Pais conseguem vencer a distância e marcar presença na vida dos filhos

Gildo Luiz Dias, mestre de obras, e Píndaro Battagin, piloto de avião, não se conhecem, moram em pontos diferentes e distantes da cidade, mas têm algo que os torna muito próximos: são dois homens que conseguem ser pai de família mesmo mantendo uma profissão que exige deles passar muito tempo fora de casa. Em comemoração ao Dia dos Pais, a equipe do Jornal Em Dia foi conhecer a história dessas duas famílias e descobrir como esses pais conseguiram driblar a barreira da distância e acompanhar cada momento do crescimento dos filhos.

 

GILDO, MESTRE DE OBRAS

 

Gildo Luiz Dias é pai de Rayla Fernanda Santos Dias, 25; Raíssa Cristina Santos Dias, 20; e Rui Barbosa de Castro Dias Neto, 17. Há 33 anos, ele trabalha no ramo de construção, tendo exercido as diversas funções, desde ajudante de pedreiro até mestre de obras, função que ele exerce há aproximadamente 20 anos.

A família morava em São Luís, no Maranhão. Na época do Plano Collor, no início da década de 90, Gildo contou que teve de vir para São Paulo, porque a situação financeira ficou muito difícil. Foi então que ele começou a precisar ficar longe dos filhos e da esposa, por causa do trabalho.

Em São Luís, Gildo conseguia exercer sua profissão sem se distanciar da família. Mas, quando veio para São Paulo, de início sozinho, ficou 18 meses sem poder voltar a São Luís. Quando voltou, sua filha Raíssa tinha sete meses.

Ele recordou que, na ocasião, comprou o enxoval completo em São Paulo e mandou a São Luís por uma transportadora.

Quando o terceiro filho nasceu, Gildo disse que então não tinha mais como ficar tão longe da família. Eles se mudaram, inicialmente, para Indaiatuba.

O pai de Rayla, Raíssa e Rui conheceu Bragança Paulista por meio do trabalho. Gildo veio para Bragança trabalhar na obra de construção do Conjunto Habitacional Henedina Cortez. Gostou da cidade e acabou trazendo a família para cá.

Ele contou também que, sendo funcionário de construtora, tem de acompanhar as obras onde a empresa determinar. No momento, ele trabalha em uma obra em Itupeva, que fica a aproximadamente uma hora e 20 minutos de Bragança Paulista.

Assim,costuma se encontrar com a família uma vez por semana. “Não dá para vir todo dia, por causa dos gastos com transporte e também por conta do desgaste físico”, explicou.

De acordo com Gildo, é difícil conseguir trabalho em Bragança por duas razões. A primeira é que ele não tem muito conhecimento na cidade. A segunda é que o salário desta região é bem menor do que o de outras. “A gente vai onde está o serviço. Eu quero ficar por aqui, mas, às vezes, a gente não consegue”, afirmou.

A reportagem perguntou a Gildo se ele sabia, quando começou a atuar na profissão, que teria de ficar longe da família. Ele respondeu que não e que até já pensou em mudar de profissão, mas não consegue. “Já pensei, mas não consigo porque é um negócio apaixonante, não tem jeito. Eu gosto do que eu faço e a gente acaba acostumando”, contou.

Sobre a relação entre ele e os filhos, Gildo acredita que a distância não atrapalhou, apesar de o sentimento da saudade ser mútuo. “Eu trabalhei para eles, pensando no futuro, no bem-estar deles. Eu estou lá, mas eu sei que eles estão bem, graças a Deus. A gente sofre um pouquinho, mas hoje eles estão criados praticamente”, considerou.

Gildo recordou, ainda, que, quando o filho mais novo, Rui, tinha seis meses, ficou doente de saudades dele. Ele teve febre altíssima. Gildo estava em Santos e teve de voltar às pressas. “Quando voltei, a febre acabou”, relatou.

Quando está trabalhando, Gildo e a família se comunicam por meio do telefone celular. “Só não falo mais por causa do gasto, que é grande. Mas sempre ligo em casa, eles me ligam. Se for ligar todo dia, aí não tem dinheiro que dê”, disse, avaliando que hoje em dia a comunicação é bem mais fácil do que antigamente.

Já quando está em casa, Gildo contou que fica à disposição dos filhos, leva-os a algum lugar, vai buscar, mas os deixa à vontade. Quando Rayla, Raíssa e Rui eram crianças, o pai disse que costumavam sair com mais frequência, mas que, agora, é mais difícil porque, às vezes, cada um quer ir para um lado e acabam saindo com os amigos. “A gente não pode mandar na vida dos filhos. Eles têm que caminhar, a gente não pode atrapalhar, a vida agora é deles. Eu não gosto de me meter. O que todo pai quer é que os filhos se deem bem na vida, não façam coisa errada. Faço tudo o que posso pra ensinar eles a não se perderem na vida. Para mim, isso é o mais importante, declarou, completando que a família, agora, costuma sair junta para comer pizza.

