Desde fevereiro, escolas da rede pública brasileira vinham se dedicando à realização de oficinas de leitura e produção de textos dentro da programação da Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro.
Em sua 4ª edição, o concurso nacional de redação ofereceu oportunidade para que todas as escolas públicas do país participassem de oficinas de produção de poemas, memórias literárias, crônicas e artigos de opinião com material específico voltado para as quatro categorias textuais, disponibilizado pelos organizadores da competição.
Este ano, 46.902 escolas se inscreveram em todo o Brasil. Do total de 5.565 municípios brasileiros, 5.014 estão inscritos. Em Bragança Paulista, seis escolas da rede municipal e 12 da estadual fizeram a adesão.
As oficinas, de acordo com o cronograma de cada instituição, tiveram início em abril e se encerraram no mês de agosto, quando foram selecionados os textos vencedores em cada unidade escolar. Na sequência, reuniu-se, no Napa (Núcleo de Apoio ao Professor e ao Aluno) a comissão julgadora municipal, formada por membros da Secretaria Municipal de Educação e da Diretoria Regional de Ensino, que classificaram os campeões, por gênero, para representar a cidade.
Estudantes das escolas Siles Coli, Ismael de Aguiar Leme, Mathilde Teixeira de Moraes e Fernando Amos Siriani estão classificados na etapa estadual. A comissão julgadora de São Paulo reúne-se nesta sexta-feira, 10, para selecionar os representantes do estado.
O Jornal Em Dia conversou com os professores e estudantes bragantinos que representam a cidade e esperam ansiosos conquistar uma vaga na semifinal.
ISABELLA
Isabella Fernandes Ramos, aluna do 6º ano B, da Escola Estadual Ismael Aguiar Leme é a campeã na categoria poema. Ela contou à reportagem que participar da Olimpíada foi uma experiência divertida e que não teve dificuldades porque a professora falou bastante sobre a cidade durante as aulas e ela procurou encaixar tudo e rimar. Indagada se esperava ser campeã, respondeu: “eu tinha muita vontade de ganhar, e por mais que eu tivesse esperança de ser campeã, pensava que alguém poderia escrever outra poesia que fosse melhor que a minha”.
A professora de Isabella, Marisa Gisela Sant’Anna Longobardi Lopes, disse que para trabalhar com a Olimpíada foi necessário replanejar e realizar adequações no plano de ensino, no entanto, o trabalho valeu a pena. “O esforço de todos os envolvidos na execução das atividades veio ao encontro dos nossos objetivos educacionais, principalmente, o de promover a qualidade do ensino oferecido aos nossos alunos. O fato de um deles ter sido premiado corou este trabalho”.
JOSÉ
Matriculado no 1° ano C, da Escola Estadual Professor Siles Coli, José Manoel Leite disse ter ficado muito surpreso e feliz por ter sua crônica selecionada para representar o município. “Nunca achei que meu texto seria selecionado. Fiquei surpreso e feliz também. Todos deveriam participar, eu não sabia que escrever sobre onde eu moro poderia ser tão legal.”
Questionado sobre como foi participar da Olimpíada, ele afirmou que “foi divertido, pois as aulas ficaram de um jeito diferente, nós líamos os textos, conversávamos sobre o que estava escrito, a professora passava crônicas em áudio e depois fazíamos as atividades. Aprendi palavras novas, e descobri que é interessante poder falar e escrever sobre coisas comuns que acontecem em nossas vidas”.
Para Ana Carina Chiovatto, professora de José Manoel, o trabalho foi tranquilo, as oficinas propostas pela Olimpíada são bem articuladas com o tema e bastante dinâmicas. “Durante a realização das oficinas pude perceber o interesse dos alunos na leitura, interpretação e assimilação do gênero”.
Sobre as dificuldades, ela declarou que no começo houve certa resistência de alguns alunos em participar da competição, porém com o desenrolar das atividades, o interesse foi aumentando e, no final, todos acabaram participando de forma efetiva.
