A escola perdeu a noção de sua função e vagueia entre as de assistente social, pároco, agente de saúde e mero depósito de crianças. Se é que um dia essa instituição já teve plena convicção do porquê de sua existência, hoje em dia, ela parece mesmo estar perdida em meio às inúmeras funções que lhe delegaram e que esta, assumiu, sem, no entanto, executar nenhuma sequer com excelência.
Vivemos propostas de mudanças, sempre muito atraentes e belas no discurso de filósofos e estudiosos, mas nos defrontamos com uma realidade cáustica de uma instituição falida; assim como estão falidas a maioria das famílias, a maioria dos valores essenciais à vida em sociedade, assim como está falida a dignidade humana e os pilares que deveriam sustentá-la estão ruindo.
Em conversa com um amigo outro dia, fiquei meio chateada ao ouvir uma declaração dele. Só fui reconhecê-la legítima um pouco depois. Meu excesso de credulidade e otimismo me impediram de enxergá-la assim logo de início. “As pessoas hoje em dia são superficiais, e as inteligentes, racionalistas demais”.
Falávamos sobre a falta de poesia que a fluidez cruel da vida cotidiana nos impõe, ou nos impomos nós. Mas o que isso tem a ver com educação?
Não fomos educados para a poesia, nem tão pouco para o mistério que sua existência em nosso meio suscita.
Somos e formamos seres antipoéticos, na sua maioria, incapazes da leveza e da sensibilidade que a poesia exige e inspira. Rústicos, robotizados pela lógica da praticidade, nessa nossa vida automatizada.
Anseio por uma educação menos “monstrificadora”, menos permissiva e assistencialista também. Menos confusa na sua missão, e ao mesmo tempo, mais audaciosa em sua prática.
Ando saudosa, tal qual meu amigo, de gente, gente com quem a gente sinta vontade e prazer de conversar, dividindo e explorando os segredos todos da alma e do universo que nela habita.
0 Comentários