A coluna de hoje homenageia três mulheres bragantinas que nos deixaram nesta semana; foram para o plano espiritual deixando um legado de cultura e exemplo para os seus e para toda uma comunidade.
Duas delas eram primas irmãs da minha mãe, Adair. A mais nova das três era uma mulher que se destacou na educação e no exercício da cidadania bragantina.
E por que lembrar e reverenciá-las? Foram exemplos que tive a oportunidade de conhecer e tentar seguir. Primeiro, a estimada Vanda Del Roio, minha vizinha por muitos anos aqui da praça, uma cozinheira espetacular, tricotava sapatinhos de tricô para bebês e para crianças e adultos; chegou a fazer para minha filha quando ela já tinha uns 10 anos de idade. A outra prima é Marlene de Oliveira Guerrato, uma mulher que, em todas as oportunidades que visitava nossa casa, sempre tinha uma receita diferente para passar – todas deliciosas – com a habilidade de escrevê-las direto no livro de receitas culinárias ou de receitas de tricô, sem precisar de “cola”, sabia de cor (de coração).
Deu para perceber que as habilidades de cozinhar e tricotar está no sangue, são hobbies das gerações desde sempre; minha mãe e eu também exercitamos essas habilidades. Marlene nos passou muitas receitas doces, salgadas e até como fazer um gorro-cachecol que aprendeu no Sul, quando lá foi morar por um tempo. Vanda também! Há algumas edições anteriores, coloquei aqui a berinjela da Vanda... Pesquisem.
E a professora Dirce Guimarães, exemplo de mulher de vanguarda. Não sei se tinha também habilidades na cozinha, mas nas letras e nos posicionamentos sensatos e esclarecedores, era a melhor. Ficou bastante conhecida como delegada de ensino das escolas estaduais e por sua coluna semanal no extinto Bragança Jornal Diário, “Conversa Necessária”. Também morava aqui pela redondeza e vê-la sempre caminhando calmamente, nos dias ensolarados em especial com um charmoso chapéu completando seu visual, era a certeza de que, com cada um que parava e conversava, alguma semente de cidadania ela colocava.
Enfim, foi uma semana triste para nós simples mortais, especialmente aos familiares, a quem envio minhas orações e sentimentos pesarosos.
Deixo ao final uma mensagem que certa vez, há quase 50 anos, Marlene me passou ao me dar a receita da cuca gaúcha, que pedi a ela após retornar de uma excursão com alunos do Externato Pio XII ao Sul, ainda solteira, e que trago a vocês, leitores: “você vai comer o bolo com a mesma receita, mas o sabor nunca será igual, pois os momentos que passou na viagem deram àquela cuca um sabor diferente, único”. E assim é a vida, com início, meio e fim. Aproveite os momentos.

CUCA GAÚCHA
Comece pela farofa:
3 colheres (sopa) de açúcar
5 colheres (sopa) de farinha de trigo
2 colheres (sopa) de margarina ou manteiga gelada
1 colher (sobremesa) de canela em pó
1 pitada de sal
Junte delicadamente com colher os ingredientes – se necessário, use os dedos. Não é para virar um creme nem uma pasta; a manteiga ou margarina não deve derreter demais senão não forma a farofa.
Reserve em local frio.
Numa tigela, prepare o bolo:
4 gemas (claras em neve reservadas)
2 xícaras (chá) de açúcar
3 colheres (sopa) de manteiga ou margarina mole
Bata bem até esbranquiçar. Peneire juntos os secos e junte na tigela misturando bem:
2 xícaras (chá) de farinha de trigo
1 xícara (chá) rasa de amido de milho (maisena)
1 colher (sopa) de fermento em pó
Coloque:
¾ de xícara (chá) de leite
1 cálice de conhaque (pode substituir por leite, se preferir)
Junte delicadamente as claras em neve batidas com uma pitada de sal até agregar bem.
Coloque a massa em forma untada com óleo e farinha de trigo.
Sobre a massa, coloque 3 maçãs sem casca fatiadas, 6 bananas em rodelas ou deixe sem fruta alguma (foi o jeito que experimentei quando voltei da minha viagem).
Espalhe sobre a massa, antes de levar ao forno, a farofa, e leve assar.
Até nosso próximo encontro!

Maria Inês de Oliveira Chiarion Zecchini é professora de Educação Infantil nesta cidade e autora do livro “Redescobrindo – receitas da cozinha bragantina”. Faz parte da Associação dos Escritores de Bragança Paulista (Ases), foi membro fundadora da Academia Bragantina de Letras (ABL) de 2005 a 2008, e colunista do jornal Cidade de Bragança de 2005 até 2011.
Para sugestões, críticas e temas para as próximas colunas, escreva para: miocz@yahoo.com.br.
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