Fotos: Shel Almeida
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Saúde

Há 18 anos, ABCC realiza trabalho de excelência no atendimento de pacientes com câncer

Instituição apoia gratuitamente mulheres e homens no tratamento da doença, com equipe multiprofissional e equipamento de ponta

Outubro é o mês em que todas as atenções estão voltadas à campanha de cons-cientização e prevenção do câncer de mama. O Outubro Rosa aconteceu pela primeira vez no Brasil em 2002 e está próximo de completar 20 anos. Mas o movimento foi tão bem incorporado ao calendário nacional que parece que existe há muito mais tempo.

Quem também está se aproximando das duas décadas de atividades – foi criada no ano seguinte à campanha chegar ao país – é a ABCC (Associação Bragantina de Combate ao Câncer). E, ao contrário do que muita gente imagina, o trabalho da instituição não se dedica apenas ao câncer de mama e às mulheres. Ali são também há atendimento para homens e para pacientes com outros tipos da doença. 

O Jornal Em Dia esteve na sede da ABCC e conversou com a fundadora Rita Valle e com a atual presidente, Wadad Naief Kattar. Confira como foi. 

 

MUITO ALÉM DE OUTUBRO

Fundada em 2003, por Rita Valle, Antônio de Pádua Oliveira Mello, Maria Cristina Valle Aschenbach e alguns amigos, a ABCC se tornou referência em Bra-gança e na região como instituição de apoio a pacientes com câncer.

Desde 2013, a instituição funciona na sede que fica na Rua Dom Aguirre, em um terreno que foi doado em 2008, cuja obra de construção do prédio começou em 2009. Formada por colaboradores e voluntários, a equipe da ABCC acolhe e escuta as necessidades dos pacientes e, a partir disso, realiza um cadastro e elabora um relatório social, a fim de dar início ao atendimento. 

A missão da associação é a de dar apoio a pessoas com câncer e seus familiares, principalmente aquelas em situação de vulnerabi-lidade social, minimizando suas dificuldades por meio de trabalho humanizado realizado pela equipe multi-profissional e pelo volunta-riado. 

Além disso, atua com apoio de diversas parcerias. Uma delas é realizada desde 2004, no Centro de On-cologia do Husf (Hospital Universitário São Francisco na Providência de Deus), onde voluntárias acompanham pacientes e familiares durante o tratamento da doença. Para esse acompanhamento, as voluntárias recebem treinamento prévio para que possam oferecer um atendimento humanizado. 

“A ABCC atende, principalmente, aos pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde). Por conta da pandemia, o acompanhamento no Husf precisou ser interrompido, mas será retomado no início de 2022. Atendemos homens também. E muitas mulheres chegam até nós depois de um diagnóstico de câncer no ovário ou no útero”, explica Wadad.    

Entre os serviços oferecidos gratuitamente e de forma individualizada aos pacientes, estão atendimento psicológico, fisioterapia, nutrição, atendimento jurídico, assistência social e psico-oncologia.

A atuação da fisioterapia oncológica, por exemplo, avalia e previne o impacto da doença e dos tratamentos em relação ao aspecto funcional do paciente. Já o acompanhamento nutricional tem o objetivo de elaborar um planejamento alimentar que ofereça todos os nutrientes que ele precise. 

Há, ainda, dentro da associação, o Advocacy, que é trabalho de mobilização por meio de reivindicações que visa a influenciar os tomadores de decisões na formação e na implementação de políticas junto ao poder público e à sociedade. 

 

RESGATE DA AUTOESTIMA 

Mesmo que a ABCC não atenda apenas mulheres e que nem todas as atendidas seja pelo câncer de mama, é fato que a queda de cabelo seja um dos um dos resultados do tratamento quimioterápico, de uma forma geral. E, com isso, mulheres que já estão com a saúde fragilizada acabam com o psicológico ainda mais abalado, pois isso interfere diretamente na autoestima feminina. 

Por essa razão, um dos trabalhos mais conhecidos e difundidos pela ABCC é o da perucaria. A partir de doações de cabelo, a associação, que tem confecção própria, produz perucas de diversas cores e tonalidades para atender todos os estilos de mulheres. A responsável por esse setor é a voluntária Edna Guazzelli. É ela quem faz a triagem e separa, por cores e texturas, os cabelos doados e depois, realiza, na oficina dentro do próprio espaço da sede, todo o processo de confecção. 

