Presidente da Faros D’Ajuda expressa indignação com a atual Administração

A presidente da Faros D’Ajuda, Márcia Davanso, esteve nessa terça-feira, 1º, na sessão da Câmara Municipal, prestando contas sobre o trabalho da entidade. Além disso, ela acabou fazendo um desabafo sobre a relação da Faros com a Prefeitura.

Inicialmente, Márcia exibiu dados sobre a atuação da entidade, fundada há oito anos. De acordo com ela, desde 2006, foram realizadas pela Faros 5.020 castrações, sendo 2.751 com valor social e 2.269 gratuitas. As castrações com valor social são aquelas que o dono paga pelo procedimento e ainda contribui para que outro animal do abrigo seja castrado. Márcia ressaltou que no mesmo período a Prefeitura só realizou 800 castrações.

Quanto às doações, nos últimos oito anos, foram doados 3.891 cães e 833 gatos, por meio de um programa de posse responsável.

Márcia contou que para 2014 a intenção é implantar o Selo Empresa Amiga da Faros, a fim de conseguir que o empresariado apoie financeiramente as atividades da entidade. Além disso, há planos para promover a microchipagem dos animais do abrigo, fazer castrações já com a microchipagem, firmar uma parceria com o Colégio Populus, para que alunos do curso técnico de veterinária possam desenvolver serviços na Faros, ampliar o serviço veterinário para animais externos e promover melhorias e ampliar o abrigo-hospital da entidade.

A presidente da Faros disse que atualmente a verba que recebe da Prefeitura é de R$ 12 mil por mês, mas que o valor não é suficiente para custear todas as despesas. Assim, a entidade realiza diversos eventos e ações para a arrecadação de recursos.

Ela registrou, ainda, que recentemente a entidade recebeu 80 animais de uma só vez, que foram apreendidos pela Prefeitura, apontando que isso desestruturou a associação e o abrigo.

A Faros participa de um programa desenvolvido pela Pedigree, que realiza auditorias na entidade. Segundo Márcia, a Faros está em primeiro lugar na categoria Master, empatada com outra ONG (Organização Não Governamental), num rol de 33 entidades.

A manifestante, então, disse que não vai mais pedir aumento financeiro da verba destinada pela Prefeitura, pois já fez isso muitas vezes sem resultado. Ela também demonstrou descontentamento quanto ao fato de o Executivo só falar em Canil Municipal e não reconhecer o trabalho que a Faros, por meio de seus voluntários, desenvolve no local. “O Canil é municipal, mas o abrigo-hospital é da Faros e funciona lá”, declarou, acrescentando que fica triste por ver que a entidade é deixada para segundo plano.

Márcia defendeu também que antes de pensar em oferecer atendimento gratuito para os animais da cidade, a Administração deveria pensar em promover castrações com microchipagem, pois isso resolveria dois problemas de uma só vez: ajudaria a conter a população de cães e gatos e evitaria o abandono dos animais, uma vez que o chip permite identificar os dados do dono do cão ou gato encontrado.

A vereadora Gislene Cristiane Bueno, que apresentou Márcia, parabenizou a presidente da Faros D’Ajuda e os demais voluntários pelo trabalho desenvolvido e pediu ao prefeito Fernão Dias da Silva Leme que reveja a verba destinada à entidade e promova melhorias no abrigo.

O vereador Jorge Luís Martin também parabenizou Márcia pela atuação da Faros na cidade.

O vereador Miguel Lopes fez o mesmo e também citou que já sugeriu à Prefeitura, por meio de moção, uma parceria com a Fesb (Fundação Municipal de Ensino Superior) para a realização de procedimentos nos animais atendidos pela Faros.

Foi então que a presidente da entidade voltou a fazer uso da palavra e registrou todo seu descontentamento e indignação quanto à forma que a Faros vem sendo tratada pela atual Administração. Márcia disse que lamenta que quando a Prefeitura resolve fazer alguma ação diferente, como a castração de animais, procure outras formas de parceria, como com a Fesb, e não com a própria Faros, que já atua nesse problema há oito anos. Além disso, ela apontou que nessas parcerias com a Fesb, por exemplo, há remuneração e questionou por que isso não pode acontecer com a Faros, afirmando que para a atual Administração a entidade não serve. “A Faros está chateadíssima com esta Administração. Para este município, a Faros é limpadora de cocô”, desabafou.

Miguel e Gislene apoiaram o desabafo de Márcia, afirmando que a Faros realiza trabalho que é de obrigação do poder público e, por isso, deveria ser mais bem reconhecida. “O que está acontecendo com a Faros é frustrante”, disse a vereadora.

O vereador Quique Brown ainda tentou enumerar pontos positivos que a atual Administração destinou a Faros com compensações ambientais, questionando Márcia sobre isso. A presidente da entidade disse que foram doados quilos de ração e calhas que foram usadas para fazer a captação de esgoto, ou seja, coisas que são de obrigação da Prefeitura e que nesses oito anos não foram feitas.

Por fim, Gislene pediu que o prefeito pense em tudo que foi abordado durante a participação de Márcia na Tribuna e firme efetiva parceria com a entidade. “Só falar que é parceiro não adianta”, considerou.

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