Moradores do Jardim Nogueira invadem casas do Bragança F2

Sábado foi de tensão até o meio da tarde, quando os invasores concordaram em sair pacificamente. Prefeitura ainda cedeu caminhões para levar de volta ao Jardim Nogueira os pertences dos invasores

 

Moradores da área invadida ao lado do Green Park, conhecida como Jardim Nogueira, invadiram, na madrugada desse sábado, 29, casas do Conjunto Habitacional Bragança F2, na região da Henedina Cortez. Após muita conversa com funcionários da Prefeitura, conselheiras tutelares e assistente social, as famílias concordaram em deixar o local pacificamente e voltar para o Jardim Nogueira.

A invasão se deu, conforme relato dos próprios invasores, porque o prazo para a última fase de demolição no Jardim Nogueira está chegando, acontecerá no dia 7 de abril. As famílias alegam não terem para onde ir, por isso, a opção foi invadir as casas do Bragança F2, onde algumas unidades estão praticamente finalizadas, restando apenas alguns retoques.

Desde a manhã desse sábado, funcionários da Prefeitura se dirigiram para o local, apoiados por policiais militares, guardas municipais e conselheiros tutelares. O chefe da Divisão de Habitação, Márcio Barros, se reuniu com dois moradores que tentaram intermediar uma negociação. A eles, foi explicado que as casas do Bragança F2, apesar de ainda não terem sido entregues, têm pessoas já contempladas e que foram sorteadas há 12 anos. Assim, que a permanência deles não seria permitida. Caso houvesse insistência, reforço policial seria acionado e as crianças presentes teriam de ser recolhidas a abrigos, a fim de que ficassem protegidas de eventual conflito.

O Jornal Em Dia e o repórter da Rádio Bragança, Bruno Mendes, acompanharam a conversa de Genivaldo Ribeiro da Calçada e Marinho com os demais invasores. Apesar de explicarem tudo o que poderia ocorrer caso insistissem na invasão do Bragança F2, as famílias resistiram, mostraram-se irredutíveis, inclusive duvidando que seus filhos e netos pudessem ser retirados num possível confronto com as forças policiais.

Genivaldo e Marinho voltaram e deram a notícia aos policiais, guardas e funcionários da Prefeitura, que, então, informaram que iriam aguardar ordem judicial para desocupar a área.

Conselheiras tutelares e uma assistente social da Prefeitura ainda tentaram conversar com os invasores e sensibilizá-los a deixar o local pacificamente. Ofereceram caminhões para o transporte dos pertences de volta ao Jardim Nogueira e informaram que caso eles permanecessem no Bragança F2 perderiam o direito ao benefício de auxílio financeiro que será dado pela Prefeitura.

As perguntas que eram feitas por parte dos invasores eram sempre relacionadas ao que fariam quando chegasse o dia da demolição de todos os imóveis no Jardim Nogueira e para onde iriam. Uma das conselheiras explicou que o Conselho Tutelar protege os menores de 18 anos e que os maiores têm de responder por si.

Os invasores afirmavam, ainda, não estarem preocupados com o auxílio financeiro da Prefeitura, até porque alegam que ele é insuficiente para custear um aluguel, e ameaçavam invadir outros locais, como a antiga fábrica Austin, as casas do Bragança L.U. ou construir novas moradias no próprio Jardim Nogueira.

Sem acordo, os invasores voltaram para as casas invadidas e os funcionários da Prefeitura para o barracão existente no local devido à obra. Era por volta do meio-dia e aguardava-se que a ordem judicial para a desocupação da área saísse para que, então, reforço policial pudesse ser acionado e auxiliasse na retirada das famílias.

Então, foi informado que outra família estaria tentando invadir uma unidade do outro lado do conjunto habitacional, mas a ação foi logo coibida pela Polícia Militar e Guarda Municipal.

Por volta das 14h, após insistente tentativa das conselheiras tutelares e assistente social em convencer os invasores a sair, elas lograram êxito. Mães e crianças foram levadas pelo Conselho Tutelar de volta ao Jardim Nogueira. Em seguida, caminhões da Prefeitura ficaram à disposição das famílias para transportar seus pertences. Elas sequer precisaram carregar os itens porque isso foi feito por funcionários da Secretaria Municipal de Serviços.

A partir desse horário, o reforço policial também chegou. Dezenas de guardas municipais, agentes de trânsito e policiais militares compareceram ao local para garantir a segurança de todos.

A estimativa dada por Genivaldo, no início da manhã de sábado, é que 30 famílias tenham invadido as casas do Bragança F2.

O Jornal Em Dia deixou o local por volta das 15h, quando a maioria das famílias já havia saído ou estava prestes a fazer isso. O chefe da Divisão de Habitação, Márcio Barros, resumiu a ação desse sábado como a “vitória da conciliação”. Ele lamentou o ocorrido, mas se disse satisfeito pelo problema ter sido resolvido pacificamente.

Questionado sobre a possibilidade de outras invasões, Márcio disse que a Prefeitura mostrou que tem poder de mobilização de funcionários e forças policiais e, assim, fará novamente isso caso seja necessário.

Na manhã desta segunda-feira, 31, nova reunião entre a Prefeitura e moradores do Jardim Nogueira será realizada. A intenção é, de acordo com o chefe da Divisão de Habitação, intermediar a procura por casas de aluguel para que as famílias possam encontrá-las a tempo de desocupar a área do Jardim Nogueira até o dia 4 de abril, prazo estipulado como condição para que elas recebam o auxílio financeiro da Prefeitura no valor de R$ 1.800,00.

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