Sobre a necessidade de estourar balões

Era um aniversário significativo, eu completaria 30 anos, mas, qual não é?

E eu gosto mesmo de celebrar essa data, admito. Gosto de celebrar a vida todo dia, é verdade, mas esse dia tem que ser emblemático. Então, sempre preparo tudo com a alegria e a ansiedade de uma criança, afinal, é o que eu sou ainda hoje, não é? E me permito, feito criança, deliciar-me com todas as iguarias exageradamente calóricas, das quais tento me privar quase sempre, e enfeito a casa, cozinho, e... encho balões.

Você pode estar pensando, mas que grande baboseira! Trinta anos e ainda cultiva festas de aniversário pueris... E você não está errado se assim pensar. Eu tenho mesmo manias infantis e vontades impetuosas, sou uma menina de trinta anos, a quem a Poesia ofertou o dom de ignorar o tempo, essa convenção humana...

Mas não, não ignoro seus sinais em mim, eu os amo!

Mas devo voltar à história dos balões. Eles são significativos, acredite. Quando os encho, a plenos pulmões, é como se recriasse a atmosfera da criação, quando o Eterno, movido pela insanidade de seu amor, deu-me vida, lançando-se sobre mim, num beijo apaixonado, sua própria Vida!

E eu celebro a Vida nEle!

Contudo, e esse tema dá título a esse texto, há a necessidade de estourar os balões. E eu não o faço no mesmo dia, não. Normalmente, no dia que se segue ao meu natalício. Mas estouro todos, não pode restar um sequer. É um ritual de renovação, o fôlego antigo se vai, junto da borracha que se contorce, agora sem vida. A aparente ausência de vida é na verdade um indicador de que a vida está, mais uma vez, se renovando em mim. Um ano se passou no calendário humano e muitos em minha alma. Tudo o que o Altíssimo me proporcionou viver foi, como deve ser, celebrado. Tudo o que virá segue sendo celebrado diariamente... Ano que vem, novos balões serão cheios, relembrando que Ele segue me sustentando com seu sopro.

Aliás, acho que quero balões em meu enterro, mas que ao final, eles sejam soltos, para que voltem Àquele que bondosamente proporcionou minha existência aqui.

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