De acordo com Ana Carina, a experiência foi muito válida, uma vez que lhe proporcionou mais proximidade com a vida que os estudantes levam fora do ambiente escolar. “Muitos transformaram o tema “O lugar onde vivo” em um relato de seu cotidiano, expondo suas alegrias, tristezas e angústias. Passei a ver meus alunos com outros olhos”.
LUÍS HENRIQUE
Luís Henrique Vieira, estudante do 8º ano C, da Escola Estadual Mathilde Teixeira de Almeida, revelou se sentir privilegiado por estar participando da competição. “Participar da Olimpíada foi um tipo de desafio para mim, pois sou um aluno muito competitivo, principalmente nos esportes, mas na escrita foi mesmo um privilégio.”
Sua maior dificuldade para produzir o texto vencedor da categoria memória literária foi juntar informações sobre o lugar onde vive há apenas dois anos. “Foi uma verdadeira descoberta sobre minha rua, meu bairro e minha cidade. Tudo valeu a pena. O esforço. Meu trabalho, meus amigos, e o professor Fábio, que me orientou do começo ao fim.”
O professor Fábio Santos, orientador de Luís Henrique, disse que trabalhar com a Olimpíada de Língua Portuguesa foi uma experiência singular. “A metodologia pedagógica adotada pelos organizadores do projeto visa à interação social, à competência leitora e escritora dentro de uma dinâmica cotidiana no intuito de promover ao aluno momentos de aprendizagem, na qual percebam os diversos tipos de textos em atividades lúdicas e competitivas, promovendo assim as competências necessárias para a participação efetiva em um mundo globalizado e competitivo.”
Conforme relatou, durante o andamento do projeto surgiram dificuldades, haja vista que alguns alunos, por ainda não conhecerem a Olimpíada, não demonstravam o devido interesse, outros não participavam por timidez ou até mesmo por acreditarem não ter competência para tamanho feito. No entanto, esses alunos também foram inseridos no projeto quando produziram suas atividades de forma recolhida, mais individual, mas, sobretudo, com a mesma vontade de produzirem seus textos para competir.
Questionado se valeu a pena o esforço, declarou: “valeu muito, porque acredito que a gratificação maior de um educador é ver no aluno o sorriso de um dever cumprido, o reconhecimento de um trabalho realizado e a sensação de uma aprendizagem contextualizada no espaço onde ele vive, trazendo com isso, a percepção da importância de todo conteúdo trabalhado diariamente em sala de aula”.
PATRÍCIA
Patrícia Tainara Faria dos Santos, do 3° ano A, da Escola Estadual Dr. Fernando Amos Siriani, localizada no Jardim da Fraternidade, campeã bragantina na categoria artigo de opinião, contou ao Jornal Em Dia que considerou a experiência inovadora, pois aprendeu muito e se informou mais sobre a grave crise hídrica que estamos vivendo.
Indagada se teve alguma dificuldade para desenvolver o texto afirmou: “acredito que escrever um bom artigo de opinião já seja um grande desafio, além disso, não foi fácil pesquisar sobre o assunto e selecionar, no meio de tanta informação nova, o que me parecia mais convincente para persuadir o público leitor”.
Para ela a vitória foi uma surpresa, pois sabia que, na sua escola, muitas pessoas escreveram artigos nota 10, então, ficou muito feliz em saber que seu esforço não foi em vão.
A professora de Patrícia, Andreia Aparecida Catadori Rodrigues Castilho, disse que o trabalho foi laborioso e gratificante, principalmente porque o desenvolveu em mais de um gênero e viu seus alunos se apropriando de competências e habilidades que ainda não dominavam.
Sua maior dificuldade foi a corrida contra o tempo. “Realizar as oficinas propostas pela Olimpíada é de uma riqueza ímpar, no entanto, demanda tempo, além do que, cada turma tem seu ritmo, nem sempre é possível acelerar. O problema é que todos têm que chegar à versão final dentro do mesmo prazo.”
