo consiga dar suporte e financiamento para as micro e pequenas empresas”, observou.

Ele espera que a retomada da atividade do comércio não faça com que as pessoas se esqueçam que ainda há riscos de contrair o coronavírus. “Não é o momento de promover festas e confraternizações, espero que os casos não aumentem, pois podemos voltar à estaca zero. Que logo encontrem uma vacina”, desejou.

Paulo Rocha, gerente das lojas Nogalves, esclareceu que a diretoria segue as orientações e recomendações dos órgãos competentes para prevenção e redução de propagação da Covid-19. “Nós limitamos a quantidade de clientes nas lojas, disponibilizamos álcool em gel, intensificamos a higienização das cestas, fornecemos máscaras aos colaboradores, demarcamos os espaços para evitar proximidade entre os clientes e só permitimos a entrada de pessoas com máscara”, pontuou.

O gerente disse que está confiante e esperançoso para a retomada da economia, mas sabe da cautela em relação às normas de segurança. “Cada cidadão deve ter consciência e responsabilidade, evitar levar crianças nas lojas, grupos de risco e se atentar ao uso correto de máscaras e distanciamento”, ressaltou.

Para Paulo, as fakenews estão atrapalhando o entendimento de muitas pessoas sobre a real situação da pandemia. “Vemos que, infelizmente, a população está descrente de muita coisa, fica difícil saber o que é verdade e o que é mentira. Diante disso, vemos muita gente aceitando as orientações e vemos também muita gente descrente do risco e gravidade desse cenário”, opinou.

Ao final, deixou uma mensagem de otimismo às pessoas, almejando dias melhores. “É hora de cuidarmos uns dos outros, esperamos que, aos poucos, todos nós possamos retomar a vida de forma mais leve. Acreditamos que, na dificuldade, estamos encontrando novos caminhos para superar esse momento, e encaramos cada dia como um novo desafio que temos e que vamos superar”, concluiu.

 

DESEMPREGO

Segundo informações divulgadas na quarta-feira, 27, pelo Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o município teve queda significativa na oferta de vagas de emprego formais.

A pandemia do coronavírus pode explicar o saldo negativo, pois em janeiro de 2019, a cidade fechou 78 vagas de emprego e, em janeiro de 2020, o saldo de empregos foi positivo, com 167 contratações.

Em fevereiro do ano passado, o setor de serviços fez 277 contratações, e a indústria demitiu 143 pessoas, gerando saldo 194 vagas. Neste ano, foram 95 vagas abertas, e, apesar de menor número de contratações, o cenário ainda era favorável.

Os números apontam que o desemprego aumentou desde março, mês em que teve início o isolamento social em todo o estado de São Paulo. Foram -326 vagas neste ano contra -168 vagas no ano passado. Em 2019, o saldo negativo foi puxado pela indústria, que demitiu 396 pessoas e contratou 260.

No mês de abril, os números foram alarmantes, com a maior variação do ano, de -2,52% no saldo de vagas. O mercado formal demitiu 1.142 pessoas. No ano anterior, o saldo era positivo, com 203 empregados, número alavancado pelo setor da construção civil (+48), e serviços (+127) vagas.

Vale ressaltar que o governo federal não divulgou dados minuciosos por setor referentes a 2020.

 

O PLANO SÃO PAULO

As normas do estado autorizam prefeitos de cidades a conduzir e fiscalizar a flexibilização de setores segundo as características dos cenários locais. Os pré-requisitos para a retomada são adesão aos protocolos estaduais de testagem e apresentação de fundamentação científica para liberação das atividades autorizadas no Plano São Paulo.

A escala de cores será aplicada a 17 regiões distintas do território paulista, de acordo com a abrangência dos DRSs (Departamentos Regionais de Saúde), que são subordinados à Secretaria de Estado da Saúde. São os DRSs que determinam a capacidade de atendimento, transferências de pacientes e remanejamento de vagas de enfermaria e UTIs (Unidades de Terapia Intensiva) nos municípios.

As fases são determinadas pelo acompanhamento semanal da média da taxa de ocupação de leitos de UTI exclusivas para pacientes contaminados pelo coronavírus e o número de novas internações no mesmo período. Uma região só poderá passar a uma reclassificação de etapa – com restrição menor ou maior – após 14 dias do faseamento inicial, mantendo os indicadores de saúde estáveis.

