Quase uma hora se passou e aquele senhor continuava encostado em seu carro à espera de uma solução. Braços cruzados, semblante fechado, cabeça baixa, não arredaria o pé enquanto eu não resolvesse o seu caso. Seu acompanhante estava sentado, ou melhor, largado no banco de espera, quase deitado, com cara de enfado e pouco caso.
O problema a ser resolvido era o mais comum de todos, deixar no abrigo um animal sadio. Já tinha dado todas as explicações, todos os meus argumentos e alternativas para ajudar. Mas a única solução, para esse senhor, era deixar o cão guardado no abrigo.
Dizia que o cão apareceu na sua rua e foi ficando. Os pedreiros que por lá trabalhavam o acostumaram no lugar com os restos de marmita. Ora dizia que ele mesmo alimentava o cão na calçada, ora dizia que o cão pulava o muro de sua casa e na rua ficava, que não parava em corrente, que tinha plantas e ferramentas no quintal, não podia ficar com ele.
O cão vai dar problema, dizia, ele entra na frente de moto, corre atrás de bicicleta, avança nas crianças. Vai dar problema, vai ser atropelado, vai matar um pai de família, vai machucar uma criança... vai, vai, vai. Não é vacinado, não é obediente... e não é doente para ser acolhido no abrigo, eu dizia. Este cachorro tem que ficar aqui... o abrigo é para acolher somente os animais de rua doentes... E não saíamos disso.
A verdadeira ajuda para esse cão é castrá-lo e doá-lo. Podemos ajudar nisso,mas isso? Isso não é solução! Entrei, chamei a guarda e voltei aos meus afazeres. Ainda tinha muito trabalho pela frente, cães a serem alimentados, canis a serem limpos, curativos e cuidados especiais para os animais que não andam, pessoas a serem atendidas, telefone tocando sem parar.
Como é triste ver uma pessoa empenhada em deixar um animal sadio no abrigo, custe o que custar. Sair de mãos abanando e ombros aliviados do peso é o que importa para a maioria das pessoas. Nenhuma ajuda que não seja a de transferir o problema para outrem é ajuda.
E, tudo recomeçou quando a guarda chegou. O pobre animal se mantinha com o rabo entre as pernas, em postura amedrontada, sentindo o que se passava, mas sem desgrudar daquele que tentava deixá-lo em algum lugar.
É engraçado como as pessoas se perdem no volume de palavras e vão deixando escapar as pistas do que realmente acontece. Curiosa, perguntei há quanto tempo o cão estava com ele, afinal, o cão pulava o muro de sua casa para ficar na rua. Sete ou oito meses? Não havia dúvida, o cão era dele!
Márcia Davanso, fundadora e presidente voluntária
Faros d’Ajuda
Associação de Proteção aos Animais
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Campanha de adoção: todos os sábados, das 9 às 15 horas, na Praça Raul Leme – Centro – Bragança Paulista.
Em Bragança Paulista:
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Guarda Municipal: 153
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