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Olhar Social

“Eu acredito é na rapaziada!"

Episódios recentes nos fazem lembrar a força que os jovens têm e destacar que eles podem, sim, fazer a diferença, enquanto importantes atores sociais. Com sua rebeldia, muito própria da idade, ousam contestar e fazer enfrentamentos que podem imprimir mudanças. Mudanças que podem, inclusive, abalar as estruturas!

As manifestações de 2013, abraçadas por muitas bandeiras, contaram com o protagonismo juvenil. Capitaneada pelos movimentos estudantis, os protestos se intensificaram e se espalharam por todo o país, tendo como foco principal e imediato impedir o aumento das tarifas do transporte público, algo exitoso naquele momento.

Ainda por iniciativa dos jovens, em 2015, uma onda de escolas públicas estaduais paulistas passou a ser ocupadas pelos estudantes, como mecanismo de barrar e resistir ao seu fechamento, sob uma pretensa reforma escolar imposta pelo governo vigente, precarizando – ainda mais – o já precarizado ensino público estadual!

Che Guevara – importante expoente argentino do século XX e líder da Revolução Cubana – elevava o quão o fervor da idade pode ajudar a moldar os rumos de uma nação. Dizia “a argila fundamental de nossa obra é a juventude. Nela, depositamos todas as nossas esperanças e a preparamos para receber a bandeira de nossas mãos”.

Longe de uma visão romantizada que coloque os jovens num grupo homogêneo ou ainda delegue a eles a responsabilidade por transformar o país, apenas destaca-se sua importância enquanto agentes sociais, em especial ao rememorar seu protagonismo na história.

Mais recentemente, em maio deste ano, o ministro do Tribunal Superior Eleitoral – Edson Fachin – publicizou o número recorde de jovens que se cadastraram junto a Justiça Eleitoral e irão participar do pleito de 2022. Segundo ele, o país ganhou 2.042.817 novos eleitores entre 16 e 18 anos, um número 47,2% maior em relação ao mesmo período de 2018.

Aumento este que pode ser compreendido como fruto da “Semana do Jovem Eleitor”, promovida pelo TSE e pelos 27 Tribunais Regionais Eleitorais (TRE), iniciativa que acontece desde 2015, convocando a juventude a participar na escolha dos representantes do país; poderia ainda contar como resposta ao chamamento de artistas, como, por exemplo, o episódio protagonizado pela cantora Anitta, ao fazer, literalmente, um apelo para que os jovens tirassem o titulo de eleitor e votassem este ano. Dado o alcance de suas postagens, dirigida a milhões de seguidores nas redes sociais, o próprio TRE-RJ compartilhou sua “convocação” apresentando os trâmites para o cadastramento on-line.

E poderia também ser interpretado como a própria materialização da insatisfação, incerteza e indignação juvenil pelo atual governo e a possibilidade de mudança face a sua contribuição junto ao processo eleitoral, reconhecendo-se enquanto sujeito político. Não à toa, a revista Carta Capital, em março deste ano, mostrava os dados de uma recente pesquisa em que o então presidente Jair Bolsonaro (PL) aparecia como o pré-candidato mais reprovado pelo eleitorado mais jovem e pelas mulheres.

A inquietação juvenil parece ser capaz de apreender o caos que atravessamos. Diante de tantas perdas e retrocessos, manter acesa a chama da esperança, “ousar” sonhar e desejar outra realidade, onde se vislumbra um futuro melhor, ao menos, mais digno, algo que pode contagiar ou incomodar os mais experientes. Os jovens captaram o recado que uma democracia caminha a partir da participação, presença e colaboração permanente de todos. O governo que temos e queremos é construído por cada uma e cada um de nós.

Entoando Gonzaguinha: “Eu acredito é na rapaziada, que segue em frente e segura o rojão; eu ponho fé é na fé da moçada, que não foge da fera e enfrenta o leão; eu vou à luta com essa juventude, que não corre da raia a troco de nada; eu vou no bloco dessa mocidade, que não ‘tá’ na saudade e constrói a manhã desejada”!

Gisele A. Bovolenta é assistente social e professora na Universidade Federal de São Paulo.

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