Que o despertar permaneça

O Brasil acordou. Os brasileiros acordaram. O gigante despertou. Essas frases vêm sendo muito ouvidas nas últimas semanas em razão dos protestos que agregaram milhares de pessoas nas capitais do país e que, aos poucos foram ganhando as ruas das cidades do interior, como Bragança Paulista, nessa sexta-feira, 21.

Os protestos começaram motivados pelo aumento das tarifas do transporte coletivo nas capitais, mesmo após o governo federal promover a desoneração das alíquotas, isentando as empresas que prestam esse serviço do pagamento de PIS e Confins. Depois, outros temas também ganharam repercussão, como os altos gastos com obras visando à Copa do Mundo e à própria Copa das Confederações, que está acontecendo no país. A população em geral cobra mais investimentos em saúde e educação e protesta contra a corrupção.

O fato é histórico, afinal, o povo não ia para as ruas cobrar, de forma maciça, mudança de postura dos governos desde o início da década de 90, quando houve o Impeachment do então presidente Fernando Collor.

Mas é importante destacar alguns pontos. O manifesto contra o aumento das passagens é legítimo. Aliás, nunca entendemos o porquê de os manifestos contra o reajuste na tarifa, em Bragança, nunca terem agregado tanta gente. O serviço não é prestado a contento, as queixas são inúmeras e o valor, conforme prevê o contrato, aumenta anualmente. Em 2012, vale registrar, o então prefeito João Afonso Sólis (Jango) não concedeu o reajuste. Mas sobram motivos para que a população proteste contra o aumento da passagem.

Já a respeito dos gastos com os estádios que estão servindo e servirão para as Copas, cabe registrar que as manifestações não estão sendo em vão, porém tardias. Poderiam ter sido feitas quando as tratativas para que esses eventos esportivos viessem ao Brasil estavam no início, quando as obras ainda estavam por começar. Porque aí, sim, protestos em massa poderiam ter evitado esses gastos públicos e a população poderia ter exigido que eles fossem empregados em hospitais, escolas de qualidade, valorização dos professores, e tantas outras reivindicações justas e também legítimas. O problema é que agora os estádios já estão prontos ou com obras adiantadas. O que foi gasto já não tem mais volta.

Muitos podem falar que antes tarde do que nunca. Muito bem. Que esse despertar do qual vem se ouvindo falar realmente seja concreto e perdure nos brasileiros depois que as Copas passarem. E que a partir de agora não demoremos mais tanto para descobrir que algo está errado e protestar contra isso.

Há tempos conclamamos a população a participar mais das realizações da cidade, a escolher com mais seriedade e responsabilidade seus candidatos, na época das eleições, a reclamar mais sobre coisas com as quais não concorda.

O povo tem que participar das sessões da Câmara, ler sobre o que os políticos fazem, assistir mais a telejornais do que a novelas, e ouvir e ler a mesma notícia em fontes diferentes, para que tire as suas conclusões. Mas, como já mencionamos em outros editoriais, tudo isso é trabalhoso, não se resume a ir para as ruas e empunhar cartazes contra o governo. Só que, se o brasileiro se habituar a participar mais, fiscalizar e cobrar dos eleitos o que julgar necessário, fazendo valer a sua vontade, certamente terá menos motivos para “ir às ruas”.

Registramos ainda nossa satisfação pela realização da manifestação em Bragança Paulista sem incidentes, com ordem e respeito.

 

Uma boa semana a todos!

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