Olhos Grandes

“A alegria não chega apenas no encontro do achado, mas faz parte do processo da busca. E ensinar e aprender não pode dar-se fora da procura, fora da boniteza e da alegria”.

[Paulo Freire]

 

Tenho olhos grandes. Grandes e míopes. E apesar de essa foto aí ao lado não deixar transparecer muito, sim, eles são grandes.  Há até quem, carinhosamente, me chame “Zoiuda”, e isso desde a infância.

Eu sempre fui, aliás, sou até hoje, aquele tipo impertinente de criança curiosa, com olhinhos vivos e desejosos de desbravar o mundo e sua beleza.

Eu continuo essa criança apesar do passar do tempo, uma criança “zoiuda” e impertinente. Daí a eu causar algum desconforto em algumas pessoas. Daí a eu não me ajustar muito bem a algumas situações que o mundo, assim como anda, desumano e desumanizador, me impõe.

E por ser, além de zoiuda, ser também míope, é que costumo dizer, usando toda minha licença poética, que enxergo as coisas todas distorcidas, mas é um grau de distorção que lente alguma ajusta. Não, eu não enxergo como a maioria.

É uma espécie de miopia esquizofrênica que me permite ver o mundo e as pessoas sob uma ótica muitíssimo particular. Sempre foi assim e meu desejo mais sincero é que continue a ser. Deve ser sintoma de poesia crônica, mas o fato é que nunca, nunca consegui ver as coisas como dizem que elas são.

E não imagine você, leitor, que essa minha condição me seja cômoda, muito pelo contrário, é dureza enxergar diferente. É subversão pura! E para toda subversão há um preço a se pagar, caro, às vezes. Mas... fazer o quê?

Mudar minha essência é que eu não vou, porque (esqueci de mencionar), além de zoiuda, sou teimosa e persistente. Meu Deus! Já não me bastava ter feito mulher, foi ainda me fazer poeta...

Grata sou ao Eterno por esses meus olhões...

Ah, tenho visto tanta beleza por meio deles. Minha alma tem contemplado a vida de uma forma tão singular através deles. São episódios que poderiam passar despercebidos, mas que minhas retinas captam e guardam para sempre na memória dos meus afetos.

São cenas como as que tive o privilégio de presenciar durante essa semana, quando levei meus alunos para uma visita à sede desse jornal que os senhores agora leem. O que meus olhos viram não foi apenas um grupo de alunos, guiados por uma professora de Língua Portuguesa, visitando um jornal. Não, eles viram o conceito de educação no qual acredito, tornando-se real, quase que paupável diante de si. Eles viram outros olhos, talvez não tão grandes como os meus, mas igualmente maravilhados pela ideia do novo, da beleza e do aprendizado da vida.

É assim que eu vejo a educação genuinamente, porque creio que é preciso educar também a alma, educar para a beleza, para o novo, para as experiências e vivências todas que essa nossa breve passagem por esse mundo podem nos proporcionar.

E o que vi essa semana, com esses meus olhos grandes e por vezes cansados de professora, foi mais uma vez minha fé no poder transformador da educação renovar-se, e isso por meio do simples exercício de soltar meus pequenos pássaros da gaiola e alçar com eles voo rumo à autonomia, à novidade, à beleza do mundo e das pessoas ao nosso redor.

Não, não eram alunos numa visita à sede de um jornal, simplesmente. Eram sujeitos-históricos vivenciando o que de melhor a educação tem a lhes oferecer: a possibilidade do sonho!

Obrigada a toda a equipe do Jornal Em Dia que tão atenciosamente nos recebeu esses dias. Vocês nem imaginam a experiência que puderam proporcionar aos meus queridos!

 

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