Em todos os 645 municípios, a indústria e a construção civil seguem funcionando normalmente. A interdição total de espaços públicos, teatros, cinemas e eventos que geram aglomerações – festas, shows, campeonatos e afins – permanece por tempo indeterminado. A retomada de aulas presenciais no setor de educação e o retorno da capacidade total das frotas de transportes seguem sem previsão.

Nenhuma das 17 regiões está na zona azul, que prevê a liberação de todas as atividades econômicas. A zona verde, segunda mais ampla na escala, também não foi alcançada até o momento e permanece como meta de curto prazo para cada região. Nas demais fases, haverá flexibilização parcial em diferentes escalas de capacidade e horário de atendimento. A etapa laranja, que abrange a capital e outras dez regiões no interior e litoral norte, prevê retomada com restrições a comércio de rua, shoppings, escritórios, concessionárias e atividades imobiliárias. Os demais serviços não essenciais continuam fechados.

Na fase amarela, haverá reabertura total de serviços imobiliários, escritórios e concessionárias segundo protocolos sanitários. Comércio de rua, shoppings e salões de beleza, além de bares, restaurantes e similares, poderão funcionar com restrições de horário e fluxo de clientes.

As regiões que chegarem à fase verde poderão atenuar as restrições ao funcionamento de todos os setores da fase amarela. Academias de ginástica e centros de prática esportiva também voltarão a receber frequentadores, desde que respeitados os limites de redução de atendimento e as regras sanitárias definidas para o setor.

 

RETOMADA DO COMÉRCIO LOCAL

O plano de retomada das atividades no município foi elaborado pelo Comitê de Crise para Supervisão e Monitoramento dos Impactos da Covid-19 e publicado na Imprensa Oficial por meio do Decreto Municipal nº 3.281.

O plano prevê que, na primeira etapa, será permitida a reabertura de alguns tipos de estabelecimentos considerados não essenciais no início da pandemia, mas, que por força da subsistência econômica, se tornaram necessários: lojas de tecidos e aviamento e papelaria; lojas de departamentos; floricultura, paisagismo e jardinagem; óticas, relojoarias e joalherias; lojas de informática e eletrônicos; lojas de confecção e calçados e demais setores. O comércio será dividido em zona vermelha e zona verde.

A zona vermelha compreende as vias: Rua Cel. Teófilo Leme, entre os números 739 a 1.704; Rua Cel. João Leme, entre os números 180 a 1.131; Rua Dr. Cândido Rodrigues, entre os números 25 a 262; Rua Cel. Osório, entre os números 13 a 84; Rua Cel. Leme, entre os números 40 a 101; Travessa Itália, entre os números 40 a 184; Avenida Antônio Pires Pimentel, entre os números 34 a 957; Avenida José Gomes da Rocha, entre os números 1.363 a 2.100; Rua Dr. Tosta, entre os números 325 a 520; Rua Expedicionário Basílio Zecchin Júnior, entre os números 17 a 201; Rua Professor Luiz Nardi, entre os números 19 a 182; Rua São Pedro, entre os números 14 a 96; Rua São Paulo, entre os números 12 a 93; Rua Clemente Ferreira, entre os números 298 a 577; Avenida Dr. José Adriano Marrey Júnior, entre os números 21 a 55; Rua Dona Carolina, em toda extensão; Praça Raul Leme, em toda extensão; Praça José Bonifácio, em toda extensão; Praça Luiz Apezatto, em toda extensão; Praça Princesa Isabel, em toda extensão; Rua Nicolino Nacaratti (partindo da Rua Cândido Rodrigues até a Avenida Antônio Pires Pimentel); Rua João Franco, entre os números 637 a 1.625.

A zona verde envolve áreas de atividades de comércios de baixa densidade de pessoas e veículos, sem aglomerações em razão de suas distâncias entre um e outro estabelecimento. Os dias de restrição serão de segunda a sexta-feira.

Devem funcionar, às segundas, quartas e sextas-feiras: lojas de floriculturas, paisagismo e jardinagem; lojas de informática e eletrônicos e demais setores.

Já às terças, quintas-feiras e aos sábados, abrem: lojas de tecidos e aviamentos e papelaria; lojas de departamento e imobiliária; óticas, relojoarias, joalherias e eletrônicos e lojas de confecção e calçados.

Os comerciantes deverão seguir normas do protocolo geral de higiene e normas de distanciamento e uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), além de obedecer às especificações impostas para cada tipo de segmento, como restaurantes, escritórios, salões de beleza, academias e clubes.

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