Evangelho de São João 15, 1-8
5º domingo da Páscoa – Ano B – Naquele tempo, Jesus disse a seus discípulos: 1"Eu sou a videira verdadeira e meu Pai é o agricultor. 2Todo ramo que em mim não dá fruto, ele o corta; e todo ramo que dá fruto, ele o limpa, para que dê mais fruto ainda. 3Vós já estais limpos por causa da palavra que eu vos falei. 4Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo se não permanecer na videira, assim também vós não podereis dar fruto se não permanecerdes em mim. 5Eu sou a videira e vós os ramos. Aquele que permanece em mim, e eu nele, esse produz muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. 6Quem não permanecer em mim será lançado fora como um ramo e secará. Tais ramos são recolhidos, lançados ao fogo e queimados. 7Se permanecerdes em mim e minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes e vos será dado. 8Nisto meu Pai é glorificado: que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos”. – Palavra da salvação.
“Eu sou a videira verdadeira e meu Pai é o agricultor”. Esta comparação com a videira aparece no texto do profeta Jeremias 2, 21, no salmo 80, 9-10 e em Isaías 5,1-4. Esses textos apresentam não apenas uma planta, mas toda a plantação, a vinha, referindo-se ao povo judeu e sua infidelidade no cumprimento da Palavra de Deus. No evangelho de hoje, Jesus se anuncia como a videira verdadeira cujo agricultor é Deus Pai. Nos textos mencionados, o povo que o Pai agricultor abandona refere-se antes às autoridades cultas e injustas que vivem da exploração dos pobres e humildes, num abuso total da interpretação do Antigo Testamento.
“Eu sou a videira e vós os ramos”. Agora Jesus, além de se referir a si mesmo: “Eu sou a videira”, refere-se aos discípulos: “e vós os ramos”, incluindo toda a Igreja porque todos que pertencem à Igreja de Jesus são seus discípulos. Logo, Jesus é o tronco da árvore e todos os discípulos são os ramos e esta árvore constitui a Igreja. Jesus é o tronco que alimenta e dá vida aos ramos, aos discípulos, para produzirem frutos. A missão dos discípulos é produzir frutos pois: “Todo ramo que em mim não dá fruto, Ele (o agricultor, o Pai) o corta (...). Tais ramos são recolhidos, lançados ao fogo e queimados”. Quem não produz fruto não serve para nada, por isso é descartado, é jogado fora. O discípulo, porém, que produz frutos recebe o tratamento e o carinho do Pai: “E todo ramo que dá fruto, ele (o agricultor, o Pai) o limpa, para que dê mais fruto ainda”. Para aqueles que aceitam Jesus e cumprem seu ensinamento, o Senhor diz: “Vós já estais limpos por causa da palavra que eu vos falei”. O cumprimento da palavra de Deus torna o ser humano limpo, isto é, apto para o Reino porque o Senhor declara: “Permanecei em mim e eu permanecerei em vós”. Suas ações são realizadas sob a luz e o conduzem ao céu.
“Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo se não permanecer na videira, assim também vós não podereis dar fruto se não permanecerdes em mim”. Produzir frutos não é uma prerrogativa do discípulo por si mesmo. Os frutos resultam de uma união espiritual de fé entre o discípulo e o mestre, por meio do cumprimento da palavra de Deus e pelas orações pessoais e comunitárias. Toda boa ação provoca novas ações boas que se transformam em frutos.
“Nisto meu Pai é glorificado: que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos”. Não se glorifica a Deus apenas cantando “Glória a Deus no mais alto dos céus” (Lc 2, 14). O Pai será glorificado por meio dos frutos de fé, esperança e caridade que cada filho transmite ao seu próximo. Fé àquele que não crê; esperança àquele que não tem perspectiva de futuro; caridade com aquele que está desprovido de tudo. Fé, esperança e caridade são as virtudes teologais, isto é, que se referem a Deus e por elas se estabelecem a paz e a justiça.
“O cristão não produz obras de amor para ter depois uma recompensa: ele é como o Pai do céu: ama sem esperar nada em troca. A recompensa para o discípulo unido a Cristo é a sua alegria ao verificar que o amor de Deus se manifesta através dele” (F. Armellini).
Paulo Trujillo Moreno é professor, bacharel em direito, formado em Teologia para leigos e participante das Pastorais Familiar e Litúrgica.
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