Quando a fé começa a ser negociada...

De acordo com Paulo, o apóstolo de Cristo, “A fé é a expectativa certa de coisas esperadas, a demonstração evidente de realidades, embora não observadas”. - Hebreus 11:1. Em palavras simples, é ter a plena certeza que algo aparentemente impossível irá acontecer de forma milagrosa. Concordo e tenho fé, assim como Paulo.

A fé é a “teórica” base das religiões, muito se fala em nome dela, pouco se concretiza. A religião em nossos dias é basicamente um ramo de investimento, uma bolsa de valores que movimenta quantias expressivas e psicologia barata. Em meio a tanta fraude e falsidade, existem os fiéis que acreditam e “rosnam” pela religião, há os penalizados que vão em busca de absolvição e tem aqueles que estão ali para crescimento profissional.

Intrigado, pesquisei como montar uma empresa, digo, uma igreja. É tão simples assim? Na realidade, esquemas de pirâmide são proibidos no Brasil, mas marketing multinível não, e essas “igrejas”, infelizmente, são estruturas de publicidade e golpes. Existe na internet um passo a passo que explica como virar pastor com certificado, abrir uma igreja e receber dinheiro por meio de cultos em apenas dois (2) dias! Sim, se você quer ser empresário e lucrar, observe o que se segue.

1) Posso abrir uma igreja tendo o nome “sujo”? Sim. A única ocorrência será no banco quando for abrir uma conta-corrente, por isso, se tiver o crédito bloqueado, procure um sócio.

2) Qualquer um pode abrir uma igreja e qual local é exigido? Sim. Basta demonstrar fé e coragem para falar em público, para mais credibilidade procure diplomas de pastor e exiba. Poderá fazer cultos em sua própria casa, não é necessário endereço fixo e sim um representante legal.

3) Há impostos numa igreja? Perante a Constituição, as igrejas possuem imunidade tributária, ficam apenas sujeitas a taxas.

É evidente a sujeira econômica que a alta demanda de igrejas tem proporcionado. Não podemos chamar de igreja as organizações que apenas falam o que seus fiéis querem ouvir, como que fazendo cócegas em seus ouvidos, em troca de soldos. A psicologia de Charcot baseada em hipnose e a dramaturgia de Gil Vicente são claras em cultos de garagem, onde o “coador numa varinha” e a gritaria são parte do roteiro. Deus não é surdo e não precisa de dinheiro!

Acho que esses “empresários da fé” deveriam procurar ler a Escrituras ou ao menos ter medo das palavras do mestre Jesus Cristo: “Nunca vos conheci! Afastai-vos de mim, vós obreiros do que é contra a lei.” — Mateus 7:22, 23. [Je suis Charlie]

 

Renan Williams Moore Brito é jornalista e graduado em ciências contábeis. – Mtb n° 78.323/SP

 

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