As ações sociais são realizadas por Célia Lima, de 62 anos, e desde 2002, já ajudaram milhares de famílias
O Projeto Formiguinhas Bragança Paulista é uma iniciativa independente e voluntária que surgiu em 2002. Sem fins lucrativos, a iniciativa é realizada por Célia Lima, de 62 anos e, desde a sua fundação, já ajudou milhares de famílias.
Célia começou o projeto em sua casa, no Bairro do Toró, e ele se intensificou mais recentemente com a pandemia. A “Formiguinha”, como é conhecida, contou ao Jornal Em Dia que seu trabalho consiste em diversas ações, que vão da doação de cestas básicas, alimentos, produtos de limpeza e higiene, roupas, móveis e materiais escolares – de acordo com a necessidade das pessoas que a procuram – até eventos em datas comemorativas.

O nome do projeto, ela entrega, foi uma sugestão de seus filhos, porque “várias formiguinhas formam um formigueiro”. Acreditando nisso, ela se associa a outros projetos, como o Essencial Moto Clube e o Varal Solidário, que também realizam diversas ações em prol da população menos favorecida. “A gente tem que se unir, não adianta eu ter o meu projeto. Não é meu projeto, é um projeto para ajudar as pessoas necessitadas e eles têm a mesma visão. Então, por que não nos unirmos?”, questiona.
Com a população de rua, por exemplo, Célia realiza uma ação que chama de Esquadrão da Moda. “A cada 15 dias, eu monto kits de roupas e calçados para os moradores de rua e separo tudo por tamanho. Levo os kits para ‘as Marias Bonitas e os Donzelos’ na Praça da Bíblia, coloco lá e eles pegam a sacola que tem o tamanho deles”, explica.
As cestas básicas, que são entregues inclusive em outras cidades, Célia monta de acordo com o tamanho da família, faixa etária e suas necessidades, para incluir itens como fraldas e brinquedos, por exemplo. Para saber o perfil de cada uma, Célia faz visitas às famílias que a pedem auxílio, e os itens que ela doa provêm de contribuições. “No Convém Supermercado, tem uma caixa em que as pessoas podem depositar sua doação – roupas, alimentos, calçados, brinquedos – e quando ela está cheia, o gerente me liga e eu peço para alguém retirar”, fala, ressaltando que realiza todas as ações usando a sua bicicleta.
Os eventos sempre foram sua marca registrada: no Torozinho, sempre fez festas para as crianças carentes. “Antes da pandemia, eu fazia as festinhas, em que eu levava lanche, doce e refrigerante; mesinhas, giz, livros. E sempre uma palavra que represente aquela comemoração para eles guardarem no coração, seja Dia das Crianças, Natal ou Páscoa”, ressalta.
No Natal passado, Célia se vestiu de Mamãe Noel para entregar brinquedos e, agora na Páscoa, pretende arrecadar doações de barras de chocolate, de qualquer marca, para fazer cerca de 350 ovos que serão destinados a crianças carentes. “Sei que, para as famílias, este ano vai ser difícil comprar um ovo de Páscoa para os filhos”, diz, acrescentando também que já está aceitando doações de roupas de inverno e agasalhos para serem distribuídos durante o frio.

Funcionária pública, Célia sempre teve afinidade com o voluntariado. Antes do projeto, ela trabalhou como servente no Ecoa (Espaço Comunitário de Aprendizagem) e lá conta que sempre se interessou pelo contato com as crianças, com as quais fazia diversas atividades lúdicas, como teatro e leitura. Depois, trabalhou no Mercado Municipal, no Centro, onde até hoje, existe a biblioteca “Livro Livre”, em frente ao sanitário feminino. A iniciativa foi criada por ela, para incentivar o hábito da leitura.
Com a pandemia, Célia foi afastada do trabalho e quando iria retornar, decidiu que se dedicaria exclusivamente ao Projeto Formiguinhas. “O projeto estava no pico, ajudando mais de mil famílias. Perguntei a Deus o que eu faria: ficava trabalhando, porque eu poderia trabalhar até os 75 anos, ou ficava com o projeto?”, relembra.
A vontade de se dedicar ao próximo foi maior e Célia abriu mão do trabalho e, conse-quentemente, de um salário, e hoje vive com a sua aposentadoria. “É uma coisa que está fazendo bem para mim, acho que é uma missão que vim cumprir aqui na Terra. Graças a Deus esse salário não está me fazendo falta, Deus está me abençoando tanto em poder estar ajudando as pessoas, e eu faço de coração”, garante.
Por suas ações voluntárias, Célia conta que já recebeu a medalha Zilda Arns, na Câmara Municipal de Bragança Paulista, e outras condecorações. Ela também já deu palestras para falar sobre o projeto, mas não é isso que busca. “O que eu quero é ficar bem, e que o dia que eu partir daqui, eu saiba que fiz alguma coisa boa nesse mundo que está cada vez mais feio. Então, eu tento jogar sementinhas, nem todas vão germinar, mas tenho certeza que algumas vão e essa parte boa vai continuar”, encerra.
Para conhecer mais sobre o projeto, acesse as páginas: facebook.com/people/Formiguinhas-Brag-Pta/100017431968978 e instagram.com/formiguinhasbraganca ou entre em contato com Célia pelo WhatsApp: (11) 9 7387-0947.
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