Parece coisa de outro mundo, mas não é. Infelizmente não é. Nessa semana, a região de Bragança Paulista foi surpreendia por uma fiscalização em carvoarias e o resultado foi que se encontraram pessoas, e até mesmo crianças e adolescentes, trabalhando em condições muito parecidas com a de escravos.
Quem mora nessas cidades pequenas ou tem parentes, algum contato, sabe que essa realidade existe há muito tempo e que, se não fosse a fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego, ela seguiria ocorrendo sabe-se lá até quando. Aliás, se a fiscalização não for frequente, a prática tende a se repetir.
Podemos nos perguntar como é que em pleno 2014, 126 anos após a Lei Áurea ser promulgada, ainda temos a escravidão presente em nosso meio. É porque, no caso das carvoarias, trata-se de pessoas simples, geralmente sem estudos e sem amparo que as motive e dê segurança para denunciar seus empregadores. A troco de que elas porão a boca no trombone? O que ganharão com isso? Muito pelo contrário, terão só a perder, pois ficarão sem emprego. Na cabeça desses oprimidos, o pensamento vai nessa linha.
E o pior é que não houve nessas cidades representante do povo que fizesse jus a seu mandato e cobrasse dos setores competentes providências.
E, falando em representantes do povo, está aí mais um motivo para que os eleitores se dediquem mais a escolher seus candidatos, ainda mais neste ano, que teremos eleições para diversos cargos.
Como é possível se informar na página 3 desta edição, está em discussão por todo o país a possibilidade de a Caixa Econômica Federal ter de revisar as contas do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) desde 1999. O motivo é que desde essa época utiliza-se a TR (Taxa Referencial) para atualizar os valores depositados no fundo, porém, há entendimento de que um índice de preços deveria ser usado a fim de efetivamente promover a correção monetária.
A bomba parece que irá estourar nas mãos da Caixa, mas é importante que todos reflitam um pouco mais profundamente e percebam que as alterações promovidas e que passaram a reger o FGTS foram estabelecidas em leis, portanto, fruto do exercício de mandato dos políticos brasileiros, haja vista que leis têm de ser aprovadas e sancionadas.
E nesse caso, será que também não somos escravos, reféns do que decidem os governantes? É verdade que podemos votar, escolher nossos representantes, mas, após eleitos, eles podem fazer o que bem entendem e, muitas vezes, fazem vistas grossas a fatos gritantes como este das carvoarias nos municípios vizinhos.
É preciso estar mais atento à conduta dos eleitos, cobrar mais que façam seu trabalho e exigir mudanças concretas no modo de governar. Porém, isso também demanda comprometimento e participação do povo, que infelizmente parece quase sempre se acomodar com a escravidão, ainda que ela seja inconsciente.
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