De acordo com Rita, as doações são sempre bem-vindas, mas precisam seguir algumas especificações: o cabelo precisa ter, no mínimo 20 cm de comprimento e, de preferência, deve ser cortado por tamanho de mechas. E eles podem conter qualquer tipo de química, como tintura, por exemplo. 

“Recebemos doações de cabelo da comunidade e, também, temos parceria com alguns cabeleireiros. Pedimos esse tamanho mínimo porque é preciso de oito a dez metros de cabelo costurado de forma linear para poder montar uma peruca. Além disso, muito material é perdido na hora da separação e da triagem.

Por isso, é preciso vários cortes de cabelo para montar uma única peruca. É um trabalho artesanal e que tem um efeito maravilhoso no resgate da autoestima das pacientes. Para elas, ter a oportunidade de receber a peruca, é um grande diferencial.

Fazemos um comodato porque essa peruca pode retornar para a instituição, depois que terminar essa fase do tratamento”, explica Rita. Além das perucas, a ABCC também disponibiliza, às pacientes mastectomizadas, próteses mamárias, em tecido, para serem colocadas no sutiã.  

E, assim como há uma sala para a perucaria, a ABCC também tem outras equipadas para prestar os demais atendimentos que oferece, como a sala de fisioterapia.

“Recebemos um laser, um ultrassom, algumas mantas de LED. Além disso, nossa fisioterapeuta tem um estudo em plataforma vibratória para fazer drenagem e controle da dor. Os atendimentos estão sendo de tecnologia de ponta. Foi aquisição muito importante, que conseguimos por meio de um projeto que apresentamos ao Rotary”, conta Rita. 

Wadad Naief Kattar, presidente e Rita Valle, fundadora
Foto: Arquivo Pessoal

 

VOLUNTARIADO

Com a pandemia, muitas pessoas, também em sua maioria mulheres, acabaram não retornando ao volunta-riado assim que os atendimentos começaram a retomar.  Por isso, a instituição está com uma defasagem de mão de obra.

O voluntariado é compromisso e a intuição precisa de pessoal na área do bazar, na área de atendimento e acolhida. Para todos que se interessam em fazer parte dessa equipe, fazemos um cadastro. Depois, essas pessoas passam por uma entrevista com a psicóloga para sabermos se estão aptas a participar. Posteriormente, também passam por um treinamento”, fala Rita. 

Entre as atividades exer-cidas pela equipe voluntária, além das citadas pela fun-dadora, está também a separação de alimentos para a montagem de cestas básicas, por exemplo. A ABCC recebe diversas doações e muitas das pessoas atendidas passam por momentos de vulnerabilidade social, que se agravou ainda mais com a pandemia. “Nós doamos as cestas e entregamos também. Por isso, homens também são bem-vindos como voluntários”, diz Wadad. 

Para ser voluntário da associação, é preciso ter mais de 18 anos, dispor no mínimo de quatro horas semanais dentro do horário comercial (segunda a sexta-feira, entre 9h e 18h), ter comprometimento, respeitando os dias e horários combinados e ser entrevistado e aprovado pela coordenadora do voluntariado.

COMO COLABORAR

Além de poder colaborar sendo voluntário da instituição, existem diversas outras maneiras de ajudar. A mais conhecida é o bazar, que conta com vestuário de roupas femininas, masculinas e infantis, assim como bijuterias, brinquedos, CDs, DVDs entre outros itens de doação. 

Também é possível doar alimentos para a montagem das cestas básicas e cabelo, para a confecção de perucas. 

Além disso, é possível fazer doações em dinheiro, por transferência bancária no Banco do Brasil, agência: 0167-8, conta corrente: 20595-8 e CNPJ: 06012297/0001-91, ou por pix, com a chave: 06012297000191. 

Para mais informações, é possível entrar em contato pelo número: (11) 9 4267-5781. No site http://abccbraganca. org.br/, também é possível saber mais sobre o trabalho da instituição. 

Anabel Alves, farmacêtica; Edna Guazzeli, responsável pela perucaria; Giovana Gonçalves, estagiária de gerontologia e Grasielli Roberta da Silva, assistente administrativa

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