O Jornal Em Dia pediu então que Gildo deixasse uma mensagem a todos os pais nesta data especial. “Hoje é um dia muito importante para os pais que estão dedicados a criar seus filhos para o bem. Todos temos preocupação dos filhos seguirem uma boa carreira na vida. Esse é o prazer de todos os pais, ter um filho bem encaminhado, uma filha bem encaminhada. Então, eu desejo que todos os pais tenham essa felicidade, de um dia ver seus filhos bem criados, bem direcionados na vida. É importante, faz bem para a família. Pra gente é um orgulho ver o filho bem. Desejo a todos um belo domingo, com muita paz e muita saúde”, desejou.

 

PÍNDARO, PILOTO DE AVIÃO

 

Durante a infância de suas duas filhas, o piloto de avião Píndaro Battagin teve de aprender a se arrumar sem fazer barulho e sair escondido quando ia trabalhar para evitar que o choro das pequenas se alastrasse pela casa. Por diversas vezes, ele mal podia colocar o uniforme e pegar a mala que Tabatha e Tatiana já ficavam tristes.

“Elas eram novas e não tinham noção de quanto tempo eu ficava longe. O máximo que fico fora a trabalho é por seis dias seguidos, mas tinha fase que isso era uma eternidade para as duas”, contou o piloto à equipe do Jornal Em Dia, durante uma conversa em sua casa.

A paixão por trabalhar nas nuvens vem desde cedo para Píndaro, que hoje trabalha na Azul Linhas Aéreas. Filho de um piloto de avião, ele cresceu acompanhando a rotina do pai e logo resolveu seguir a profissão. Aos 16 anos, não sabia dirigir carro, mas já sabia pilotar aviões. Conseguiu seu primeiro emprego, na Varig, aos 19 anos.

Píndaro sentiu enquanto filho a falta que fazia ter um pai por perto todos os dias e aprendeu a aproveitar ao máximo a presença dele nos seus momentos de folga. “Normalmente, o piloto fica em casa um final de semana e alguns dias aleatórios por mês, totalizando oito a dez dias. Lembro que esse único fim de semana do mês era o mais esperado para que eu pudesse passar com meu pai”, explicou.

Foi exatamente dessa forma que Tabatha e Tatiana, hoje com 19 e 17 anos, cresceram: grudadas ao pai a cada momento de seus dias em casa. “Eu ia almoçar e ficava uma de cada lado querendo comer junto, ficar bem perto. Um contato muito legal”, contou o piloto.

Píndaro sempre priorizou que a maior parte de seus dias de folga fosse passada em família, o que fez com que a relação entre todos fosse sempre muito próxima. Ele e sua mulher, Roseli Maria Battagin, nunca fizeram uma só viagem sozinhos, sempre levaram as garotas. “Eu quero aproveitar a convivência com elas todo o tempo que puder porque eu sei que um dia vai acabar, sei que elas vão se casar, terão as famílias delas e um dia o contato ficará mais distante”, justificou.

Tabatha e Tatiana estudam em Campinas, mas ainda moram com os pais em Bragança Paulista. “Nenhuma quis seguir a profissão do pai e do avô, mas herdaram alguns gostos bem característicos meus”, disse Píndaro. Amante do futebol, ele levava as meninas desde pequenas aos jogos do Bragantino, vestidas com a camisa do time. Outro gosto abraçado pelas filhas foi o de pilotar motos.

Apesar de jamais ter pensado em desistir da carreira, Píndaro contou que nem sempre foi fácil. O coração ficava apertado ao ter de sair ouvindo o choro das garotas em casa e a preocupação aumentava ainda mais quando uma delas estava doente e ele precisava voar. O momento da partida tinha de ser acompanhado de um só consolo para ele e toda a família: “é por pouco tempo e logo estarei de volta”.

Quando as meninas eram pequenas, o contato era ainda mais difícil, pois só havia telefone fixo. “Você saía para voar cinco dias e passava praticamente todo o tempo sem contato, mas eu sempre carregava uma fotografia das duas na carteira como lembrança e ia trocando conforme elas cresciam”, disse o pai. A internet e o celular foram essenciais para diminuir a distância e deixar o piloto ainda mais presente na vida das filhas.

Píndaro também fez questão de elogiar a esposa. Roseli trabalhava em um banco e, quando nasceu a primeira filha, o casal optou pela saída da mulher do serviço a fim de ter mais tempo para ficar com a menina. “Tomamos essa decisão por conta de minha profissão e porque achamos importante que alguém pudesse conviver mais com os filhos. Então, na minha ausência, a Roseli é tanto uma mãe como um pai para as meninas”, afirmou o piloto.

A mensagem que Píndaro deixou a todos os pais é de aproveitar a convivência em família. “Sempre disse isso às meninas, que amigos são importantes, mas a família é mais, é a base de tudo. Quanto mais tempo pudermos aproveitar com nossos parentes, melhor, porque esse convívio enriquece a formação dos nossos filhos”, concluiu.

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