Demitidos reclamam de conivência do sindicato com a empresa
Na manhã de quarta-feira, 11, dezenas de funcionários se aglomeraram em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos de Bragança Paulista e Região a fim de assinar a rescisão contratual com a Indústria Barile, da qual haviam sido demitidos na última quinta-feira, 5.
Eles chamaram a reportagem do Jornal Em Dia porque foram surpreendidos pela notícia de que a indústria se recusou a pagar os direitos trabalhistas. Conforme contaram, sequer o salário correspondente ao mês anterior trabalhado foi pago.
Os ex-funcionários se mostraram indignados com a situação, já que têm compromissos com os quais têm de arcar, como aluguel e sustento da família. Eles contaram, ainda, que a empresa também não depositou o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), assim, muitos nem terão como sacar esse benefício.
A revolta dos funcionários demitidos também se estendia ao sindicato, pois apontam que a entidade foi conivente com a manobra da Barile de mandá-los embora sem pagar nada.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Válter Jesus Brajão, chegou ao local e tentou explicar aos ex-funcionários que a rescisão que estavam assinando dava-lhes o direito de dar entrada no seguro desemprego e não interferiria no recebimento de demais valores por meio de ações judiciais.
Brajão disse que a Barile já vem causando problemas a seus funcionários há certo tempo, pagando salários atrasados, deixando de pagar férias. Os ex-trabalhadores da empresa dizem, porém, que a produção vem aumentando e que o proprietário vem comprando máquinas e adquirindo novas empresas.
Brajão sugeriu aos demitidos que todos fossem para frente da indústria a fim de protestar e cobrar da empresa ao menos o pagamento dos salários do mês.
Já na frente da Barile, localizada no Distrito Industrial V, os demitidos tentaram fazer com que funcionários não entrassem trabalhar no período da tarde. Alguns resolveram aderir à causa e, em solidariedade aos colegas, não entraram. Outros resolveram trabalhar temendo novas demissões.
O sindicato esteve presente no local, tentando negociar com a indústria. O encarregado da empresa disse que o proprietário se comprometia a pagar os salários dos funcionários caso a entrada da Barile fosse liberada, mas os manifestantes recusaram a proposta.
Por volta das 16h, o proprietário informou que depositou nas contas dos demitidos os valores correspondentes aos salários do último mês trabalhado. Mesmo assim, eles permaneceram no local, consultando a conta pela internet para se certificar que o valor havia mesmo sido depositado.
Mas, então, outra situação surgiu. Funcionários que não foram demitidos, mas que estão com salários atrasados, também resolveram se manifestar e reivindicar o pagamento. O proprietário da Barile teria se comprometido a pagar os que ainda são funcionários até a próxima sexta-feira, 13, contudo, de acordo com o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Brajão, os trabalhadores não estavam aceitando.
Com isso, deve ocorrer, a partir das 6h desta quinta-feira, 12, nova manifestação em frente à empresa.
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