Na manhã de terça-feira, 29, centenas de servidores municipais paralisaram suas atividades a fim de sensibilizar a Prefeitura para a campanha salarial deste ano. A greve foi deflagrada pelos servidores após assembleia realizada na noite de segunda-feira, 28, em que nenhuma proposta foi apresentada pelo prefeito Fernão Dias da Silva Leme.
Reunidos na sede do sindicato, na noite fria de segunda-feira, cerca de 500 funcionários da Prefeitura ouviram os diretores do Sismub (Sindicato dos Servidores Municipais de Bragança Paulista e Região) anunciar que não havia nova proposta por parte do Executivo. Diante disso, a greve foi deflagrada e vários encaminhamentos para a mobilização de terça-feira foram dados.
O início da greve se deu às 7h, em frente à Prefeitura. O movimento começou com alguns funcionários, mas outros aderiram e estima-se que ao longo do dia cerca de mil pessoas tenham participado da mobilização.
Os servidores levaram cartazes com frases que pediam respeito por parte do prefeito e da secretária municipal da Educação, Huguette Theodoro da Silva. Por várias vezes, os manifestantes, cuja maioria era formada por funcionários da pasta da Educação, pediam a saída da secretária e gritavam palavras de ordem, como “Servidor na rua, Fernão a culpa é sua!” e “Educação na rua, Huguette a culpa é sua!”.
O trânsito em frente à Prefeitura foi interrompido por várias vezes. A orientação do sindicato era que se paralisasse o fluxo de veículos por um minuto e o deixasse fluir por mais um minuto. Assim foi durante toda a manhã e em alguns momentos da tarde. Alguns motoristas menos pacientes retornavam, fazendo manobras que evitassem a espera da liberação do trânsito. Durante pelo menos duas vezes de manhã, no momento do fechamento da rua, servidores entoaram o Hino Nacional.
Os diretores do Sismub protocolaram na Prefeitura um pedido de negociação. Ao fim da manhã, por volta das 11h, Carlos Alberto Martins de Oliveira, presidente do sindicato, informou que até então não havia nova proposta do prefeito Fernão Dias. Porém, para as 16h, foi agendada uma reunião entre membros do Executivo e sindicato com expectativa de que uma nova proposta fosse apresentada.
Assim, os grevistas foram dispensados para ir almoçar, com o compromisso de que voltassem às 13h no mesmo local para dar prosseguimento ao movimento.
À tarde, os servidores fizeram uma passeata por um trecho da Avenida Antônio Pires Pimentel.
No horário combinado, diretores do Sismub foram recebidos pelo prefeito Fernão Dias da Silva Leme, que lhes entregou duas propostas. A primeira oferecia aos funcionários 0,5% de aumento real nos salários, ou seja, 6,65%. A segunda oferecia reajuste no cartão do vale-alimentação, que de R$ 323,00 passaria para R$ 340,00.
À aprovação de ambas as propostas estavam atrelados outros benefícios, como a concessão de seis faltas abonadas e duas faltas para acompanhante de idosos ou filhos menores de 18 anos, sem restrições, podendo ser gozadas de forma cumulativa, desde que autorizado pelo superior hierárquico, o que era uma reivindicação da categoria.
Além disso, o dia de greve, que seria descontado dos servidores como um dia de falta não justificada, poderá ser compensado. Com isso, os servidores não perderão o abono a que têm direito anualmente.
Os presentes na assembleia realizada às 17h30, em frente à Prefeitura, vibraram ao ouvirem os avanços conquistados quanto às faltas abonadas e também à possibilidade de compensar o dia de mobilização. Porém, eles não se mostraram tão satisfeitos com as propostas de aumento.
Apesar disso, a maioria dos presentes aprovou a primeira proposta, que implica em reajuste salarial de 6,65%.
Um grupo de servidores se mostrou descontente com o resultado da assembleia e até questionou que ele não fosse legítimo. A reportagem do Jornal Em Dia acompanhou o processo de cima do caminhão do sindicato e, com isso, pôde constatar que realmente a maioria decidiu pela aprovação da proposta.
“Para quem estava na rua, ter visão ampla da votação era praticamente impossível, por isso, é perfeitamente compreensível a reação dos servidores. Mas estamos cientes de que cumprimos nosso dever. Ficamos ao lado do servidor em todos os momentos e conquistamos avanços importantes. A maioria entendeu que continuar com a greve representaria prejuízo, pois eles iriam ter desconto nos dias parados e também do feriado e da sexta-feira, que foi decretado ponto facultativo. Com mais um dia de greve, seriam descontados seis dias. Se acabar com a greve não era a vontade de todos, tenham certeza que era a da maioria e, assim, podemos dizer que a democracia venceu”, declarou o presidente do Sismub, Carlos Alberto Martins de Oliveira, após a assembleia. Ele ainda agradeceu o comprometimento de todos os servidores que participaram do movimento.
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