Para a professora a maior recompensa foi o resultado final. “Foram vários artigos de opinião escritos com dedicação e muita seriedade. E em relação às crônicas, os alunos escreveram textos primorosos, na verdade, de arrepiar. Isso sem contar os que chegaram a produzir até dez versões entre recomeços, revisões e reescritas. Foi muito difícil chegar à decisão de quais seriam os finalistas para a comissão julgadora escolar. Mas independentemente dos que venceram, todos se saíram vitoriosos ao participar.”
A Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro é uma iniciativa do Ministério da Educação (MEC) e da Fundação Itaú Social, com coordenação técnica do Cenpec – Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária. O programa tem como parceiros na execução das ações o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) e o Canal Futura.
Isabella F. Ramos, da Ismael Aguiar Leme, fez um poema sobre a cidade
Bragança Paulista, Cidade Poesia
O lugar onde eu vivo
É bem lindo.
Tem museus, praças
E muitas, muitas casas.
Minha cidade tem um canal de Tv.
Se não acredita, vem ver.
Um time de futebol pra torcer!
E uma emissora de rádio muito legal, pra mim e pra você!
Na comida, que delícia!
Qualquer dia, vem provar,
Nossa linguiça bragantina
Hum, você vai adorar.
Nesta cidade poesia,
Eu vivo com muita alegria.
Foi aqui que eu nasci,
E nunca quero sair.
O Lago do Taboão
Nos traz muita diversão.
Ele é um belo cartão postal,
E o parquinho é bem legal.
A cidade não é grande,
Mas também não é pequena.
Eu adoro este lugar.
Viver aqui, sempre vale a pena.
José Manoel Leite, da Siles Coli, usou como matéria-prima para sua crônica uma academia inaugurada em seu bairro
A águia no campo
A vida na zona rural é cheia de curiosidades. As pessoas pintam os caipiras como seres preguiçosos que ficam mastigando palha embaixo da sombra de uma árvore qualquer. A vida na zona rural é árdua, a terra exige muito trabalho para produzir seu alimento.
O lugar pacato onde moro se chama Biriçá do Campinho, um bairro da zona rural que pertence à cidade de Bragança, no Estado de São Paulo.
O bairro tem esse nome por causa de um campo de futebol que é ponto de encontro dos bairristas nos finais de semana. Nós, alunos, utilizamos o campo para praticar esportes nas aulas de Educação Física, pois nossa escola é pequena e não possui quadra.
Quero falar de algo novo, da academia de ginástica que acabou de ser inaugurada aqui no bairro. “Águia” é o nome da academia.
Na minha opinião, deveria ser “Gavião”, pois tem muito dessas aves por aqui.
Deixando de lado o nome, vou apenas dizer o quanto esse novo empreendimento mudou a rotina dos moradores. A academia vive cheia. Mulheres querendo ficar saradas, homens sonhando com bíceps de Deus Grego, adolescentes buscando aceitação e até crianças pensando em virar o Bruce Lee.
Fiquei sabendo que Seu José brigou com a esposa, Dona Rosa, porque a bela flor trocou os afazeres domésticos pelas aulas de zumba. O bar do peruano está fechando mais cedo, pois perdeu a clientela para a Águia”, mas a situação é preocupante, mulheres enciumadas, maridos de sentinela e alguns muito felizes porque a “Águia” trouxe algo novo: o entusiasmo.
Luís Henrique Vieira, da Mathilde Teixeira, escreveu sobre as memórias de um morador bragantino
Meu pedacinho de chão
Onde vivo é um paraíso. Parece que foi ontem que cheguei por aqui. Era uma subida, hoje uma descida e poucos carros a passar. Um pequeno pedacinho do interior do Estado de São Paulo. Tão interior que é a penúltima cidade, quase chegando a Minas Gerais. Bragança Paulista, terra da poesia como muitos chamam até os dias de hoje.
Também chamada de terra da linguiça, pois, a linguiça que preparavam em suas casas e vendiam pelas ruas eram tão saborosas que ficou a fama. Lugar calmo, simples e pouco movimentado em suas ruas e avenidas.
Aqui, os vizinhos preocupam-se uns com os outros, às vezes até demais! A maioria dos meus vizinhos já tem mais de quarenta anos, então os melhores conselhos são deles.
