Ao Cristo de Francisco
Naquele em quem todos nós nos movemos e existimos,
desde os mais céticos aos mais piedosos,
Nele estejam nossos atos e pensamentos.
Nas mãos que destroem as fachadas dos suntuosos templos
de nossa ilusão cômoda,
as mesmas mãos que o Senhor convoca ao trabalho diligente de amar.
Nos pés que, ainda que cansados,
escolhem seguir o caminho mais laborioso,
que é sempre aquele que nos conduz ao nosso semelhante.
Na boca apta tanto à boa palavra,
como à bênção do ósculo.
Nos olhos que nos permitem contemplar a excelência da simplicidade,
Nas mil estrelas dos olhos de Clara,
janelas nas quais o Espírito penetrou,
a fim de que, através delas, o mundo fosse visto sob a ótica do amor
do Cristo de Francisco.
Ana Raquel Fernandes
Que grata surpresa me causou a escolha do nome do novo Papa! Ah, quanto significado e reverência sugerem esse nome. Quanta simplicidade e exemplo cristãos.
A figura de Francisco de Assis encanta, e não somente aos católicos que o têm como santo, mas a todos aqueles que ousam ostentar o título de cristãos. A ousadia do santo que tudo entregou por amor, a abnegação e o desapego do homem Francisco nos servem de modelo e inspiração.
E quando o representante máximo da igreja católica elege esse para seu nome, havemos de nos deter um pouco e prestar atenção à mensagem que ele lhe confere e à própria igreja. Talvez o espírito subserviente e humilde de Francisco encontrem mesmo morada no coração e na vida de Jorge Mario Bergoglio, que vem recebendo atenção por parte da mídia pelo modo simples e modesto como vive. Talvez a igreja esteja carente desse mesmo espírito e desejosa de uma reforma de, e em amor. Francisco foi seu primeiro reformador, talvez sua coragem para amar norteie os atos do novo pontífice.Talvez a igreja tenha se esquecido do amor, dos pobres, e, portanto, cabe a Francisco lembrá-la de sua missão.
Andamos mesmo carentes de novos Franciscos, homens audaciosos a ponto de entregar-se inteiramente nas mãos daquele que os sustêm. Homens simples, porque o exercício de amar não exige nada além de simplicidade; não exige nada além de despojar-se de si mesmo e de seu ego envenenado pelas vaidades, para poder ir, a passos firmes e cheios de doçura, até nosso semelhante. E que missão mais bela e fácil e difícil é essa: amar. Nosso Senhor a cumpriu de forma integral, homens como Francisco, mirando-se no seu exemplo, deixaram-nos um desafio: amar como eles amaram.
Que o Senhor de Francisco nos abençoe e capacite para o Amor!
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