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SUB-VERSÃO

Recebi uma cartinha do Papai Noel

Querida Aninha,

Escrevo, porque estranhei muito a ausência de uma cartinha sua esse ano. O que aconteceu, minha querida?

Ainda me lembro de suas primeiras cartinhas, numa delas você me pedia uma bola de futebol e um “shorts”, como os que os jogadores usavam. E eu pensei: - Essa é minha menina!

Aliás, sempre soube que você não era muito afeiçoada a bonecas, nem a fogõezinhos e utensílios domésticos. Você sempre gostou do movimento, da aventura, da delícia de ser criança e brincar com o que bem entendesse.

Por isso, meu estranhamento esse ano. O que foi, minha pequena? Cansou-se de brincar? Ou foi o mundo que roubou-lhe, ainda que por um breve espaço de tempo, a esperança?

Sabe, Aninha, na verdade, na verdade, eu já esperava que isso acontecesse, esperava que você não fosse mesmo me pedir nada. Eu a conheço desde que era uma menininha gordinha, branquinha, sardenta, de cabelos rebeldes, e sei que a seu ver esse não seria um ano para pedir.

Eu ouço suas orações, como quando as fazia ajoelhando-se ao lado de sua cama, as mãozinhas gordinhas juntas, e ultimamente só tenho ouvido agradecimentos.

Mas, sabe, mesmo assim, e apesar de todas as adversidades pelas quais você e o mundo passaram e ainda estão passando esse ano, eu resolvi enviar-lhe alguns presentes. Acredito que lhe serão muito úteis. E, não, não precisa me agradecer. Contento-me em ver seus olhinhos brilhando novamente, como quando eu era para você uma novidade feliz, e o Natal, ah... o Natal era uma época que cheirava à esperança.

A propósito, já comeu seus figuinhos esse ano? Eu sei que você os adora, desde pequena. O doce pelo qual espera o ano todo, o único doce de que realmente gosta. O aroma do Natal, como bem descreveu naquele texto. Você me levou às lágrimas com ele, sabia?

Bom, deixemos de conversa e saudosismo. Tenho me tornado um velhinho muito sentimental.

Vá até a árvore de Natal na sua sala. Sim, aquela mesma, onde você passando-se por mim, (você sempre faz isso, não é?) deixou presentes para os seus queridos.

Viu? Essa caixa mesmo, diferente dos outros embrulhos. Essa caixa vermelha, porque sei que gosta de vermelho.

Gostou? Espero que sim e lembre-se: Esse é um presente que deve ser compartilhado.

Isso! São mesmo vários, não podia deixar de ser generoso com você: Esperança para os dias maus; Doçura para todos os outros; Força sempre que exigida; Sabedoria e empatia para o convívio com seus irmãos; Poesia para suportar a dureza do cotidiano; Garra para mudar o que é preciso!

Vai, Aninha, remexe mais essa caixa, que talvez o melhor eu tenha deixado por último. Achou? Sim! Amor! E ele veio sob a forma esférica da bola de futebol que tanto queria quando criança. Tem o “shorts” aí também, viu? Em tamanho atualizado, viu?

Quando se sentir desanimada, e você sabe muito bem o que significa essa palavra, vista seu “shorts”, pegue a bola e jogue futebol com seu sobrinho. Mantenha-se a Aninha de sempre, essa menina travessa, teimosa e bagunceira, que nunca se resigna, que acredita na força do amor, como ainda acredita em mim!

Feliz Natal, Aninha!

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