Eu não sou Charlie, não falo francês, o que é uma pena, mas não, não sou Charlie. Não me identifico com o tipo de humor produzido pelo exaustivamente citado jornal Charlie Hebdo. Não, aliás, nem o considero humor, pra ser bem sincera.
E não imagine você que seja eu uma pessoa sisuda, avessa a brincadeiras. Não, não é isso. Só não gosto mesmo de brincadeira inadequada, e levo comigo a máxima de que, quando um não ri, não se trata de brincadeira, porque alguém está se sentindo ofendido, e fazer humor às custas da ofensa alheia, pra mim, não faz muito sentido.
Se sou adepta de censuras ou bestialidades do tipo? Jamais, logo eu que sonho com a liberdade de sermos quem somos... jamais. Só sou mesmo contra o desrespeito e seja ele direcionado a quem quer que seja.
E tenho plena consciência de que a essa altura do texto, você já deve estar me achando uma chata, talvez até contraditória, mas veja, a questão é simples e quem a elucida para nós é uma criança.
Eu a encontrei há algum tempo atrás, um tanto quanto perdida, cheia de incertezas e dúvidas, atitude típica de criança, aliás. Na verdade, estava apavorada, a pobrezinha. As mãozinhas frias, os olhinhos outrora vivos e brilhantes, agora apagados por um pavor infantil.
O que, afinal, atormentava aquela menininha? O que seria assim tão grave a ponto de roubar-lhe a paz? Logo a ela, que era apenas uma menininha, na sua inocência e singeleza de ser apenas uma menininha...
Menina estranha aquela, que não se deixava entreter pela delícia de brincar despreocupadamente e tinha o pensamento povoado por dúvidas de gente crescida. Ah... gente crescida pensa cada besteira...
O fato é que a menininha, sábia como só as crianças sabem ser, lembrou-se de que, quando uma dúvida dessas muito cruéis nos ocorre, devemos mesmo é perguntar à fonte.
E lá foi ela, um pouco tímida, mas nada receosa, que a fonte é amigável demais pra causar receio.
E se deitou no chão, o corpinho frágil na direção de Meca, e dobrou os joelhos com um tercinho nas mãos, rezando, e orou em silêncio, e balbuciou palavras aos santos, e todas essas manifestações culminavam numa só pergunta:
- Deus, qual é seu nome, afinal? Estou confusa, os adultos o chamam de inúmeras formas, e até brigam por causa disso... Qual seu nome?
E qual foi a resposta que obteve...que resposta!
A resposta veio suave e forte, como só ele sabe ser, e se fez audível em toda Terra, domínio seu.
- Filha, aquiete seu coração, meu nome é... AMOR!
Tudo o que disserem aquém ou além disso, minha querida, é pura vaidade. Eu sou Amor, não há outro nome pelo qual deseje ser chamado.
Desejo que vivam em mim, em amor, como irmãos que os idealizei um dia. Sim, todos vocês, com esses seus nomes, que vocês mesmos inventaram e dos quais se vangloriam tanto... Minhas crianças... Vocês são todos irmãos.
Deixem de brigas bobas, estou voltando, desejo encontrá-los em paz, na paz que sempre vos ofereci. Volto para resgatá-los de si mesmos, para verdadeiramente conduzi-los a mim.
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