O cara! Será?

Na última semana, caros leitores, vocês acompanharam a veiculação de reportagem a respeito da visita do governador Geraldo Alckmin a Bragança Paulista. Além de inaugurar espaço no Husf (Hospital Universitário São Francisco), ao qual destinou verbas para as obras, ele anunciou muitos investimentos para a cidade e região. Mas não é possível deixar que o fato passe para a memória da população como se fosse um grande favor do governador aos bragantinos.

Não, antes disso, podemos falar em retribuição. Isso sim, pelos milhares de votos que Alckmin recebeu de Bragança e de municípios vizinhos na eleição de 2010 e que o elegeram com mais da metade dos votos válidos. Escolher em que empregar os recursos do estado é tarefa do governador. Ele e sua equipe podem escolher fazer ou não fazer determinadas obras, implantar ou não programas. Mas é importante ressaltar que os recursos usados são compostos por impostos que todos nós pagamos e, assim, nada mais justo que melhorias nos sejam destinadas.

Ah, e cabe registrar que por mais que os vereadores e deputados reivindiquem, está nas mãos dos chefes dos Executivos, seja na esfera municipal, estadual ou federal, a execução de obras e projetos. São eles os donos das canetas.

Mas, voltando à visita do governador, vale a pena esclarecer que o Poupatempo, anunciado para ser implantado na cidade até maio do ano que vem, mas com estimativa de funcionamento ainda para este ano, funcionará graças a uma parceria com a Prefeitura local. O estado arcará com os funcionários, equipamentos, mas o aluguel do prédio em que o serviço vai funcionar será pago pelo município. Não é à toa que o governador agradeceu ao prefeito Fernão Dias pela “boa parceria”. Afinal, têm-se notícia que o custo do aluguel chegará a cerca de R$ 30 mil por mês.

E apesar dos investimentos anunciados por Alckmin a Bragança e região e apesar de o PSDB governar o estado há pelo menos 19 anos, ainda integramos a segunda região mais pobre do estado mais rico do país, mais rico até que a Argentina. Notem que paradoxo.

Além disso, há cerca de quatro anos, um assunto vem pautando discussões na cidade e, recentemente, movimentou representantes de municípios vizinhos que, em uníssono, reclamaram da atuação da Sabesp. Ora, a companhia é, em sua maioria, pertencente ao estado, o que nos faz constatar que o governador e os chefes do Executivo estadual anteriores são coniventes com as ações da Sabesp no estado, com a poluição ambiental que a companhia provocou aos mananciais, despejando - e ainda despeja - esgoto in natura nos cursos d’água. E não há que se falar sobre a construção de estações de tratamento de esgoto como investimento. Elas são, na verdade, a reparação pelos danos ambientais causados, uma obrigação da Sabesp em todos os municípios em que atua.

Outro problema antigo e que poderia já ter sido resolvido pelo governador é o caso do IML (Instituto Médico Legal) de Bragança Paulista, que atende a região. A situação precária não é recente. O prédio está condenado e apenas um médico legista atua no local, faz plantão de 24 horas, de segunda a sexta-feira. Como os laudos não estão atrasados, devido à dedicação dos funcionários, o governo do estado parece não dar atenção ao problema.

Assim também faz com relação à falta de efetivo da Polícia Militar na região. Os índices de criminalidade são positivos, então, não são destinados novos policiais para o nosso batalhão.

Observando o modo de atuar dos governos, e aqui não restringimos nosso comentário apenas ao estadual, os eleitores devem se atentar para uma prática comum, a de fracionar benfeitorias, a fim de ter o que mostrar à população nessas épocas, que antecedem os pleitos.

Os eleitores só não podem se ludibriar ao ouvir esses anúncios de melhorias e achar que um governante é “O cara” só porque fez isso ou aquilo. É importante lembrar que além de não fazerem nada com dinheiro do bolso, eles ganham para ocupar os cargos em que foram eleitos. E se uma cidade, uma região, elegeu determinado político, é legítimo que cobre dele todas as melhorias que julgar necessárias.

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