Fenaban apresenta nova proposta, mas Comando Nacional dos Bancários orienta para a rejeição

A greve nacional dos bancários continua e, de acordo com os sindicatos da categoria, ela cresce em todo o país. Na última quinta-feira, 3, 11.406 agências e centros administrativos foram fechados.

Reunido em São Paulo para avaliar as duas primeiras semanas de paralisação, na quinta-feira, o Comando Nacional dos Bancários, coordenado pela Contraf-CUT, orientou os sindicatos a fortalecerem ainda mais o movimento para pressionar os bancos a apresentarem uma nova proposta e decidiu permanecer na Capital paulista à disposição para a retomada das negociações com os bancos.

“Essa é uma demonstração de nossa disposição de dialogar. Estamos cobrando dos bancos que reabram o processo de negociação e apresentem uma nova proposta aos bancários que contemple as reivindicações por aumento real, valorização do piso, PLR (Participação nos Lucros e Resultados) melhor, proteção do emprego, condições de trabalho mais dignas, segurança e igualdade de oportunidades”, afirmou Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT e coordenador do Comando Nacional.

A estratégia surtiu efeito e, na sexta-feira, 4, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) chamou os bancários para apresentar nova proposta de reajuste para a categoria, no valor de 7,1% (com 0,97% de aumento real), além disso, 7,5% no piso e 10% na parcela fixa e no teto da parcela adicional da PLR, sem alteração nos percentuais da regra.

O Comando Nacional dos Bancários, porém, considerou a proposta insuficiente e orientou para a rejeição da proposta nas assembleias que acontecem no início desta semana.

Esta foi a segunda proposta apresentada pela Fenaban aos bancários desde a primeira, apresentada no dia 5 de setembro, há um mês, propondo reajuste de 6,1%, o qual, segundo a categoria, apenas repõe a inflação do período pelo INPC e ignora as demais reivindicações econômicas e sociais. Essa proposta foi rejeitada pelos bancários em assembleias realizadas em todo o país no dia 12 de setembro.

A greve foi deflagrada no dia 19 de setembro, quando os bancários fecharam 6.145 agências e centros administrativos. O movimento vem se ampliando, atingindo, conforme já citado, 11.406 dependências nessa semana, um crescimento de 85,6% nesse período.

O Comando Nacional representa 143 sindicatos e 10 federações de todo país, totalizando mais de 95% dos bancários de todo o Brasil. Além das entidades integrantes, participam como convidados os coordenadores das comissões de empresas dos trabalhadores dos bancos públicos federais.

Conheça as principais reivindicações dos bancários:

- Reajuste salarial de 11,93% (5% de aumento real, além da inflação);

- PLR (Participação nos Lucros e Resultados): três salários mais R$ 5.553,15;

- Piso: R$ 2.860,21 (salário mínimo do Dieese);

- Auxílios alimentação, refeição, 13ª cesta e auxílio-creche/babá: R$ 678,00 ao mês para cada (salário mínimo nacional);

- Melhores condições de trabalho, com o fim das metas abusivas e do assédio moral que adoece os bancários;

- Emprego: fim das demissões, mais contratações, aumento da inclusão bancária, combate às terceirizações, especialmente ao PL 4330, que precariza as condições de trabalho, além da aplicação da Convenção 158 da OIT (Organização Internacional do Trabalho), que proíbe as dispensas imotivadas;

- Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) para todos os bancários;

- Auxílio-educação: pagamento para graduação e pós-graduação;

- Prevenção contra assaltos e sequestros, com o fim da guarda das chaves de cofres e agências por bancários;

- Igualdade de oportunidades para bancários e bancárias, com a contratação de pelo menos 20% de negros e negras.

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