Sempre aos domingos, quase todos estavam acordados logo cedo e o bar do seu Zé, sempre lotado com gente querendo jogar bilhar ou assistir jogo na televisão, enquanto uns lavavam seus carros que eram bem diferentes dos de agora! Eram brasílias, fuscas e opalas, outros buscavam pão e depois, na hora do almoço, um cheiro de churrasco invadia as casas ao som de músicas dos mais variados gostos, enquanto a molecada, em sua grande maioria, assim como eu, sempre observando onde melhor o vento soprava para soltar pipas. Tempo bem mais calmo que agora.
Nas férias, as pipas tomavam conta da rua, mas era lá do outro lado que o espetáculo acontecia. É que do outro lado da rua tinha um cafezal que chovia de pipas, eram tantas que a molecada nem se dava conta do céu azul, pois, as pipas coloriam o céu. Era uma verdadeira pintura na tela da imensidão.
Além de soltar pipa, eu inventava algumas brincadeiras, e até nadava e pescava no lago do Orfeu, lembro-me também que tinha um campinho lá no Lavapés onde costumávamos jogar bola e por lá tinha um pé de pêssego que a gente costumava pegar os pêssegos emprestados, só que nos esquecíamos de devolver. Ao entardecer a gente ia brincar de taco na rua. Lembro-me de um dia que o homem do artesanato, fez um taco especial e deu de presente pra gente, foi uma festa. Quando não estava chovendo, saíamos aos bandos com carrinhos de rolimã a descer as ladeiras do Parque dos Estados, esse é o nome do bairro onde cresci, pois, cada rua tem o nome de um estado brasileiro. Homenagem aos nordestinos, meu pai dizia.
Era fácil passear pelos estados do Brasil sem sair longe de casa. Paraná e o belo Amazonas eram as ruas mais disputadas, devido sua altura, os carrinhos ganhavam maior velocidade, tanta que, se me lembro bem, foi lá que ralei meus joelhos que na hora de tomar banho, era uma tortura. Na hora do almoço minha mãe surgia por entre a garotada com um avental cheio de panelinhas e copinhos coloridos gritando que já era a hora do almoço. Depois da janta, um esconde-esconde pelo cafezal era sagrado.
O tempo passou depressa demais. Agora, nosso parque tá tão diferente! As ruas? O asfalto passou lambendo tudo e as casas que a Caixa hoje faz são bem diferentes das daquele tempo. Não se sente mais o cheiro de terra molhada quando chove e não é mais possível fazer os buraquinhos no chão para os campeonatos de bolinha de gude. O cafezal ainda sobrevive com uma pipa ali e outra acolá. Tempo bom que já se foi. Não se precisava gastar dinheiro para se divertir porque dinheiro a gente não tinha mesmo.
Tudo em nossas mãos virava brinquedo e brincadeiras. Quando a gente é jovem, tudo pra nós é marcante.Qual criança de hoje em dia sabe brincar de passa anel, bandeirinha, pega-pega ou polícia-ladrão? Qual delas joga bolinhas de gude, pião ou amarelinha? Até violãozinho de lata eu fazia. Agora, tudo foi substituído por celulares modernos e jogos bem diferentes dos nossos.
Hoje estou bem mais velho, minha terra também. As brincadeiras de infância são apenas histórias perdidas na memória que agora renasceram para fazer brilhar os olhos desse que aqui agora ouve com uma atenção que emociona esse humilde morador bragantino. Com tudo isso que revivi me faz acreditar nos sonhos, pois, assim como eu me encontrei nessas memórias, o que impede que o hoje também seja palco das histórias no amanhã de cada um que por aqui vive? Porque as memórias nunca morrem, apenas adormecem com seus donos.
Exploração de águas da região e transposição para o Sistema Cantareira foi o assunto discutido por Patrícia Tainara Faria dos Santos, da Fernando Amos Siriani, em seu artigo de opinião
Explorados até a última gota!
