Se a gente tem amor...

“Só se pode viver perto de outro, e conhecer outra pessoa, sem perigo de ódio, se a gente tem amor.

Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura”.

Guimarães Rosa

 

Se a gente tem amor...

Ah, como o idealizador de Diadorim entendia do Ser humano... O amor é mesmo o que nos salva de nós mesmos.

Quando há amor é que o caos se instaura, porque amo um ser completa e inteiramente diverso de mim, e ainda assim, sou capaz de reconhecer nele características que me são peculiares, outras, nem tanto, algumas que geram em mim satisfação, outras, que me põem louca.

Mas amar é isso, um eterno diálogo entre dois seres diversos que, por vontade, decidem assumir o risco audacioso de se permitirem conhecer um ao outro. Amor é aceitação, mas é também desprendimento, porque ao passo que me permito fazer conhecido ao outro, com todas as minhas neuroses e manias e pequenas sutilezas, acabo por conhecer-me melhor, e acredito que não haja crescimento maior ao ser humano do que conhecer-se a si mesmo. O amor faz isso, nos permite o conhecimento de nós mesmos e do outro.

Até que chega uma hora em que o outro nem é tão mais outro assim, e já o conhecemos só pelo olhar. O momento em que o olhar comunica é o mais sublime do amor. Não há necessidade de palavras, consegue-se ler o olhar do outro. A isso, dou o nome de cumplicidade.

Amantes são cúmplices em muitos sentidos, mas não basta que o sejam, tem de ser também companheiros, do latim “cum panis”; aquele com quem dividimos o pão. E nem sempre o pão vem quentinho, recém-saído do forno, às vezes é aquele mesmo que o dito-cujo amassou. É preciso dividir tanto um quanto o outro, porque amor genuíno se vê é mesmo nessas horas, alegres e tristes, de que se compõe essa enorme roda gigante que chamamos vida.

Amar não é fácil, é desafiador.

Acho mesmo que amor é mistério, colocado no coração dos homens por Aquele que os conhecia desde sempre, sábio o suficiente para fazê-lo veneno e seu próprio antídoto.

O amor é o verde cortante dos olhos de Diadorim, quando contemplados por Riobaldo.

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