Governador aciona mecanismo para captação de água do volume morto

Ação se deu em Joanópolis, na quinta-feira

 

Na quinta-feira, 15, o governador Geraldo Alckmin esteve em Bragança Paulista, mas, antes, visitou o município de Joanópolis, onde acionou o mecanismo que deu início à operação que levará a água do volume morto da Represa Jaguari/Jacareí, também chamado de reserva técnica, para a estação de tratamento do Guaraú.

Acompanhado do secretário de Saneamento e Recursos Hídricos, Mauro Arce, e da diretora-presidente da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), Dilma Pena, o governador afirmou que a medida fará com que o Sistema Cantareira, responsável pelo abastecimento de cerca de nove milhões de habitantes, opere com 182,5 bilhões de litros de água a mais, subindo o nível do volume operacional para 18,5%.

“Esta água não era utilizada porque estava abaixo do sistema de bombeamento e captação. É uma água totalmente testada e aprovada pela Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental), igual às demais águas”, garantiu Geraldo Alckmin, durante o acionamento do mecanismo.

O volume morto ou reserva técnica, como o governo prefere chamar a água que está abaixo do nível mínimo da estrutura de captação de água nas represas, poderá ser captado graças a uma obra que instalou bombas na Represa Jaguari/Jacareí. Uma segunda etapa de obras prevê a instalação de mais bombas na Represa Atibainha, em Nazaré Paulista. O complexo de bombas atua na elevação da água até o nível das estruturas de captação, para que ela possa ser aproveitada.

O conjunto é composto por 17 bombas flutuantes. A função delas é retirar o volume de água abaixo da comporta de captação das represas e encaminhá-lo aos túneis, seguindo o trajeto normal até a Estação de Tratamento de Água Guaraú, na zona norte de São Paulo. Na estação, a água recebe tratamento dentro dos padrões de qualidade seguidos pela Sabesp. A água distribuída à população respeita a portaria 2.914 do Ministério da Saúde e é analisada nos laboratórios da companhia, que seguem as normas NBR ISO/IEC-17025 e são certificados pelo Inmetro.

O volume morto da represa é formado pela mesma água do atual volume útil do sistema. De acordo com a Sabesp, a reserva técnica já é utilizada pelas cidades da região de Campinas para abastecimento, já que é a água desse volume que é liberada das represas pelos rios que seguem até a região.

As obras de instalação das bombas foram iniciadas em 17 de março. Para a captação foram construídos dois canais, que somam 3,5 quilômetros de extensão. Foram dois meses de obras e um investimento de R$ 80 milhões.

O volume de água que estará à disposição para abastecimento público é de 182,5 bilhões de litros. A reserva total é de 400 bilhões de litros.

O governo estadual afirma que esse recurso será utilizado para abastecer a população da Região Metropolitana de São Paulo por período estimado até março de 2015. Porém, caso o consumo de água não diminua e as chuvas não voltem, há especialistas que apontam que esse montante de água só durará até setembro deste ano.

 

BÔNUS

 

Em fevereiro deste ano, o governo do estado de São Paulo e a Sabesp implantaram um programa de bônus. Por meio dele, os consumidores que reduzem em 20% o consumo médio de água têm 30% de desconto na conta.

A medida fez com que o consumo diminuísse sensivelmente. Conforme aponta a Sabesp, em fevereiro, 31.770 litros saíam por segundo da Estação de Tratamento de Água Guaraú. Em março, a produção média diminuiu para 27.650 l/s; em abril, foram 25.200 l/s e, em maio, a média é de 23.180 l/s (até o dia 13). A redução foi de 8.590 litros a cada segundo, volume que, de acordo com a companhia, é suficiente para abastecer 2,6 milhões de habitantes, uma cidade do porte de Fortaleza.

O bônus, inicialmente adotado para os consumidores da Sabesp abastecidos pelo Sistema Cantareira, foi expandido para 31 municípios da Grande São Paulo em 1º de abril, abrangendo moradores atendidos por outros sistemas produtores. Em 1º de maio, foi expandido para mais 12 cidades da Região Bragantina e da Região Metropolitana de Campinas. Desde então, Bragança Paulista e outros cinco municípios da região (Joanópolis, Nazaré Paulista, Pinhalzinho, Piracaia e Vargem) integram o programa.

Além disso, a Sabesp passou a abastecer bairros que antes eram atendidos pelo Cantareira com água dos sistemas Guarapiranga e Alto Tietê. A companhia adotou ainda diversas ações de gestão operacional, que contribuíram para baixar o consumo de água.

A Sabesp informa que a redução no consumo de água evita o rodízio ou racionamento e exemplifica: “Em março, a produção no Sistema Cantareira caiu 4.120 litros por segundo. Sem o apoio da população e as medidas adotadas pela Sabesp, isso só seria conseguido com um rodízio de dois dias com água e um dia sem água. Em abril, a queda no consumo em relação a fevereiro foi de 6.570 litros por segundo. Sem a adesão ao bônus e a integração de sistemas, isso só ocorreria com um rodízio de dois dias com água e dois dias sem água. Em maio, a redução no consumo foi de 8.590 litros a cada segundo. Sem bônus nem medidas da Sabesp, isso só seria possível se a população atendida pelo Cantareira ficasse um dia e meio com água e três dias inteiros sem água”.

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