Evangelho de São Marcos 7, 31-37
23º domingo do Tempo Comum - Ano B – Naquele tempo, 31Jesus saiu de novo da região de Tiro passou por Sidônia e continuou até o mar da Galileia, atravessando a região da Decápole. 32Trouxeram então um homem surdo, que falava com dificuldade, e pediram que Jesus lhe impusesse a mão. 33Jesus afastou-se com o homem, para fora da multidão; em seguida, colocou os dedos nos seus ouvidos, cuspiu e, com a saliva, tocou a língua dele. 34Olhando para o céu, suspirou e disse: “Efatá!”, que quer dizer “abre-te!” 35Imediatamente seus ouvidos se abriram, sua língua se soltou e ele começou a falar sem dificuldade. 36Jesus recomendou com insistência que não contassem a ninguém. Mas, quanto mais ele recomendava, mais eles divulgavam. 37Muito impressionados, diziam: “Ele tem feito bem todas as coisas: aos surdos faz ouvir e aos mudos falar”. - Palavra da salvação.
“Jesus saiu de novo da região de Tiro passou por Sidônia e continuou até o mar da Galileia, atravessando a região da Decápole”. Ao escrever o Evangelho, são Marcos tinha duas grandes preocupações. A primeira é dizer quem é Jesus: Ele é o Filho de Deus. A segunda é dizer para quais pessoas Jesus veio ao mundo. Ao nascer no meio do povo judeu, como havia sido anunciado pelos profetas, Jesus vem iniciar seu projeto de salvação para o povo judeu, povo escolhido por Deus desde Abraão. Esta salvação, contudo, não se limita a apenas um povo. Ela é ampla, dirigida a todos os povos. Por isso o evangelista narra a passagem de Jesus por regiões pagãs como Tiro e Sidônia e atende ao pedido daquela gente, curando o homem surdo. O pecado de Adão e Eva se estendeu a toda a humanidade. A vinda de Jesus ao mundo e seu sacrifício na cruz beneficia a todos sem distinção de pátria porque todos são filhos de Deus. Se de Adão todos herdam o pecado original, de Jesus Cristo todos recebem a salvação, como diz são Paulo: “Com efeito, se por um homem veio a morte, por um homem vem a ressurreição dos mortos. Assim como em Adão todos morrem, assim em Cristo todos reviverão” (1Cor 15, 21-22).
“Jesus tem feito bem todas as coisas”. Esta afirmação veio do povo do tempo de Jesus. O mesmo povo que corria ao seu encontro pedindo que ele realizasse algum milagre. E Jesus atendia seus pedidos porque veio por determinação de Deus-Pai, cuja vontade era apresentar a todo o povo a sua palavra de amor e a sua norma de salvação. O profeta Isaías, no século VIII antes de Cristo, já havia anunciado a vinda de Jesus e suas realizações: “Dizei às pessoas deprimidas: criai ânimo, não tenhais medo! Vede, é vosso Deus, é a recompensa de Deus; é ele que vem para vos salvar. Então se abrirão os olhos dos cegos e se descerrarão os ouvidos dos surdos. O coxo saltará como um cervo e se desatará a língua dos mudos, assim como brotarão águas no deserto e jorrarão torrentes no ermo” (Is 35, 4-6). Jesus cumpriu sua missão e voltou para o céu. Os tempos mudaram. O povo, contudo, continua o mesmo. Muitos estão afastados de Deus. E a maioria julga difícil seguir a palavra de amor e a norma de salvação que Jesus trouxe ao mundo. O pecado é o mesmo. Entra século e sai século e continuamos cometendo as mesmas faltas. Continuamos com o nosso coração duro e não aprendemos a amar o nosso irmão, conforme as regras de Deus. Por isso não recebemos as graças, os milagres divinos. Continuamos a ser aquelas pessoas que louvam a Deus com palavras, mas nosso coração está longe, distante de cumprir realmente aquilo que Deus quer. E a vontade de Deus é tão simples: “Antes seja o vosso sim, sim, e o vosso não, não, a fim de não incorrerdes em julgamento” (Tg 5, 12). Dizer a verdade é dever de todo cristão: “Se permanecerdes na minha palavra, sereis meus discípulos e conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (Jo 8, 32). Em outra passagem do Evangelho Jesus diz: “Pedi e recebereis” (Jo 16, 24). Precisamos fazer como as pessoas do tempo de Jesus: ir atrás dele e pedir que imponha suas mãos sobre nós, sobre nossos filhos, sobre a pessoa que queremos que ele, Jesus, cure. Anime-se quem está em dificuldade, quem tem algum problema de saúde, ou tem algum parente doente; não tenha medo, toque em Jesus, peça-lhe que toque em você ou na pessoa pela qual você pede. Jesus é perdão, Jesus é misericórdia, Jesus vai atender o pedido que sai de dentro do seu coração, porque Ele renova todas as coisas, porque Ele renova todas as pessoas. E, nesta ação renovadora, livra-nos da opressão a que estamos submetidos pelas nossas deficiências físicas, intelectuais e profissionais. Abrindo nossos olhos, destampando nossos ouvidos, curando nossas pernas, Jesus nos liberta das amarras sociais que nos privam do direito à vida. Devolve-nos os meios para desfrutar dos bens universais e condena toda a ação que escraviza o ser humano e o torna incapaz de lutar pelos seus direitos. E, nessa confiança, devemos anunciar os feitos de Jesus a todos, dando testemunho, e repetir como aquele povo: “Jesus tem feito bem todas as coisas”.
Paulo Trujillo Moreno é professor, bacharel em direito, formado em Teologia para leigos e participante das Pastorais Familiar e Litúrgica.
***
Siga o JORNAL EM DIA BRAGANÇA no Instagram: https://instagram.com/jornalemdia_braganca e no Facebook: Jornal Em Dia
Receba as notícias no seu WhatsApp pelo link: https://chat.whatsapp.com/Bo0bb5NSBxg5XOpC5ypb9D
0 Comentários