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Religião

Papa Francisco nos deixou, mas seu legado de amor, humildade e esperança seguirá eterno

Padre Fábio Marinho, da Diocese de Uberlândia- MG

Era o ano de 1205. Francisco, jovem filho de um rico comerciante da cidade de Assis, na Itália, vagava inquieto pelas Colinas da Umbria. Seu coração antes inflamado pelo desejo de batalhas e glórias terrenas agora se consumia por uma busca mais profunda. Foi então que, ao entrar na pequena e arruinada Capela de São Damião, ajoelhou-se em oração diante do crucifixo, o silêncio sagrado foi rompido por uma voz que ressoou em sua alma: “Francisco, vai e reconstrói a minha igreja que está em ruínas!”.

O ano era 2013, e no fim de uma era, quando os sinos da Praça de São Pedro já parecem ensaiar o silêncio da despedida é impossível não olhar para trás e revisitar a caminhada de um homem que com um sorriso simples e gestos firmes desarmou as muralhas do preconceito e alargou as portas da igreja. Francisco, este o papa do fim do mundo, chegou como um vendaval sobre as estruturas estáticas do catolicismo, assumiu a Cátedra de Pedro com um olhar que atravessava as convenções e um coração que ousava aquilo que os fariseus modernos mais temem: acolher ao invés de excluir.

Para muitos, seu pontificado foi um sopro de misericórdia em tempos de intolerância e intransigência. Para outros, leigos, padres, bispos, frades um escândalo de bondade que feriu o orgulho dos que confundem a fé com um tribunal da Santa Inquisição. Enquanto uns erguiam muros, ele insistia em construir pontes. Enquanto as vozes rigoristas gritavam as excomunhões e condenações, ele escolhia sentar-se à mesa com os pecadores, os esquecidos e os rejeitados.

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Ah, os fariseus dos tempos modernos! Esses torceram o nariz quando Francisco lavou os pés de presidiários, de muçulmanos, de mulheres, eles ficaram perplexos ao ver Francisco abraçar transexuais, gays, acolher os divorciados, insistir em que a igreja fosse um hospital de campanha e não um clube de perfeitos e irretocáveis. Esses irritaram-se ao ouvir Francisco dizer que preferiu uma igreja acidentada, cheia de lamas nos pés, mas em movimento do que uma igreja doente por ficar trancada em si mesma.

O seu jeito arbitrário de amar sua opção por caminhar com aqueles que são os últimos, sua capacidade de ouvir antes de julgar foram, sem dúvida, Francisco, sua maior heresia diante dos puritanos dos dogmas modernos.

Francisco os escandalizou ao lembrar-lhes o óbvio que Cristo não veio pelos que estão curados,  mas pelos que vivem doentes e por isso quando Francisco for embora levará consigo o amor de quem se sentiu finalmente visto, olhado e vai sepultar com ele a rejeição dos que sempre preferiram o peso da lei à leveza da graça.

A despedida de nosso Francisco não será o fim da sua revolução Santa, mas o início da sua lenda. Ele parte sabendo que abriu caminhos, ainda que tenha sido pisoteado por isso, ainda que tenha sido escarnecido, crucificado. E nós ficamos talvez menos fariseus ou talvez mais humanos, certamente mais conscientes de que Deus é amor.

A única ortodoxia verdadeira é a ortodoxia que abraça antes de querer apontar os dedos. Obrigado, Francisco do século 21! Que a história lhe faça justiça ao papa que ousou amar, escolheu respeitar e aceitar o outro sem medo.

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