Em entrevista concedida ao Jornal Em Dia, nesse sábado, 5, a secretária municipal de Saúde, Estela Gianesella, falou sobre a interdição do Hospital Mantiqueira e a liminar conquistada pelos administradores, que autorizou a permanência dos pacientes no local.
Ela contou que a liminar foi indeferida em sua maior parte, acatada parcialmente para garantir continuidade ao atendimento de pacientes cuja remoção imediata possa representar risco de vida.
O juiz também pediu à Vigilância Sanitária (Visa), segundo Estela, novas informações no prazo de dez dias para realizar uma nova avaliação.
A secretária disse que, na verdade, o juiz teve a mesma decisão que a Visa havia dado. “Não mandamos retirar todos os pacientes imediatamente. Demos um prazo de 48 horas para que eles fossem removidos e, se houvesse paciente que não pudesse ser transferido, o hospital deveria notificar a Visa”, explicou.
Estela também frisou que a interdição não foi um “castigo” ao hospital e não foi precipitada, pois a Visa trabalha de acordo com o que encontra no momento em que realiza a fiscalização e deve agir de forma imediata.
Ela citou o artigo 127 do Código Sanitário do Estado de São Paulo que diz que “nos casos em que a infração exigir a ação pronta da autoridade sanitária para proteção da saúde pública, as penalidades de apreensão, de interdição e de inutilização deverão ser aplicadas de imediato, sem prejuízo de outras eventualmente cabíveis”.
“Foi uma medida de proteção, portanto, já que a saúde pública estava em risco iminente, ou seja, a pessoa que entrava no hospital corria risco de ter agravamento das condições de sua saúde por conta da situação do local”, esclareceu a secretária.
Sobre a visita realizada na terça-feira, 1º, que resultou na decisão da interdição, Estela afirmou que havia equipamentos quebrados ou não funcionando na sala de emergência e pronto-socorro, como de ar comprimido e oxigênio. Também comentou que havia uma enfermeira para atender UTI e pronto-socorro ao mesmo tempo, além de outras irregularidades.
Sobre o relato divulgado em veículos da imprensa de que pingava urina do ar condicionado, a secretária disse que, no momento em que a fiscal da Visa entrou na sala de emergência, um pedaço do ar condicionado estava pendurado, água escorria do equipamento e havia um líquido amarelado no chão com um forte cheiro de urina.
A impressão que dava, segundo a secretária, era de que a urina pingava do ar condicionado, mas ela constatou que, na verdade, havia uma poça de urina muito próximo à poça d’água.
Estela também contou que esteve novamente na sexta-feira no hospital e conversou com um médico que foi cadastrado, no momento da visita, como responsável técnico. Ele informou que o hospital estaria tomando providências.
Sobre o atendimento aos conveniados no plano de saúde, a secretária de Saúde solicita que o hospital assuma a responsabilidade de colocar à disposição de seus pacientes ambulância e UTI na porta para conduzir as pessoas a outros locais, e não instruir que elas procurem diretamente o SUS. “O atendimento do SUS está recebendo essas pessoas, mas elas estão pagando pelo plano”, justificou.
Para que o hospital volte a funcionar, é necessário que os responsáveis encaminhem um relato à Visa informando as providências tomadas e solicitar uma nova vistoria. “Temos muita pressa de que isso ocorra e faremos a nova vistoria assim que eles solicitarem novamente porque não é de nosso interesse manter um hospital com portas fechadas”, concluiu a secretária.
0 Comentários