No Japão, há um grupo conhecido como “Right Wing”, algo como a Direita Conservadora, que azucrina a vida de muita gente nas quatro partes do mundo.
Mas, na Terra do Sol Nascente, tal grupo – que, segundo dizem, é apenas uma ramificação da Yakuza – não passa de um bando de gritalhões, no qual ninguém presta atenção (aliás, os japoneses detestam qualquer tipo de manifestação política, seja de direita ou de esquerda).
Os Right Wing, porém, são bem mais barulhentos que os “comunistas”. Mesmo porque comunista no Japão é que nem saci: dizem que existe em algum lugar da mata, mas ninguém até agora viu unzinho sequer.
Agora, voltando aos da extrema-direita, a coisa funciona assim: um tipo musculoso com uma faixa branca na cabeça fica em cima de um carro de som usando o megafone para “meter o pau” nos estrangeiros (epa, aqui não), dizendo que o Japão tem de expulsar tudo que é gaijin (um termo pejorativo usado pelos japoneses para referir-se a um “estrangeiro indesejado”).
E lá ficam os nacionalistas, gritando horas e horas. Como ninguém dá a mínima, a polícia, por sua vez, também se finge de surda – até que o gritalhão se cansa e dá no pé com o seu bando.
Quanto a mim, só faço rir dos desorientados. E a palavra é esta mesma: desorientados. E, para provar o que digo, vou contar uma que aconteceu comigo quando saía certa vez do trabalho. Era mais ou menos sete da noite, e lá estava um deles, na esquina, distribuindo um dos seus panfletos pregando a “varredura dos gaijins”. Eu ia passar ignorando, mas – pasmem! – ele veio até mim e, dando-me um dos panfletos, disse com um sorriso: “Onegaishimasu”. Algo do tipo: “Aceite, por favor, o que lhe dou”.
Juro, segurei a risada. Foi mais ou menos isto: ele pediu, por obséquio, que um “gaijin” fizesse parte de sua causa para expulsar... “gaijins”. Tipo: “Ajude-me a expusar você mesmo!”.
Devia estar bêbado o jovem “samurai”, concluí. Porque só isso para explicar tamanha falta de lógica em seu ato. Mas sabem o que fiz? Aceitei o panfleto com um sorriso. E, como diria o Saraiva do “Zorra Total”, ele acreditou!!! E ainda lascou um “arigatô” para completar.
Uma comédia realmente – aliás, como todo extremista, seja qual for a ideologia. Uns burros, todos – e desde já peço perdão aos adoráveis burrinhos –, que não conseguem ver um palmo à frente em meio a sua obsessão.
Pronto, falei! Que venham agora as pedras. Pelo menos, com elas, posso construir um muro que me separe dos extremistas. Só não colem os seus cartazes. Onegaishimasu!
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EDWEINE LOUREIRO nasceu em Manaus (Amazonas-Brasil) em 20 de setembro de 1975. É advogado e professor de idiomas, residente no Japão desde 2001. Premiado em mais de quinhentos concursos literários no Brasil, no Japão, na Espanha e em Portugal. Em 2022, teve dois livros premiados no Concurso Internacional da União Brasileira de Escritores-RJ, recebendo o Prêmio João do Rio (para “Livro de Crônicas”) e o Prêmio Luiz Otávio (para “Livro de Trovas”). Foi um dos cronistas escolhidos para compor o livro didático “Se Liga na Língua - 8º Ano” da Editora Moderna (2024). É sócio correspondente no Japão da Associação de Escritores de Bragança Paulista (Ases).
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