Mais uma escola em Bragança passa a oferecer ensino integral e ao menos cinco unidades entram na reorganização

Salim Andraus Júnior contou quais as escolas que deverão passar por mudanças e ainda anunciou que em 2016 mais uma unidade passa a atender em tempo integral na cidade

 

Nessa semana, o governo estadual anunciou que vai ampliar o número de escolas que atendem alunos de apenas um ciclo. Com isso, professores e pais de alunos começaram a se preocupar com o ano letivo de 2016, quando as mudanças já começam a valer.

A fim de esclarecer as alterações propostas, o Jornal Em Dia conversou, no fim da tarde de sexta-feira, 25, com o dirigente regional de ensino de Bragança Paulista, Salim Andraus Júnior.

Salim esteve em São Paulo nos dias 22 e 23 de setembro, assim como outros dirigentes regionais do estado, com a finalidade de tomar conhecimento das alterações e para quais unidades elas estão sendo propostas.

De volta a Bragança, ele convocou para sexta-feira, 25, uma reunião com os diretores de todas as escolas de Bragança e das cidades que fazem parte da diretoria de ensino. Esse encontro durou a tarde toda e, após, Salim atendeu a reportagem.

Inicialmente, ele explicou que o governo estadual constatou, ao longo dos últimos 17 anos, uma perda de dois milhões de alunos na rede de ensino. “A rede pública estadual está preparada para receber seis milhões de alunos, mas estamos recebendo quatro milhões”, apontou.

Além disso, Salim disse que é preciso levar em consideração que 90% dos prédios escolares da rede pública foram construídos no século passado e alguns durante o movimento da universalização da educação. “Então, os prédios escolares precisam estar adequados aos alunos”, observou.

O dirigente regional de ensino acrescentou que a reorganização proposta vai possibilitar que escolas do Ciclo 3 (Ensino Médio) ofereçam carteiras mais adequadas, recursos pedagógicos, laboratórios aos jovens e que as do Ciclo 1 (1º ao 5º ano do Ensino Fundamental) possam contar com playgrounds, algo mais próximo da idade de seus alunos. Bragança Paulista não conta com unidades escolares do Ciclo 1 na rede estadual, mas Socorro, Nazaré Paulista e Atibaia, que também integram a Diretoria Regional de Ensino, sim.

Outro aspecto que a reorganização da rede estadual está levando em conta é a demanda dos municípios por creches, pré-escolas, Etecs (Escolas Técnicas Estaduais) e Fatecs (Faculdades de Tecnologia). De acordo com Salim, “tendo escolas disponíveis, o governo vai ceder para os municípios atenderem sua demanda. Se isso não ocorrer na nossa região, poderá ocorrer em outras, porque tem regiões muito congestionadas”.

A intenção do governo estadual é que os alunos tenham de se deslocar a um raio de no máximo 1,5 km de suas casas. Assim, Salim destacou a necessidade e a importância de os pais informarem os dados corretos, especialmente com relação ao endereço, e os manterem atualizados nas escolas de seus filhos.

“A reorganização é o foco no aluno. Qual é o nosso sonho como educador? Que o aluno aprenda. Então, tenho muita esperança porque nós sonhamos com a escola de tempo integral. O governo do estado implantou. Nós sonhamos com essa tentativa de melhorar a educação, um resgate. Todo mundo diz que a escola piorou quando todos chegaram à escola, mas este é o papel da escola pública, todos têm direito e todos deveriam ter uma boa escola pública”, considerou o dirigente.

ESCOLAS PREVISTAS PARA PASSAREM POR ALTERAÇÕES

Conforme explicou Salim Andraus Júnior, na Diretoria Regional de Ensino de Bragança Paulista, 14 unidades escolares estão na lista da Secretaria de Estado da Educação para passarem a atender apenas um ciclo: cinco em Bragança, seis em Atibaia e três em Socorro.

Inicialmente, a secretaria fez uma lista para cada diretoria de ensino apontando quais escolas passariam pela alteração. Os dirigentes regionais ficaram incumbidos de trazer essas listas e discuti-las com os diretores de escolas e isso que está começando a ser feito. “A reorganização precisará acontecer, mas não é para criar nenhum conflito maior do que já é previsto. A diretoria tem a liberdade de poder verificar se as mudanças são possíveis”, disse Salim.

A lista que veio da secretaria aponta as Escolas Estaduais Cásper Líbero, José Nantala Bádue, Eemaba (Ministro Alcindo Bueno de Assis), Dom José Maurício da Rocha e Maria José Moraes Salles, em Bragança Paulista, como as que estão incluídas nas mudanças. Em Atibaia, a lista inclui as unidades: Francisco de Aguiar Peçanha, Estudante Edinaldo Aparecido Salles, Professora Maria Cecília Teixeira Pinto, José Pires Alvim, Professora Aracy Bueno Conti e Professor Gabriel da Silva. Já em Socorro, estão na lista as Escolas Estaduais Helena Bonfá, Narciso Pieroni e José Franco Craveiro.

