Evangelho de São Lucas 17, 5-10
27º domingo do Tempo Comum – Ano C – Naquele tempo, 2os apóstolos disseram ao Senhor: “Aumenta a nossa fé!”. 6O Senhor respondeu: “Se vós tivésseis fé, mesmo pequena como um grão de mostarda, poderíeis dizer a esta amoreira: ‘Arranca-te daqui e planta-te no mar’, e ela vos obedeceria. 7Se algum de vós tem um empregado que trabalha a terra ou cuida dos animais, por acaso vai dizer-lhe, quando ele volta do campo: ‘Vem depressa para a mesa?’ 8Pelo contrário, não vai dizer ao empregado: ‘Prepara-me o jantar, cinge-te e serve-me, enquanto eu como e bebo; depois disso tu poderás comer e beber?’ 9Será que vai agradecer ao empregado porque fez o que lhe havia mandado? 10Assim também vós, quando tiverdes feito tudo o que vos mandaram, dizei: ‘Somos servos inúteis; fizemos o que devíamos fazer’”. – Palavra da salvação.
Os apóstolos disseram ao Senhor: “Aumenta a nossa fé!”. O Senhor respondeu: “Se vós tivésseis fé, mesmo pequena como um grão de mostarda, poderíeis dizer a esta amoreira: Arranca-te daqui e planta-te no mar, e ela vos obedeceria”. O que é a fé para dar tanto poder? Os apóstolos seguiam Jesus porque acreditavam nele. A fé, contudo, não é um simples acreditar. É algo mais profundo, cuja definição parece-nos difícil fora da Palavra de Deus e da orientação da Igreja. Por isso, vamos nos servir do Catecismo da Igreja Católica e da Bíblia para chegarmos a essa compreensão da fé.
Só pode ter fé em Jesus Cristo quem o conhece. E, conhecendo-o, torna-se então necessário anunciá-lo a todos, como Ele mesmo mandou: “Ide por todo o mundo, proclamai o Evangelho a toda criatura”. E este anúncio já é um testemunho de fé. A Igreja afirma que a fé é um dom de Deus, uma virtude sobrenatural infundida por Ele (CIC 153) e Jesus declara que: “Aquele que crer e for batizado será salvo; o que não crer será condenado” (Mc 16, 16), portanto, a fé é necessária para a salvação (CIC 183). E, por isso, todos recebem de Deus o dom da fé para poderem salvar-se, para poderem gozar da presença beatífica do Senhor. Por que então os apóstolos pedem a Jesus para aumentar-lhes a fé? Por causa das fraquezas humanas. Alguns seguiam a Jesus buscando interesse próprio (veja o caso dos apóstolos que queriam sentar-se um à direita e outro à esquerda do Mestre [Mc 10, 37]).
As fraquezas humanas, não raras vezes, debilitam a fé no Senhor e conduzem o fiel por caminhos perigosos, como o da dúvida e do egoísmo. Por isso “para viver, crescer e perseverar até o fim na fé, devemos alimentá-la com a Palavra de Deus; devemos implorar ao Senhor que a aumente (Mc 9, 24); ela deve agir pela caridade (Gl 5, 6), ser carregada pela esperança (Rm 15, 13) e estar enraizada na fé da Igreja” (CIC 162).
São Tiago nos adverte de que existe uma fé que não pode salvar; é a fé morta porque não se vive conforme se crê (Tg 2, 17). A vida de fé deve ser coerente com a vida diária.
Existe também uma fé adormecida que se expressa num modo frouxo e fraco de viver como cristão. Essas pessoas limitam-se, muitas vezes, a cumprir, ao pé da letra, os dez mandamentos da Lei de Deus e os cinco da Igreja. Costumam se expressar assim: não roubo, não mato, não vivo em concubinato, assisto missa todos os domingos, me confesso e comungo uma vez por ano, na época da Páscoa. Que pena! Elas seguem direitinho a Lei por medo do fogo do inferno e ignoram que os mandamentos, tanto os da Lei de Deus como os da Igreja, servem como guia e caminho de conduta correta. Jesus deve estar dizendo: “que decepção! Eu só quero que as pessoas sigam os mandamentos por amor a mim e aos irmãos. Só por amor!”.
Nossa fé precisa ser firme e forte, testemunhada na comunidade e vivida, em cada dia, como se fosse o último, “pois não sabeis o dia nem a hora” (Mt 25, 13). A fé é uma posse antecipada do que se espera, um meio de demonstrar as realidades que não se veem (Hb 11, 1; CIC 146). Por isso, como na pequenina semente se encerra a potencialidade de uma árvore, na fé em Jesus Cristo se encerram potencialidades que não se podem medir, pois “tudo posso naquele que me fortalece” (Fl 4, 13). A fé é primeiramente uma adesão pessoal do homem a Deus; é (...) o consentimento livre a toda verdade que Deus revelou (CIC 150). Quem põe sua fé no Senhor nunca será desamparado e verá o impossível acontecer.
Paulo Trujillo Moreno é professor licenciado pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, formado em Teologia para leigos pela Diocese de Bragança Paulista e participante das Pastorais Familiar e Litúrgica da Paróquia São Benedito.
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