Da boca pra fora...

O autor de denúncias contra agentes políticos, no caso da invasão do Jardim Nogueira, não compareceu à reunião da Comissão Especial de Inquérito (CEI) que investiga o caso.

A situação é ainda mais preocupante se levarmos em conta que o denunciante, Carlos Alexandre de Sá, após atirar ao ventilador, diretamente da Tribuna Livre da Câmara Municipal, graves afirmações de que secretários da gestão do ex-prefeito Jango teriam dado materiais de construção para famílias construírem no local, pode usufruir o direito constitucional de permanecer calado, mesmo que seja levado aos vereadores pela polícia.

Ora, então, o cidadão vai à Câmara, um local que inspira respeito e deveria ser respeitado, afinal representa um poder constituído, e diz o que lhe vem à cabeça, mas, na hora de comprovar as denúncias, de dar mais informações e colocar os pingos nos is, simplesmente não comparece, não envia qualquer justificativa. Por quê?

Além de ser absurdo, isso deve servir de lição aos senhores vereadores para que reflitam melhor sobre quem estão inscrevendo para falar na Câmara. Eles também poderiam estudar a possibilidade e legalidade de acrescentarem ao Regimento Interno da Casa algum dispositivo que obrigasse aquele que usa a Tribuna Livre a provar acusações e denúncias de qualquer tipo.

A intenção não deve ser a de inibir que casos polêmicos venham à tona, mas a de exigir responsabilidade e ética daqueles que se propõem a cobrar moralidade dos agentes públicos ou de quem quer que seja e, às vezes, acabam fazendo acusações indevidas ou que não podem ser provadas.

Caso contrário, a Câmara cairá no descrédito. Nesse caso específico, por exemplo, será praticamente impossível dar andamento à CEI do Jardim Nogueira de modo a esclarecer os fatos se o denunciante se recusar a falar. Os vereadores ainda poderão recorrer aos moradores, mas é muito difícil que alguém entre eles tenha a coragem de falar.

Por fim, entendemos que, no Legislativo, as pessoas encontram espaço para falar em público, com a devida inscrição dos vereadores. Mas elas não devem se esquecer de que é preciso ter responsabilidade com aquilo que se diz, da mesma forma que os vereadores também têm de arcar com o que falam. Não se pode fazer denúncias graves, como as que foram feitas, apenas da boca pra fora. A população espera explicações do denunciante para que os fatos sejam esclarecidos e que os responsáveis, caso seja comprovada conduta ilícita, sejam punidos com o rigor da lei.

Você pode compartilhar essa notícia!

0 Comentários

Deixe um comentário


CAPTCHA Image
Reload Image