Analisando a situação de Bragança Paulista, Salim disse que é possível que as escolas Professora Mathilde Teixeira de Moraes e Sílvio de Carvalho Pinto também sejam incluídas na reorganização, uma ficando com o Ensino Fundamental e outra com o Médio.

Já a Cásper Líbero veio com uma sugestão de oferecer apenas o Ensino Fundamental, mas como tem tradição de Ensino Médio, a Diretoria de Ensino vai encaminhar a São Paulo a proposta de que o Ensino Fundamental seja oferecido na Escola José Guilherme e a Cásper Líbero possa ficar apenas com o Médio.

Na Eemaba, Salim disse que a proposta é que, em 2016, seja oferecido o 9º ano do Fundamental e o Ensino Médio. A opção de Ensino Fundamental para os alunos que hoje estudam na Eemaba seria a Escola Ismael Aguiar Leme, que ficaria apenas com esse ciclo.

A EE Maria José Moraes Salles não deve passar por alterações porque veio com proposta de atender apenas o Ensino Médio, mas já é isso que acontece atualmente. A unidade oferece ensino em tempo integral.

“Eu tenho acreditado muito nisso. Esta é uma esperança que tenho, a escola, a educação, ela nos tira do estado de ignorância, de julgamento precoce, me mostra outros mundos mesmo que eu não possa estar lá. Ela abre caminhos. Não posso dizer que ficarei rico, mas poderei peregrinar por outros caminhos. Tenho esse encanto pela educação”, afirmou o dirigente regional de ensino, em defesa da reorganização que está sendo proposta.

Salim ainda enfatizou que os pais que tiverem dúvidas podem procurar o plantão da supervisão na Diretoria de Ensino, enviar um e-mail para: debpt@educacao.sp.gov.br ou telefonar para: (11) 4034-7722. “Quero deixar claríssimo que nenhuma das escolas serão fechadas”, garantiu o dirigente.

PERDA DE FUNÇÃO POR PARTE DOS FUNCIONÁRIOS

Com o anúncio da reorganização da rede estadual, alguns rumores sobre perda de funções por parte de servidores da rede também começaram a surgir.

O Jornal Em Dia questionou Salim sobre o assunto. “Em nenhum momento foi falado em fechar diretorias de ensino ou diminuir um módulo e devolver as pessoas afastadas aqui no núcleo pedagógico para as escolas. O momento agora é a reorganização. Não se disse em acabar com professor mediador, com professor que esteja na sala de leitura, com professor coordenador, com professor coordenador do núcleo pedagógico, não se ventilou isso na reunião”, afirmou o dirigente regional.

Salim alertou, porém, que há duas questões que devem ser levadas em consideração. A primeira é que escolas que hoje têm dois ciclos, Fundamental e Médio, possuem dois coordenadores, um para cada ciclo. “Se a unidade vira Ensino Fundamental e ela não tiver o número de classes previsto na legislação, um coordenador cai, o que é normal. É um governo preocupado com as finanças do estado, em pagar corretamente o nosso salário e, não podemos perder o foco, que é proporcionar uma educação boa para essas crianças”, declarou.

A outra questão que tem de ser analisada, informou Salim, é que a rede estadual tem dois milhões de alunos a menos nas salas de aula. Por outro lado, aumentou o número de professores. “Então, onde estão esses professores contratados a mais? Têm de estar em sala de aula. Mas isso só vamos estudar depois que a diretoria estiver reorganizada. Então, neste momento, não se falou (em perda de funções) e não é esse o objetivo principal. Estou reproduzindo o que ouvi em São Paulo nos dias 22 e 23, a reorganização é num contexto de adequação à realidade atual, à perda de alunos, por vários fatores, estamos envelhecendo mais do que nascendo, e precisamos manter o foco no aluno”, avaliou, afirmando que os direitos dos professores serão garantidos, apesar de alguns acabarem tendo de mudar o endereço de trabalho.

ENSINO INTEGRAL

O dirigente regional também comentou sobre o ensino em tempo integral. Bragança Paulista tem a Escola Estadual Maria José Moraes Salles com esse modelo. A unidade oferece o Ensino Médio.

Para 2016, a novidade é que a Escola Estadual Luiz Roberto Pinheiro Alegretti também passará a oferecer aulas em tempo integral, no Ensino Fundamental e Médio.

“Vejo que São Paulo, que é um dos estados mais ricos da federação, precisa ter a coragem de fazer isso. Eu acredito que muitas coisas dependem do governo e ele está fazendo a parte dele, e outras estão nas nossas mãos de educadores, para darmos um ensino de qualidade, e também da família. Aluno, professor e família, é um tripé. Não adianta falar que a escola é ruim, vamos ajudá-la a melhorar. Desejo de coração que a gente consiga fazer isso”, concluiu Salim, referindo-se à reorganização proposta.

Você pode compartilhar essa notícia!

0 Comentários

Deixe um comentário


CAPTCHA Image
Reload Image