EXAME (INTER)NACIONAL

E mais uma vez os estudantes que estão encerrando o ciclo do Ensino Básico fizeram a sua avaliação. O Enem pode ser questionado por várias razões, dentre as quais destaco duas. Primeiro, pode-se dizer que ele existe para termos indicadores “para inglês ver”, literalmente. Somente com números que indiquem certos “avanços” o País pode fazer parte de programas e convênios educacionais ao redor do mundo. Segundo, podemos questionar a inversão de valores quando as escolas acabam usando seus resultados no Enem para se posicionarem perante o mercado da Educação. Aliás, o termo “mercado da Educação é um tanto assustador, não?

 

ENEM VAMOS FALAR DA PARTE BOA?

Eu gosto do Enem, sou a favor dele. Penso que ele pode, sim, funcionar muito bem como uma porta de entrada para as instituições públicas de ensino superior. Além do mais, as características da prova, com seus eixos temáticos pautados em habilidades e competências que os estudantes devem ter desenvolvido, podem ditar tendências interessantes e novos rumos no sentido de como as disciplinas vêm sendo conduzidas na escola.

 

BOAS PERGUNTAS

Questões que fazem associações diretas a situações verdadeiras da vida colocam o aluno perante situações problema de aplicações daquilo que estuda, o que vai muito além de decorar padrões de pensamento prontos e as famosas “fórmulas”. Por que luz de lâmpada não bronzeia? Como funciona o freio ABS? Que doenças podem ser favorecidas pela obesidade? Do que depende a pressão da água que sai do chuveiro? Essas e outras perguntas fizeram parte da prova de Ciências da Natureza. Quem sabe um dia estaremos preparando nossos alunos para fazerem eles mesmos as boas perguntas.

 

COMO O MUNDO FUNCIONA?

Se nossa educação estivesse funcionando, a escola seria um grande “Manual de funcionamento do mundo”. Quando completássemos o ciclo básico do ensino, deveríamos entender como as tecnologias que nos cercam foram concebidas; como elas funcionam; por que nossa sociedade se organiza dessa maneira; que acontecimentos marcaram nossa história e quem foram os personagens importantes que ditaram tendências; como nosso espaço geográfico está organizado; como nosso corpo funciona; como devemos nos comunicar nas mais diversas linguagens e por aí vai.

 

EDUCAÇÃO PROFISSIONAL

Terminada a escola, deveríamos estar prontos para direcionar nossos estudos para um campo específico do conhecimento, ou ingressarmos no mundo do trabalho. Do jeito que está hoje, na melhor das hipóteses, saímos preparados para entrar numa universidade e, raramente, estamos preparados para cursá-la.

 

A POLÊMICA DAS COTAS

Enquanto isso, nós ainda estamos discutindo os sistemas de cotas. Progressivamente, de 2013 a 2016, 50% das vagas nas federais será destinada aos alunos da rede pública. Esse é um assunto bastante complicado. É certo que existe um abismo entre o ensino público e o privado, mas penso que o projeto do Governo Dilma deveria dar o devido preparo aos alunos das escolas públicas para fazerem um bom curso superior ou técnico.

PAÍSES QUE AVANÇAM

Se nosso país seguisse bons exemplos, estaria investindo em programas educacionais que acelerassem a entrada dos jovens no mercado de trabalho. Países como China e Coreia, que há pouco tempo eram considerados subdesenvolvidos, investiram pesado no ensino técnico e profissionalizante. Já no Brasil, ainda predomina a cultura do ensino voltado ao mundo acadêmico. Se quisermos melhorar as coisas por aqui, precisamos dar essa opção aos nossos jovens, com bons cursos técnicos e tecnólogos.

 

CINE DEBATE OU NOVELA?

Com o tema “O que te move?” o pessoal do Coletivo Sócio-ambiental promoveu a quarta edição do Cine Debate. O objetivo foi trazer à tona assuntos ligados à problemática social e ambiental que vivemos nos dias de hoje a partir de filmes que foram discutidos ao longo da última semana pelo público presente e por convidados. Eu tive a honra de ser um deles na discussão do filme “Lutas.doc – fábrica de verdades”, que fala sobre a influência “anestesiante” que a mídia (mais precisamente a TV) tem em nossas vidas. O debate sobre o filme foi muito proveitoso. Quem esteve presente, assim como eu, certamente, saiu com a cabeça mais aberta. O espaço utilizado foi o NAPA (vale lembrar a parceria com a Prefeitura) que, infelizmente, não chegou a ficar lotado. Acho que muita gente ainda preferiu ver a novela. Mesmo assim, valeu muito a iniciativa, que tem de continuar. Parabéns ao coletivo. 

 

BRASIL: ROUBE-O OU DEIXE-O

Será que só vão condenar os “officeboys” do mensalão? De qualquer forma, quem for condenado (e ainda não saiu) não vai poder sair do Brasil sem autorização. Entrega o passaporte pra polícia! Falando em influência da mídia, eles querem que a gente acredite que estão fazendo justiça. Ah, tá. Que tal fechar todo mundo num quarto escuro?

 

BADERNA CULTURAL – LUTAS.DOC

O documentário “Lutas.doc” é dividido em cinco episódios. Apenas o terceiro deles, “Fábrica de verdades”, foi escolhido pra discussão no Cine Debate, mas vale muito à pena assistir a todos, que são facilmente encontrados no Youtube. A linguagem utilizada pelos diretores é bem dinâmica e as entrevistas que vão rolando são permeadas por animações que dão a tônica subliminar do filme. Pra despertar o radical que existe dentro de você. 

 

“O CARA MANDOU PAULADA PRA TODO LADO”

Essa frase foi escrita pelo meu amigo Cléber Centini, analisando a participação dos candidatos a prefeito no debate da rádio O Caminho. Ele disse também: “Fred mais se preocupou em atacar os adversários do que apresentar propostas”. Cada um tem o direito de ter seu lado e expressar sua opinião. Eu, por exemplo, tenho o direito de dizer que não concordo nem um pouco com ele, até porque, um debate serve justamente pra que os candidatos possam confrontar suas ideias e mostrar que são diferentes (pode ser que o problema seja esse, já que eram todos iguais). Se fosse só pra ficar citando o plano de governo, com coisas que o papel aceita muito bem, e ainda, por cima, ficar elogiando o plano dos outros (como estavam fazendo os candidatos) melhor seria sentar de imediato todo mundo na Prefeitura (menos eu!) e dividir logo os cargos.

 

R$ 980,00

O que você faria com essa quantia? Nós fizemos uma campanha pra prefeito e uma pra vereador. Campanhas milionárias e sujas? Tô fora!

 

PRA FINALIZAR

“As ações são muito mais sinceras do que as palavras” (Madeleine Scudéry)

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