Entrando em Cena não terá atividades em Bragança em 2014

A segunda participante da Tribuna Livre da sessão ordinária da Câmara Municipal, nessa terça-feira, 19, foi Viviane Lessa Peres, gestora cultural, jornalista e presidente do Instituto Cultural Entrando em Cena, inscrita pelo vereador Quique Brown.

A participante contou um pouco sobre por que resolveu trabalhar com cultura e com os jovens, destacando que a cultura dialoga com todos os outros eixos.

Viviane disse que muitas vezes é indagada pelas pessoas se sua intenção é trabalhar com jovens carentes. “Respondo que não, que minha intenção é trabalhar com jovens de uma sociedade carente”, apontou, explicando que faltam perspectivas aos jovens, que são seres em pleno desenvolvimento.

Ela também detalhou alguns conceitos de cultura, como o cuidado com o desenvolvimento humano e o cultivo das mentes, definição dada nos séculos XVI e XVII. Acrescentou que a cultura é inerente ao ser humano e que é a riqueza simbólica da sociedade.

Atualmente, segundo ela, o Ministério da Cultura trabalha com três eixos de cultura: a cultura cidadã, que é o foco do Entrando Em Cena; a cultura simbólica e a cultura econômica.

Apesar de grandes avanços e investimentos dos poderes públicos, Viviane citou dados que comprovam que a exclusão cultural ainda é muito grande. O fato de o instituto ter escolhido Bragança para atuar se deve a esse fato, os baixos índices de acesso à cultura, e ao grande potencial da cidade, que tem alto índice de desenvolvimento humano (IDH).

Em seguida, Viviane citou os projetos desenvolvidos pelo Entrando Em Cena desde 2012 quando atua no município, contou que o custo foi de R$ 350 mil, com seis profissionais atuando, e que o financiamento foi feito por meio de leis de incentivo à cultura, como a Lei Rouanet e o Proac (Programa de Ação Cultural). Porém, sem patrocínio de empresas, o projeto está inviabilizado para o ano que vem, afirmou.

“As empresas de Bragança não investem em cultura”, diagnosticou Viviane, afirmando não saber se isso ocorre porque não gostam desse ramo ou porque não sabem que é possível investir por meio dos impostos que têm de pagar, ou seja, não precisam desembolsar nada além do que já precisam pagar ao governo.

A jornalista registrou também que é muito difícil levar público aos espetáculos porque o público bragantino não está acostumado a ter opções culturais.

Sobre o Entrando em Cena no Mundo, projeto que ainda está sendo desenvolvido, Viviane contou que ele teve financiamento de pessoas da sociedade civil e que é muito tocante ver os jovens desenvolvendo seus próprios projetos.

Foi sugerido a Viviane que ela procure o Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) para tentar contato com os empresários da cidade.

Quique enfatizou que ações como a do Entrando em Cena geram emprego e renda com baixo investimento e argumentou que o poder público não pode olhar para as pessoas que promovem essas ações como nada.

O vereador ainda considerou que a pasta da Cultura, no Governo Fernão Dias, está deixando muito a desejar, no que diz respeito a fazer parcerias, apesar de o prefeito demonstrar que quer colaborar.

“Está mais do que na hora de tratar essas pessoas com carinho, com atenção e trazê-las para o nosso time”, avaliou Quique.

 

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