De 29 de julho a 2 de agosto, palestrantes abordaram questões que vão desde ética à paixão e entrega à profissão
O XX Encontro Intermunicipal de Educadores teve encerramento na sexta-feira, 2. Segundo a vice-prefeita e secretária municipal de Educação, Huguette Theodoro da Silva, cada dia do evento contou com a participação de cerca de 1.200 pessoas. Havia 600 servidores municipais inscritos dos mais variados cargos, como professores, pajens e secretários da rede.
Em conversa com a equipe do Jornal Em Dia, professora Huguette avaliou que os encontros foram muito enriquecedores, pois o assunto abordado em uma palestra completava o tema de outra. A secretária também considerou a plateia muito interessada, que contemplava desde funcionários da rede municipal a professores das redes estadual e federal, professores particulares e estudantes de pedagogia.
A abertura do encontro teve a participação de Marcos Meier, professor de matemática, psicólogo e mestre em educação. O tema foi “Disciplina e limites na educação: Por que tanta dificuldade em lidar com essa questão?”.
Com um discurso bem humorado e repleto de experiências na área de educação, o palestrante disse que três itens são fundamentais para conquistar a atenção das pessoas: conteúdo, experiência de vida e muito bom humor. Ele também afirmou ser um dos maiores defensores da Educação Continuada, reforçando a importância dos professores estarem sempre atualizados e antenados com as novas tecnologias e atentos aos novos conhecimentos.
No ambiente escolar, o palestrante enfatizou a importância de se construir vínculos. “Tendo vínculo, a bronca pode ser dada. O básico para o exercício da autoridade é a construção de vínculos. Qual a pessoa, qual a criança que quer aprender com quem não ama?”.
O segundo encontro teve a presença de Mário Sérgio Cortella, filósofo, escritor, professor e doutor em educação. O palestrante é professor na pós-graduação da PUC-SP há mais de 30 anos, já foi secretário de educação em São Paulo, escreve artigos para os principais jornais da Capital e é autor de vários livros publicados sobre os temas ligados à educação, além de ancorar e comentar programas de TV e rádio.
Com o tema “Ética, indivíduo, sociedade e empresa”, ele convidou a plateia a repensar várias questões do dia a dia. Muitas vezes, segundo o palestrante, é estabelecida uma ética que pode ser marcada pelo cinismo, ou seja, a ética é usada como cosmética, maquiagem. Critica-se o caso do mensalão, por exemplo, mas adquire-se carteirinha de estudante falsificada. E ainda enfatizou que há certa distorção sobre o que é ser servidor público. “Servidor é para servir e não para se servir.”
Mário Sérgio disse que a ética leva a três perguntas: “Quero?”, “Posso?”, “Devo?”. Uma pessoa que quer trair o parceiro, por exemplo, pode fazer isso porque tem a oportunidade, mas não deve porque firmou um compromisso. “Há coisas que eu quero, mas não posso; há coisas que eu posso, mas não devo; há coisas que eu devo, mas não quero, e há coisas que eu quero e posso, mas não devo”, explicou. A paz de espírito e a felicidade só existem quando se conciliam esses princípios.
Na quarta-feira, 31, o encontro teve a presença de Maria Inês Fini, que falou sobre “Avaliação e currículo: uma articulação necessária a favor da aprendizagem dos alunos”. Ela é doutora em educação, pedagoga, professora e pesquisadora da Educação, especialista em Currículo e Avaliação e fundadora da Faculdade de Educação da Unicamp.
Maria Inês abordou assuntos como o sistema de avaliação da educação básica, o principal resultado da avaliação, os papéis dos governos federal, estadual e municipal, o papel das escolas e o que realmente faz a diferença na hora de colher os resultados e os planos dos professores articulados a essas propostas.
De acordo a palestrante, o currículo atual é extenso, superficial e fragmentado e há pouco tempo para a parte diversificada. Os programas de formação inicial de professores são inadequados e a carreira é pouco atraente. As escolas têm graves problemas de infraestrutura e pouco mais de 30% dos jovens de baixa renda acreditam que os conteúdos do Ensino Médio façam sentido para eles.
Para ela, cabe aos professores das diversas disciplinas da escola, a partir de um perfil de desempenho a ser alcançado segundo determinações legais, selecionar conteúdos, segundo critérios de significados, validade, interesse adequação, exequibilidade e ajustamento à capacidade dos alunos.
A quarta noite teve palestra do professor e filósofo Gabriel Benedito Isaac Chalita, ex-secretário de Estado da Educação de São Paulo. Ele disse que o professor precisa construir a autoridade e não impor, enquanto o aluno precisa ser desafiado para ter o prazer em conhecer. Os jovens precisam ser estimulados a questionar mais do que pesquisar porque a pesquisa hoje é facilitada pelas ferramentas disponibilizadas na web.
Conforme o palestrante, atualmente há uma inautenticidade muito grande por parte das pessoas. “Vivemos a globalização da indiferença. Quando a pessoa não tem nada para acrescentar em mim eu a descarto. É uma busca tão grande do prazer, do ter, que eu descarto as pessoas. As relações que deveriam nos unir nos separam”.
Para Gabriel Chalita, o maior problema da Internet é a criação da pessoa inautêntica. “Crio um personagem, gosto do que criei e não gosto de mim. Gosto de ficar na net porque lá sou a persona que eu criei.”
Gabriel Chalita também afirmou que “nós só educamos as pessoas quando temos vínculo com ela”. “O ofício de ser professor é lindo e, se eu não reconhecer isso, nunca serei um bom professor”, declarou.
De acordo com ele, os alunos precisam de limites. Conviver é dar limites. O professor tem que ser um referencial para seus alunos, não um amiguinho. Tem de ser amigo no sentido nobre e, sobretudo, um referencial.
O encerramento do evento foi com a palestra “Como solucionar conflitos dentro das organizações de ensino e integrar equipes?”, do professor, biólogo e pedagogo Marco Antônio Ferraz, que afirmou “Vivemos num mundo que vive de conflitos. As pessoas não sabem quem nós somos e nem nós mesmos. As pessoas dificilmente reconhecem que o conflito está nelas mesmas.”
O palestrante abordou conflitos internos e falou das três decisões fundamentais na vida: Casar ou não casar? Ter filhos ou não? “O que eu serei na vida?”. Segundo Marco Antônio, ser professor exige um projeto de vida. Saber qual é a sua vocação é uma grande base de conflitos. E o afeto, o respeito, o pertencimento e o bom humor evitam conflitos no ambiente escolar.
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