Nessa semana, a possibilidade de se mudar novamente o horário das sessões ordinárias da Câmara Municipal voltou a ser discutida. Até o mandato passado, os vereadores se reuniam às 20h. Com a aprovação de um projeto de resolução, de iniciativa dos vereadores Miguel Lopes, Mário B. Silva, Régis Lemos, Tião do Fórum, Luiz Sperendio e José Gabriel Cintra Gonçalves, em agosto de 2011, as reuniões passaram a ser às 16h, mas apenas a partir deste novo mandato.
Mal a nova legislatura começou e alguns vereadores, que quando concorreram ao cargo estavam cientes do horário das sessões, já se manifestam na tentativa de alterar a hora de início das reuniões semanais.
O argumento principal utilizado para defender a nova mudança de horário é que a população está impedida de participar, considerando-se o expediente comercial. Assim, os vereadores sinalizam mudar o início das sessões para as 18h.
O Jornal Em Dia acompanha as sessões da Câmara desde sua fundação, ou seja, há dez anos. Assim, podemos dizer que a população nunca teve participação maciça e assídua nas reuniões. É verdade que a Casa de Leis bragantina já esteve lotada em muitas ocasiões, porém, sempre que isso ocorreu havia um projeto ou alguém inscrito na Tribuna que justificasse a presença de determinados grupos. Isso é comprovado pelo fato de que a plateia se esvazia sempre que o projeto acaba de ser votado ou que o manifestante deixa a Tribuna.
É uma pena, é verdade, mas é o hábito da população.
No horário atual e com o número de vereadores superior ao do mandato passado, as reuniões têm durado, geralmente, quatro horas. A última sessão chegou a cinco. Assim, os trabalhos avançam até por volta das 20h. Se a população realmente quisesse participar das sessões, se faria presente assim que pudesse, mesmo que fosse para acompanhar a parte final dos trabalhos. Mas não é isso que vem ocorrendo. Nas sessões deste ano, observa-se que o público é maior no início dos encontros, e não no fim.
A defesa de um horário em que o público possa ser maior no Legislativo bragantino é legítima, desde que haja efetiva participação, o que não está ocorrendo. Aliás, enquanto as sessões eram às 20h, nos mandatos anteriores, a população também não participava, como já dissemos. A participação só existe quando há algum interesse próprio envolvido, isso é o que nos mostra a história.
E, falando em interesse próprio, este parece ser o motivo real de alguns vereadores quererem alterar o horário da sessão. Interesse pessoal, para ajuste de compromissos. Isso foi o que o vereador Miguel Lopes sinalizou em uma sessão, ao afirmar que espera que a proposta de mudança, revestida com o argumento de que então a população poderá participar das sessões, não esteja, na verdade, camuflando o interesse no ajuste do horário para um ou dois vereadores, devido a compromissos que esses têm.
Também esperamos por isso. Afinal, o exercício do mandato de vereador não pode ser tratado de forma secundária.
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