Jesus ensina a chamar Deus de Pai. Hoje, essa atitude parece normal. Na época, contudo, foi uma grande novidade, pois para aqueles povos, tanto judeus como os pagãos, Deus era um ser inatingível pelos homens. Moisés, quando Deus lhe falou, “cobriu o rosto, porque temia olhar para Deus” (Ex 3,6) e perguntando-lhe o nome ouviu “Eu sou aquele que é” (Ex 3,14). A Bíblia de Jerusalém explica que: “Deus é de tal modo transcendente que uma criatura não pode vê-lo e continuar viva” (nota de rodapé).
Ensinando seus discípulos a chamar Deus de Pai, Jesus aproxima Deus dos homens e os homens de Deus. O pai na realidade familiar é uma pessoa muito próxima, educadora e protetora. A partir deste ensino cristão, o homem passou a ver Deus de modo diferente, sentindo seu amor e experimentando a sua proteção.
A primeira palavra desta Oração do Senhor é uma bênção de adoração, antes de ser uma súplica, pois a Glória de Deus é que nós o reconheçamos como “Pai”, Deus verdadeiro (cf CIC 2781). Ao rezar a Oração Dominical, devemos ter duas disposições fundamentais: “O desejo e a vontade de assemelhar-se a Ele” e “um coração humilde e confiante” que nos faz “re-tornar à condição de crianças” (Mt 18,3), porque é aos “pequeninos” que o Pai se revela (Mt 11,25; cf CIC 2784/2785).
Ao dizer “Pai Nosso”, indicamos que esta oração tem um caráter de plural. Deus não é Deus de uma só pessoa, mas é Deus de todos que o invocam com um coração humilde, confiante e o desejo de assemelhar-se a Ele. Ao rezar esta oração, devemos nos despir dos nossos egoísmos e rancores. Deve-se elevar a alma ao Senhor Deus livre de maldades e solidária com todos que se acercam de nossa pessoa.
O Pai Nosso é a oração da solidariedade eclesial.
(continua)
Paulo Trujillo Moreno
Pastoral familiar e litúrgica da Paróquia São Benedito
Notas:
CIC – Catecismo da Igreja Católica
Ex – Livro do Êxodo
Mt – Evangelho de São Mateus
0 Comentários