Colonizado pelos portugueses em 1530, o Brasil possuía e ainda possui várias fontes de exploração, tais como o pau-brasil – a árvore da qual se extraía um corante vermelho, e hoje devido a tal abuso se extinguiu do país – o algodão, ouro, diamantes.
Bragança Paulista, situada no interior do estado de São Paulo, fundada em 1763, conhecida por ser a Terra da Linguiça e a Cidade Poesia, localiza-se numa região geográfica produtora de águas, e por isso vêm sofrendo constante exploração dessa sua riqueza.
Parecida com o Brasil colonial, minha cidade e todos os municípios que formam a Bacia PCJ (que compreende os rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí), são afetados pela exploração de suas águas, que abastecem a Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) desde a década de 70.
O Sistema Cantareira, um conjunto de represas formado pelos reservatórios Jaguari, Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro, inaugurado em 1974, e que hoje capta e trata cerca de 33 mil litros de água por segundo e abastece 55% da RMSP, é formado por um processo de transposição de águas dos rios que formam a Bacia PCJ. De acordo com a Secretaria de Planejamento do Estado de São Paulo, foram implementados incentivos para encontrar novas fontes de abastecimento para a Grande São Paulo, já que o Cantareira não conseguiria dar conta de suprir suas necessidades hídricas com o desenvolvimento econômico e a alta densidade demográfica.
Ocorre que o Sistema já entrou em colapso e por isso paulistas, mineiros e até cariocas poderão ser prejudicados. Então me pergunto qual será o preço a se pagar por essa exploração?
Com a falta de água, o comércio, as indústrias e a população urbana entrariam em completa desordem, e teríamos de viver a base de caminhões pipas, dos quais a qualidade da água não é garantida. E por estarmos em pleno ano eleitoral, todos querem encobrir a situação.
Diante das consequências nefastas da crise que se alastra pelo estado, até agora, o que vimos são as autoridades preocupadas com a RMSP, isso é nítido em seus discursos, e procurando novos meios para abastecê-la, embora todos possam sofrer com a seca, ninguém se pronunciou sobre novos meios de suprir os que moram no interior e foram explorados durante décadas.
Nosso secretário do Meio Ambiente afirma: “Em Bragança não faltará água.” Eu me pergunto como não faltará se a vazão do rio que nos abastece está diminuindo a cada dia, a represa que era abastecida por suas águas já está operando com o volume morto e a previsão meteorológica diz que choverá menos que a média histórica dos 30% que secou reservatórios, poços e nascentes neste verão.
O que percebemos é que a população não está conscientizada sobre a gravidade da situação pela falta de divulgação, pois todos tentam acobertar o infortúnio por estarmos em um ano eleitoral.
Na atual situação, eu penso que, a divulgação do problema é importante para que a população se atente e diminua o consumo, pois sabemos que 97% da água do nosso planeta é salgada, mas dos 3% que sobram, pouco menos de 1% é água destinada ao uso humano. Pode-se dizer que a população é leiga, pois não sabe da transposição de águas que ocorre na nossa região, ou seja, até então usamos esse líquido como se o tivéssemos em abundância.
Notícias mais frequentes nos meios de comunicação e campanhas contundentes já seriam úteis para deixar a população do Sudeste, inteirada no assunto e voltada ao que ainda é possível fazer: reutilizar água proveniente de máquinas de lavar roupas, cobrar a reutilização por parte das indústrias, armazenar água da chuva, enfim evitar o desperdício.
Portanto, se o Cantareira se recuperar, existirá a necessidade de mudança no seu sistema operacional, que devido à exploração sem planejamento e sem investimentos que já se faziam necessários há muitos anos, corre o risco de esvair-se, e com isso todos nós que residimos no mais populoso estado do país, responsável por 12% do PIB da nação, podemos sofrer prejuízos inestimáveis.
O que vemos é que assim como em 1530, nossas riquezas continuam a ser exploradas sem organização e sem sustentabilidade, só que dessa vez, pelos seus próprios habitantes, que, em sua maioria, nem têm consciência de tamanha atrocidade, uma vez que são conduzidos de olhos fechados por suas autoridades que não parecem preocupadas em fazer deste um país sustentável.
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