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SUB-VERSÃO

Hasta luego, compañero!

Foto: Ricardo Stuckert

“O impossível custa um pouco mais, e derrotados são só aqueles que baixam os braços e se rendem. A vida pode te dar mil tropeçadas em todas as áreas: no amor, no trabalho, na aventura do que você está pensando, nos sonhos que você pensa em concretizar. Mas uma e mil vezes você ganha forças para se levantar e recomeçar, porque o importante é o caminho. Não há meta, não há Arco do Triunfo, não há Paraíso que nos receba, não há odaliscas que vão te receber porque você morreu na guerra, não. Você ficou, ponto final. O que existe é outra coisa: é a beleza de viver a vida ao máximo, de amar a vida em qualquer circunstância e lutar por ela, e tentar passá-la adiante. Porque a vida não é só receber; é acima de tudo dar algo do que temos, e não importa o quão ferrado você esteja, você sempre tem algo para dar aos outros.” (Pepe Mujica)

Há homens cuja passagem por esse mundo é medíocre. Há outros, no entanto, cuja existência por si só já é suficiente para mudar o curso da História e o mais importante, a visão de mundo de milhares de outros homens. José Alberto Mujica Cordano foi um deles.

         Visto como um pobre louco por muitos, o uruguaio ousou viver a liberdade, liberdade de seguir seus princípios. Liberdade essa que lhe custou caro, se temos em vista sua peculiar noção de valor, afinal, essa sua incessante busca por liberdade para si e para sua nação, custou-lhe longos quatorze anos de prisão. Custou-lhe a tortura e todas as violências imundas de que ela é capaz. Custou-lhe a dor do abandono, a dor que seu desaparecimento causou à sua amada mãe, a quem recebeu com um vaso de flores, quando, finalmente, deixou o cárcere.

Mujica via uma beleza extraordinária na vida e no fato de podermos desfrutá-la com simplicidade verdadeira, quem, se não uma alma das mais sensíveis, faria de um penico um vaso de flor? Pensar a beleza diante do horror é algo que só alguém da grandiosidade dele seria capaz.

         Mas por que não se pode aprisionar uma mente, nem tampouco um espírito forte e resignado como o dele, saiu ainda mais convicto de seus ideais. Sua inteligência lhe proporcionou momentos menos entediantes na cadeia, pois foi capaz de jogar xadrez e comunicar-se com seus companheiros através de uma espécie de código Morse inventado. Não, não se pode aprisionar uma mente!

         Era preciso derrotar a ditadura cruel que assolava o Uruguai, era preciso lutar, até as últimas consequências contra a falta de liberdade. E sua luta continuou, com a mesma bravura até o fim de sua vida. Presidente eleito, seguiu levando uma vida modesta, e de fato não sei se esse é o adjetivo mais adequado para seu estilo de vida. Pepe vivia! Era isso! Ele vivia e não se permitia corromper por qualquer ilusão de poder ou posse. Tinha tudo o que precisava, precisava de pouco.

Um câncer no esôfago finalmente o arrebatou. Foi-se o homem cuja vida foi dedicada à luta por uma vida mais justa e plena para todos os homens. Fica o legado de absurda coragem e gana de viver.

Mas que vida viveu! Uma vida que valeu a pena ser vivida. Uma vida vivida com ideal e paixão. Uma vida dedicada ao trabalho duro, sim, mas também aos afetos. O afeto que nutria por toda a humanidade e pela ideia de que a vida é uma grande aventura o motivaram e guiaram até o fim. Mas por que homens da estatura de Pepe não morrem, talvez esse não seja verdadeiramente o fim. Sua semente foi plantada no solo fértil da América Latina e certamente florescerá.

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